quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O que há por trás?



           Lembro quando assistia e tinha 11 anos. Era o segundo filme e eu tampava os olhos, porque não poderia enxergar tamanha brutalidade. Eram cenas chocantes e cheias de sangue. Eu não gostava de terror, mas os meus amigos estavam lá e como toda adolescente daquela idade, eu tinha que provar que era forte. Os anos foram passando e eu comecei a acompanhar aquela trama de perto. Não perdia um lançamento e assistia sozinha. Foi assim que começou o meu vício pelo horror ficcional.
           Eu olhava as mortes e me sentia bem pela minha coragem, por agüentar firme e não fechar os olhos em cada cena. Esse era o meu intuito até os 13 anos. Eu era menina, e só queria que soubessem que eu poderia enfrentar os meus ‘fantasmas'.
           Á medida que surgiam novas histórias no cinema, elas também surgiam em minha vida. Eu ia amadurecendo e meus pensamentos tomavam forma. Nesse tempo, a película tomou outra cara. Deixou de explorar somente as torturas e passou a explicar o porquê delas. Eu ia entendendo e pensando no que levava o lendário Jigsaw a cometer tais loucuras. Quando descobri, parece que finalmente havia entendido o seu propósito. Dali pra frente eu tinha uma percepção diferente das personagens e buscava a psicologia para compreender melhor os fatos.
          Meus amigos não sabiam o porquê de eu amar um filme tão doentio. E eu nunca tentei explicar. Talvez agora seja a hora de expressar minha opinião.
          Jigsaw tinha câncer e era terminal. Ao descobrir a patologia, queria dar um fim na sua vida. Tentou o suicídio em um acidente de carro, mas saiu ileso. Por um milagre, seu coração ainda batia. Depois desse acidente, a sua maneira de encarar a realidade, mudou completamente. Sua mulher, não aceitava aquele novo homem e o deixou sozinho.
         Foi assim que começaram os jogos. O psicopata capturava pessoas que haviam morrido por dentro e mesmo assim continuavam andando. Pessoas que não davam o valor por respirarem a cada minuto. Pessoas que encontravam nos vícios, uma fuga para seus problemas. Matavam, bebiam, se drogavam, todos os dias. Sentiam-se um nada.
        O serial killer tinha a intenção de revelar que mesmo com tantas dificuldades, poderiam virar o jogo e seguir em frente, como ele fez. Além disso, Jigsaw mostra que quando vc menos espera, será julgado, seja aqui ou depois de sua morte. E assim, pagará pelos seus erros ou pecados. No entanto, por trás desse ideal, escondia-se o ódio que o maníaco tinha por estas pessoas. Fazia-os sofrer da pior forma possível, os explorava através de seus medos e quase ninguém escapava. Aqueles que por muito pouco, se mantinham de pé, recomeçavam e seguiam o ‘criador’.
        De fato, não temos o direito de sentenciar alguém, nem designar a sua morte. Porém é preciso ecoar na mente daqueles que precisam, que a vida é só uma e deve ser aproveitada intensamente. Deve-se deixar o egoísmo de lado e pensar em quantas crianças, adultos e idosos estão em pior situação, passando fome, sem moradia ou doentes. Estes sim, convivem com o sofrimento, contudo continuam sorrindo.
       Jogos Mortais não é apenas mais um filme com o objetivo de assustar as pessoas. É necessário ter uma visão de mundo e perceber a lição que ele nos oferece.

2 comentários:

  1. Texto perfeito, decifrou totalmente o meu pensamento. Vi os 5 filmes de Jogos mortais, e quando soube a lição que ele passava, mudei minha concepção sobre o filme, e tudo o que disse é verdade. Existem muitas pessoas que não dão valor a vida.

    Seguindo, gostei mt

    www.spiderwebs.tk

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  2. As vezes precisamos quase perder algo, nesse caso a vida, para enxergar com claresa o q realmente acontece e o quão precioso isso é para nós. Não podemos jogar a dádiva de estarmos vivos pela janela, se não fizermos por nó q seja pelos outros.

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