quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Carta ao passado.



     Caro passado,

     Venho através desta, informar o meu doloroso remorso dos erros anteriores, a consciência pesada antes de dormir e a culpa perseguidora de meus sonhos.  Desejo que não tenhais projeções no presente e que eu possa vivê-lo em paz. Que as memórias de tormento sejam aprisionadas em minha inconsciência e que as mesmas, possam ser acessadas apenas quando o meu ego determinar. Que as marcas sejam cicatrizadas e o trauma esquecido. Que não volte o sentimento corrompido, a dor do amor e da amizade abolidos. Que as más recordações sejam enterradas. Por fim, que a trilha sonora de minha vida siga sempre em frente e que o meu interior deixe o passado caro para trás.  

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Em companhia da solidão.



     Ela andava cabisbaixa. Tropeçava nos pedregulhos do asfalto irregular. Estava no centro do Rio. Embora fosse Julho, a rua estava vazia, assim como a frágil garota.
     Há dois dias, as enchentes assolavam a cidade. A chuva não cessava por um instante sequer. As gotículas caíam do céu e deslizavam por seu rosto gélido de porcelana. Os cabelos ondulados perdiam os poucos cachos.
     Fernanda estava perdida, sem saber pra onde ir, ou onde chegaria. Apenas seguia em uma linha tênue na beira da calçada. De repente o reflexo na vitrine de uma pequena loja lhe chamou a atenção. O cabelo negro passou a ser grisalho. As rugas apareciam veemente em sua expressão. Os olhos azuis brilhantes se tornaram opacos. A bengala aparecia em sua mão, como fonte de equilíbrio. Sua face cedeu lugar a uma expressão estranha. Suas pálpebras estavam pesadas.
    Observando a imagem refletida com perplexidade, parou no meio de seu percurso e mirou o calendário da cidade. O ano era 2011.
    Através de um fluxo de consciência, percorreu toda a sua história até o momento atual. Encontrava-se no auge de sua adolescência, aos 16 anos. E então tentava entender o porquê daquela reflexão desfocada de uma anciã. Percebeu em sua essência que o seu destino se resumia àquela imagem na vitrine. A sua velhice seria fruto de um presente, calcado na solidão. Solidão esta que a perseguiria no futuro e se tornaria sua melhor companhia.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

5 músicas que não canso de ouvir.


A música em si, expressa a liberdade da alma, da essência. Em todas as ocasiões que eu puder ter a música comigo, eu o farei. É como se ela me levasse a outros lugares, à fantasia e ao mesmo tempo curasse os meus males e me acalmasse. Além da escrita, a música é a minha outra válvula de escape.

1. Whataya want from me - Adam Lambert

"Just don't give up, 
I'm workin' it out,
please don't give in, 
I won't let you down,
It messed me up,
need a second to breathe,
just keep coming around,
hey, whataya want from me."

2. Tempo perdido - Legião urbana.

"Veja o sol dessa manhã tão cinza,
a tempestade que chega é da cor
dos teus olhos: castanhos.
Então me abraça forte,
E me diz mais uma vez,
Que já estamos distantes de tudo,
Temos nosso próprio tempo."

3. Broken - Evanescence

"‘Cause I’m broken when I’m open,
And I don’t feel like I am strong enough,
‘Cause I’m broken when I lonesome,
And I don’t feel right when you’re gone away."

4. Esperando pelo 051 - Selvagens à procura de lei

“Tropeçamos porque queremos,
caímos sempre que podemos no mesmo velho apartamento.
Desejando que ela fosse Vênus,
contando lentamente os segredos roubados do vento.”

5. Anahi - Aleph

“Y voy a subirme en este tren,
no me importa el destino,
quiero estar conmigo,
saber que también,
Yo valgo la pena.
Y que mi corazón
ha estado tan tibio
por falta de amor.
Y en este vagón,
vi en los ojos de alguién
mas a tu corazón,
Aleph. “

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Caminhos do regresso.

"Quem me dera ao menos uma vez, que o mais simples fosse visto como o mais importante, mas nos deram espelhos e vimos um mundo doente (...) Quem me dera ao menos uma vez, acreditar por um instante em tudo o que existe, acreditar que o mundo é perfeito, que todas as pessoas são felizes."
                                                                                      Legião Urbana - Índios



    A partir de especulações de que o fim do mundo será neste ano, digo: se o atual estágio não é o fim, temo o que ainda está por vir. Em tempos de globalização, eu acredito em regressão. Em tempos de evolução das tecnologias, eu acredito na auto-destruição de nossa espécie. Em tempos de um otimismo mecanicista, eu prefiro o pessimismo.
    A realidade ao nosso redor é definitivamente desastrosa. A cada segundo são noticiadas e/ou presenciadas cenas de desespero. Em meio a inúmeros assaltos, assassinatos, estupros, catástrofes, há aqueles que ganham prestígio como as bombas de Hiroshima e Nagazaki, as grandes Guerras Mundiais, os atentados terroristas e massacres. 
    Os meios de comunicação anunciam estes momentos, de forma a ficarem marcados em nossa história e ainda lançam aquela velha pergunta no ar 'Por que tudo isto está acontecendo?'. É engraçado que tais acontecimentos conseguem respaldo, perante uma sociedade a qual assiste passiva à sua queda. 
    O fato é que a partir de nossas ações seguem-se consequências e desde a primeira árvore cortada até a última morte sanguinária, somos declarados culpados. Culpa esta, que sempre é transferida para terceiros ou até mesmo, para o único "ser humano" praticante daquela atrocidade vigente. O ônus é alheio. É claro, não aguentamos o peso da culpabilidade e só nos atentaremos para isto, quando o dia derradeiro surgir.
    O caos que vivenciamos em pleno século XXI originou-se da perda de essência do homem. Sim, chegamos ao ponto de termos valores inversos e nem nos importarmos. Falamos em desumanidade.
    Se somos dotados de razão, o que nos diferencia dos animais, será que estamos usando-a de maneira adequada? Afirmo que não, pois tendemos ao retrocesso até o nosso fim. Ao meu ver, estamos presos em um buraco, do qual não podemos sair ou ao menos, nos mover. Estamos atolados na sujeira lamacenta criada por nós: 'os seres superiores'. 
    Aceitamos a violência, o preconceito, a corrupção... O que será o estopim? Estopim de uma guerra, guerra de egos. Como Thomas Hobbes relatou 'o homem nasce egoísta' e em um mundo impotente como este, o egoísmo tornou-se a faceta mor do ser humano. 
    Por fim, sinto que não existe frase mais sábia para terminar este desabafo, senão "O homem é lobo do próprio homem." Na luta de todos contra todos, estamos destinados a acabar em um mesmo lugar, cavando a nossa própria cova.

 Obs: Escrevi este texto, a partir de ideias soltas. Eram várias e distintas, por isso a falta de coesão.


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

(Má) Sorte.



Desejo que volte
e entregue a minha sorte.
Traga um trevo de quatro folhas,
para cambiar minhas escolhas.

Antigos tempos,
jogados aos cinco ventos.
O presente é agora
e eu já não sei a hora.

Permanecerei neste lugar,
sem me importar.
Onde o doce frio
preenche o meu vazio.
 
Junto a este devaneio,
Digo-lhes o meu receio.
Conseguir esta proeza:
o retorno da frieza.

Chega de emoção,
que volte a razão!
Isenta de sentimento,
este é o meu momento.