quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Lei de Murphy maldita.



Lei de Murphy maldita,
traga-me a sorte bendita.
De volta à maré de azar,
é onde não posso ficar.

Brigas, discussões, despedidas,
um período só de idas.
Um clamor odioso sobre mim, 
sentimento que me leva ao fim.

Acostumada a rotina do dia-a-dia,
repleta de sofrimento e agonia,
emoções que jamais pensaria
e tampouco merecia.

Lei de Murphy maldita,
leve daqui as palavras mal ditas,
devolva-me um destino bondoso,
e um caminho piedoso.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

[Parte 6] Entre céu e Terra.


- A Luta

     Ao entrar na gruta, o espírito foi abalado, relembrando a sua vida humana. Uma grande ferida abriu-se no peito de Márcia, o qual, passou a sangrar. A garota, agindo de acordo com a entidade, dobrou os joelhos na terra molhada para tentar se recompor.
     Neste momento, os que estavam presentes iniciaram uma oração em línguas com enorme fervor para que o demônio fosse levado à sua respectiva dimensão.
     A força da entidade era atípica e ao passo que as orações a abatiam, ela ainda conseguia atingir o corpo de Márcia, causando-lhe arranhões e cortes. Márcia implorou forças aos céus e no mesmo instante, Leonardo invocou almas boas que trataram de mantê-la viva.
     Unidos, anjos e homens, estavam conseguindo afastar o espírito do corpo de Márcia, quando em uma última jogada, a entidade se levantou e iniciou um desmoronamento na gruta.
     Leonardo arremessou um clarão que pairou sobre àqueles que estavam na gruta, como um escudo protetor, garantindo que todos saíssem ilesos do local. Porém, em razão da debilidade de Márcia, a garota demorou a se locomover e uma pedra acabou lhe acertando.
     Ao sair da gruta, Márcia desabou inconsciente. Padre Sérgio, parou a sua corrida, olhou para trás, a tempo de arrastar a garota para a floresta, sem maiores danos.
     No céu, Leonardo descobrira que parte da alma de Márcia, estaria para sempre atrelada à entidade, porém, sorriu, ao saber que a bondade da garota estava acima de qualquer explicação terrena. O amor que Márcia carregava em seu interior, se encontrava além do abismo entre o céu e a Terra.
      Horas mais tarde, Márcia já estava no carro, voltando para casa com os outros. A garota acordou e mirou seu reflexo no retrosivor. Assustou-se ao se deparar com metade de seu rosto em forma de caveira. Só então, percebeu que conviveria com uma parte maléfica de seu espírito, pelo resto da vida.

sábado, 26 de outubro de 2013

No limite.


No limite, 
da dor,
do sofrimento, 
da angústia,
da vida.

À beira,
do abismo, 
da insanidade,
da explosão.

Palavras,
não ditas.
Garganta,
engasgada.

Engolindo,
a seco, 
longos anos.

Sufocada,
por sentimentos,
e emoções,
aliados às frustrações.

Insuportável,
irremediável, 
inconsolável.

Aonde isso vai parar?
Aonde aguentarei chegar?

Sigo aliviando,
enquanto posso,
nessas linhas tortas.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

[Parte 5] Entre céu e Terra.


- O bem o e mal

    O anjo era o único que sabia como expulsar a entidade. Conhecera o espírito, ainda em sua forma humana, quando assassinara os pais naquela gruta. A partir disto, a alma se perdera e ficara presa na Terra, possuindo infindáveis vítimas. Sendo assim, o único lugar passível de salvação, era onde a história teve início.
    Leonardo e os anjos entoaram cânticos benéficos que eram direcionadas a Fabrício, deixando a entidade cada vez mais enfraquecida. O canto de louvor aumentava à medida que Fabrício procurava se aproximar de Márcia.
    Com o enfraquecimento, o espírito se dispersou do corpo de Fabrício, pairando no ar, em sua forma demoníaca.  A entidade maligna levantou os braços e com o seu poder fez com que as raízes das árvores prendessem o corpo de Márcia.
    Devido à vulnerabilidade da garota, o espírito conseguia tortura-la incessantemente, proporcionando-lhe uma dor intolerável. Márcia não aguentava mais, seu corpo ia padecendo aos poucos. Assim, em um impulso, a garota pediu para que ele parasse e o espírito novamente tomou-a por inteira.
    Márcia se soltou  das raízes com facilidade. Embora já tivesse conseguido o que queria, o espírito ansiava por destruir todos aqueles que tentaram arruína-lo.
    Inconformado, Leonardo enviava feixes de luz que se distribuíam em várias cores para alumiar toda aquela escuridão podre. Dirigindo-se à Renata, ordenou: “Vá para a gruta e inicie o exorcismo.”
    A mãe atraiu a atenção da entidade, correndo para a gruta. Os padres e o diácono esperaram que Márcia passasse, para depois seguirem. Quando a garota, possuída pela entidade, entrou na gruta, Sérgio, Fabrício e Pedro tamparam o local com uma rocha para que ela não escapasse.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Despedida.



Amordaça-me,
estrangula-me,
e arranque este coração.

Coloque-o em sua mão,
use-o para sua satisfação,
venda-o por perdição.

Não desejo o seu perdão,
abracei a solidão.

Cansei de demonstrar o que você já sabia,
tentei abrir-lhe os olhos em demasia.

Contentei-me em andar vazia,
nas noites frias,
como outrora fazia.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Sempre em frente.



       Há muito o que aprender. A vida é um aprendizado e embora essa frase seja clichê, é necessário usá-la para relembrar que preciso seguir em frente.
       Mas é inevitável dizer que as lembranças não me atormentam. Tenho uma dificuldade imensa de deixar com que as pessoas saiam da minha vida e isso é ainda pior quando tenho "culpa no cartório". Sou capaz de passar por cima do meu orgulho, me humilhar, correr atrás até conseguir o perdão de quem amo. Porém, tudo se complica quando o erro não partiu de mim.
        Pois bem, estou nessa situação. Pessoas que antes eram intituladas amigas, hoje, são aquelas que me julgam, culpam e não querem ouvir minha versão dos fatos. Preferem acreditar em outros, antes de me consultar sobre o ocorrido.
        É incrível como nós, na maioria das vezes, conseguimos pensar apenas sobre a nossa perspectiva. Consideramos somente o nosso lado, a nossa parte e o outro, ah, o outro é sempre o culpado.
        Reconhecer que somos limitados, que erramos e acima de tudo que somos humanos falhos, faz parte do engrandecimento de um ser.
        Ouvir o próximo, colocar-se no lugar do mesmo e perdoar, faz de nós um alguém melhor.
        É certo que decepções com relação aos amigos (principalmente), acontecem com todos, no entanto, minha personalidade é daquelas que fica remoendo por um bom tempo, até que o sentimento finalmente se desfaça. Em muitas ocasiões prefiro pensar que as pessoas entram e saem da nossa vida, quando tem que ser. Não é por acaso, há um significado, porém não o entendemos de imediato. 
       Acredito que é indispensável que eu transforme o meu olhar (já bastante modificado nos últimos meses) também nesta questão. Preciso perceber que aqueles que passam, deixam um legado em nossa vida, todavia, eles não conseguem permanecer pra sempre. Assim necessita-se pensar no que foi deixado de valor, de importante, para transcender a falta que aquele(a) sujeito nos faz.
       Ainda me pergunto: por que é tão difícil colocar isso em prática?

sábado, 12 de outubro de 2013

[Parte 4] Entre céu e Terra.

- Possessões

     Renata viu toda a cena, mas não sabia como reagir. Novamente, Leonardo soprou palavras em seu ouvido, para guia-la: “Pegue-a e siga na direção marcada na floresta. No fim do caminho, encontrará uma gruta e descobrirá o que deve fazer.”
     A mãe tomou sua filha nos braços, carregando-a em direção a uma estrada de terra que dava para a floresta. Seguia adiante, quando se deparou com Padre Sérgio. Era um velho barrigudo e alto que transparecia sabedoria. Com ele, estavam o diácono Fabrício e o padre Pedro.
     Pararam o carro, para que mãe e filha entrassem. Renata explicou tudo o que havia acontecido  antes deles chegarem. O grupo então seguiu por uma longa jornada, passando pela floresta.
     No meio do percurso, Márcia, que estava deitada sobre o colo da mãe, começou a acordar com momentos de delírio.  Com o passar dos minutos, a garota ficava mais agitada, alucinando e se remexendo . A mãe segurava-a com firmeza, evitando que ela se soltasse.  Contudo, ao passo que a gruta se aproximava, a inquietação da Márcia apenas aumentava.
     Em instantes, a garota estava totalmente descontrolada. Cuspia no rosto da mãe e emitia xingamentos com a sua voz maléfica. De repente, Márcia movida pelo mal, olhou para o diácono Fabrício que estava ao seu lado e iniciou um ritual de sedução.
     Fabrício ficou hipnotizado com a performance da entidade, a qual, se aproveitou da situação para apoderar do corpo do homem.  O espírito desejava levar Márcia consigo e para isso, utilizaria a força do corpo de Fabrício a fim de afastar Renata e os demais.
     Em uma fração de segundos, o corpo de Márcia desfaleceu, enquanto o diácono, agora possuído, vomitava no banco do carona. Seus olhos reviravam, seu grito era atormentado.
     De repente, Fabrício tomou o volante de Padre Sérgio, cambiando a direção e os afastando da gruta. Padre Sérgio foi arremessado pra fora do carro e bateu com a cabeça em uma pedra. Atordoado, padre Pedro saiu de seu assento para ajuda-lo.
     Renata ainda permanecia no banco de trás com Márcia. O diácono possuído pelo espírito percebeu a fragilidade das duas e rapidamente se locomoveu para perto da mãe, colocando as mãos em seu pescoço na tentativa de estrangula-la. Márcia, ainda meio tonta, conseguiu alcançar o extintor que estava dentro do carro e bateu contra a cabeça de Fabrício, fazendo-o soltar Renata.
     Posteriormente, Márcia deitou a mãe na grama, para auxiliar na sua respiração. No entanto, Fabrício logo se recuperou e acelerando o carro, avançou, na direção das duas.
     Leonardo impossibilitado de descer à Terra, devido à instabilidade entre as dimensões, acompanhava do alto tudo o que ocorria. No instante em que viu o carro se aproximar, lançou um trovão para cortar a árvore mais próxima, bloqueando a passagem do veículo. 

sábado, 5 de outubro de 2013

[Parte 3] Entre céu e Terra.


- Leonardo

     Após se comunicar com Renata, Leonardo convocou os demais anjos auxiliadores para apoiá-lo na missão de salvar Márcia. Desde que a entidade fora afastada do corpo de         Márcia, aos 15 anos, Leonardo foi designado para ser teu anjo protetor.
     Todas as madrugadas, Leonardo era enviado para protegê-la. O anjo da guarda ficava na cabeceira de sua cama, velando teu sono e tua vida.
     No entanto, naquele início de noite, Leonardo estava vulnerável o suficiente, para perdê-la de vista por alguns segundos e enfim encontrá-la novamente possuída.
     Embora fosse um anjo bom, sentiu uma dose de raiva ao ver sua protegida nas mãos daquele espírito maligno. Estava decidido a fazer qualquer coisa, para salvá-la.
     Por um instante, Leonardo interrompeu seus pensamentos, a tempo de ver Márcia se esquivar para frente, movida pela força demoníaca. A garota estava a um passo do despenhadeiro.
     Então, o anjo da guarda, começou a bater suas asas freneticamente, criando ventos fortes que empurravam-na para longe do precipício. Porém, a entidade persistia. A cada dois passos pra trás, dava-se um novo passo à frente.
      Neste momento, travou-se uma guerra entre as forças do bem e do mal. Leonardo e os anjos auxiliadores batiam suas asas e enviavam forças à Márcia, enquanto os espíritos maus contra-atacavam. A guerra cessou quando a garota caiu desacordada na pista.