quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Buracolândia.



           Chegou o período chuvoso neste país tropical e junto com ele, vieram as lástimas. A chuva que atordoa famílias pobres alojadas em encostas e que temem perder a única esperança que lhe restam: a vida. Casas são botadas a baixo nos deslizamentos, crianças são soterradas e rodovias são interditadas. Abrem-se as crateras.
           Crateras que podem ser simples buracos citados na entrevista, mas que também conotam a abertura de feridas nos corações de muitos brasileiros. São lágrimas de perdas, enquanto não há justiça social.
           Como todo ano, o número de incidentes é devastador. O curioso é o fato de os governantes exigirem incessantemente que exerçamos a nossa cidadania, sendo que os próprios corruptos,violam o significado da palavra ‘democracia’. Aonde está o planejamento das cidades? E a garantia de um bem estar comum?
           Nos perguntamos e não temos respostas. Quando a situação torna-se insuportável, procuramos lutar pelo que é nosso de direito, através de jornais, como esse. E então, o meio para que cobremos todas as promessas feitas, é criticado por um engenheiro repugnante. Um homem que justifica a sua falta de competência para evitar os problemas, com críticas à imprensa.
          De fato, a prevenção deveria ser riscada dos dicionários. Ela não tem valor, perante tantos desastres. Ficam parados, esperando que hajam mais vítimas. É incrível como pensam em economizar, quando o assunto é a defesa do que possuímos. Sim, nós, que ainda esperamos exaustos um pouco de igualdade.
         Noticiam as enchentes, entram de luto e sensacionalizam a quantidade de mortos. Quando isso vai acabar? Quando vão deixar de falar e agir? Parece que é interminável.
         Eles não se preocupam com os sobreviventes, nem mesmo se ocupam de resgatar o que restou. Afinal, mais uma vez, somos tachados como parte de uma população que foi lançada à própria sorte, devido a concentração de renda na mão de poucos. Isso, não vai mudar.
          Confesso que ao ver essa entrevista em meio a tanta falta de segurança, algo bom me chamou atenção. Pelo menos uma mudança é certa. Os jornalistas que antes eram submissos, estão mostrando seus ideais. Não há mais aquela velha censura e se houver, eles não se importam mais. Por um momento, quis sentir o prazer que esta âncora sentiu ao desabafar, depois de tanto tempo. É, os olhos dela brilharam e a verdade veio à tona. 


Tá aí o vídeo, galera: http://www.youtube.com/watch?v=zBi5nRggKvw

7 comentários:

  1. um dos grandes erros desse país é a falta de planejamento e pulso para cobrar seus direitos dos governantes..

    se possível, visite meu blog

    www.semente-terra.blogspot.com

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  2. Pois é, B. Tremendo alívio quando alguém perde as estribeirinhas brsileiras (tão largas, tão condescendentes) e parte pra verdade. É como diria Verissimo numa de suas crônicas geniais: parece que nunca choveu, que o governo não sabe o que é chuva, que chuva é uma estapafurdice da natireza, tal o espanto que parece causar em todos. Este é o país do esparadrapo e do sol abafado à base de peneira. Sortezona pro blog, pra todos nós... Beijos!

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  3. Enquanto ouver cidadãos dispostos a mudar ou ao menos denunciar como essa jornalista ainda haverá esperança e futuro para o país mas as mudanças tem q ser feitas no presente pois o futuro as chuvas estão sempre levando.

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  4. Gostei do blog, muito bom mesmo, as postagens são bem interessantes...
    Acesse o meu tbm, dê um curtir na lateral do blog...

    http://temtudomega.blogspot.com

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  5. Eu não tenho a mesma impressão que você em relação à postura de jornalista em relação a tais assuntos, acredite ou não, existe censura sim, a diferença é que ela não está mais na proibição de matérias e sim na forma com que estas são abordadas...

    O desabafo da ancora, e seus olhos brilhantes são apenas consequência de uma tendência natural do jornalismo, a da promoção da comoção e o resultado disso é apenas emoção sem atitude e nisso não glória alguma...

    http://sublimeirrealidade.blogspot.com/2012/01/separacao.html

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  6. J. BRUNO

    Eu disse 'velha censura', nesse sentido. Por que antes, a censura era bem melhor e hoje já temos um progresso. Concordo contigo, quando diz que tem formas para serem abordadas em um telejornal. Sei bem disso. Mas não são em todos. Por exemplo, os jornais da Globo, evidenciam o que você pensa. Mas esses jornais 'pequenos', tem sim, grande credibilidade e pelo menos um pouco de verdade. Nem tudo é comoção. Eles são humanos, como nós.

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  7. J. BRUNO

    Agradeço sua opinião, gosto de debater esses assuntos. Ideias contrárias são sempre bem-vindas. ELas são fonte de aprendizado.

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