sábado, 26 de abril de 2014

A insuficiência do homem.


     O sofrimento é presente em grande parte da vida do ser humano e quiçá na maior parte desta. Sofremos demais e acredito que isto se dá pela maneira como lidamos com esse sentimento. Para nós, seres humanos, o sofrimento sempre está acima da felicidade. Mesmo que tenhamos inúmeros momentos de alegria, lembraremos, até o fim de nossas vidas, daqueles que nos causaram dor.
     A visão do homem, neste contexto, é muito limitada. Ainda me pergunto como podemos ser chamados de “Homo Sapiens”, se não sabemos nem lidar com as nossas perdas, ausências e afins. A meu ver, o sofrimento do homem em larga escala relaciona-se com duas características essenciais: a frustração e a impotência.
   A frustração devido ao fato de que as coisas nunca acontecerão da maneira como queremos e os nossos desejos jamais serão realizados em seu todo. Sempre haverá algo fora do lugar, que vai contra a forma como imaginamos/fantasiamos as situações. E conseguir compreender tal frustração é uma tarefa complicadíssima, tendo em vista o ego inflado do homem contemporâneo que acredita ser capaz de mover o mundo.
     Por conseguinte, surge a impotência. Acredito que mais dia, menos dia, demore o tempo que for, a “verdade” virá à tona na vida de cada um e assim entenderemos o porquê de ter dado errado, de termos perdido a batalha naquele instante passado. O difícil é reconhecer que o homem não é capaz de entender de imediato o porquê dos acontecimentos de sua própria vida.
   Bom, refletindo desta maneira, concluo que somos menores do que imaginamos, nesse imenso espaço. Insignificantes, atrasados, restritos e consequentemente sofredores.
   Por mais avanços tecnológicos e científicos que temos, não somos capazes de reger a nossa própria vida por completa. Porque há pontos, que mesmo que nós ansiemos, escolhemos e lutemos, ainda assim não será o suficiente. Porque, com certeza, há algo muito além de nós, algo que desconhecemos, seja o destino, deuses, extraterrestres ou a denominação que você preferir. Mas todos esses nomes se resumem a uma só palavra: Insuficiência.
    Talvez quando percebermos/reconhecermos o quão insuficiente somos, o sofrimento possa cessar ou ao menos se reduzir, em nossas vidas.

sábado, 19 de abril de 2014

Hipocrisia ou contradição?


      Durante muito tempo fui controlada por minhas próprias regras e era bastante restrita. Não conseguia me abrir a nenhuma nova experiência que pudesse infringir as minhas leis morais. E quando, raramente, os tabus eram quebrados, praticava a autopunição. 
   Contudo, os dias foram se passando e comecei a considerar a possibilidade de abrir algumas brechas nessas regras. Passei a ouvir os conselhos dos meus amigos e daqueles que me amam, a me expressar e discutir sobre assuntos, então foi desta maneira que iniciei o meu aprendizado.
    O ponto é que hoje as regras já não fazem mais tanto sentido. No entanto, há um sentimento ambíguo que floresce em mim em relação a esse assunto. Por um lado foi bom eu ter me desvencilhado um pouco das leis, para conhecer e desbravar o mundo, aproveitando-o, mas por outro, não foi produtivo, pois tropecei nas minhas palavras e as contradisse.
   Hoje, sou o tipo de pessoa que consegue aconselhar alguém dizendo o que pensa e o que, na maioria das vezes, costuma ajudar um amigo a seguir por um bom caminho, porém, quando é pra colocar as coisas em prática na minha vida, a história muda de figura. Sinto que não tenho força o suficiente pra praticar os meus ideais e acho que sou incapaz.
  Mas, tendo como referência tal definição, talvez eu não seja hipócrita, pois, como a hipocrisia é uma falsidade/fingimento, àqueles que praticam-na o fazem propositalmente e lhes digo que no meu caso não é assim. Não há intenção, apenas acontece e está fora do meu controle, na maioria das ocasiões.
   Acredito que eu seja uma contradição, que eu não honre com a minha palavra e que eu não consiga relaciona-la com a ação. A verdade é que sigo procurando uma saída plausível para melhorar nisso.
   E sob outro ponto de vista, considerando que o homem é mutável (e eu mudo de segundo em segundo), onde a hipocrisia poderia entrar aqui? Quer dizer, se você muda de opinião ao longo da sua história e começa a praticar ações que outrora não praticava, você pode ser tachado como hipócrita?
    É uma questão que parei pra pensar dia desses e ainda não cheguei a uma conclusão...

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Mão Dupla.


     Pensar demais nos leva a tantas dúvidas. Este é um ponto que preciso solucionar, pois acabo pensando demais e agindo de menos. Pensar não é o bastante. A vida acabou demonstrando para mim que as ações falam por si e que não adianta você pensar/sentir algo, se age de forma diferente, porque sempre irão considerar seus atos (na maioria, falhos) como forma de julgamento.  
     O que quero dizer é que nesse lance de pensar demais, acabo encontrando duas vias para cada tema que é me proporcionado. Penso em um argumento e penso no contra-argumento também. Não sei se considero essa estratégia relevante ou não, mas é algo que me cerceia. E, considerando o exposto, fico muito confusa em algumas questões, tanto que penso por horas a fio sobre.
     Pois bem, hoje expressarei minha opinião (de mão dupla) sobre rótulos e estereótipos. São padrões e isto é claro. Reducionistas, limitados e que não alcançam de forma alguma a essência do homem, tal como ela é. Porém, acredito que necessitamos de rótulos.
Particularmente, fico a refletir como seria o mundo se nada fosse padronizado. É certo que seria menos excludente e preconceituoso, mas será quanto tempo demoraríamos para decifrar uma pessoa? Quanto tempo ficaríamos a tentar entende-la? Uma vida inteira, quem sabe.
    Querendo ou não, por mais insuficiente que seja o ser humano, ainda assim somos complexos. Se já somos complexos e quiçá ininteligíveis quando se tem estereótipos, imagina se não os tivéssemos?
    O que quero explicitar aqui é: E se não tivéssemos parâmetro nenhum?
    Sei que não podemos ficar comparando tudo e todos, porque é uma visão extremamente reducionista, contudo, como saberíamos/definiríamos se o outro está triste ou feliz? Como o ajudaríamos?
    Bom, deixo as respostas para estas perguntas, em aberto, pois assim como eu, espero que vocês também possam refletir sobre. Como já li, certa vez, “não há nada mais gratificante, do que colocar uma semente de dúvida que brota na mente de alguém”. E com toda a certeza dúvida é o início de tudo. 

domingo, 6 de abril de 2014

Suicídio Masoquista.


Destroços,
estou no fundo do poço.
Retiraram-me até os ossos,
sinto que nada posso.

Suicídio,
já fora repúdio.
Mas agora é preciso,
correr esse risco.

Anestesiada,
inteiramente abalada,
Sem qualquer reação,
que possa me trazer a salvação.

Por muito tempo me perdi,
mas escolhi estar aqui.
Contemplando o masoquismo,
em direção ao abismo.

Dor que não se entende,
apenas se sente.
Angústia de ser assim,
mas como se livrar de mim?

É que aprecio o sofrimento,
gosto desse tormento.
Quem sabe um dia possa acabar,
e à sanidade poderei voltar.