domingo, 28 de outubro de 2012

Acorrentados.



  Ao longo de nossa existência, construímos laços com o próximo e precisamos do mesmo para sobreviver. O homem não vive inteiramente sozinho, pois se assim fosse, não faria parte deste tal mundo macabro.
  Pensando sobre esta cadeia de inter-relações, concluo que somos elos de uma corrente. Uma corrente que embora devesse ser inquebrantável, pois um elo está ligado ao outro, persiste em se separar. Promessas são desfeitas no silêncio. Pessoas se vão, sem explicação. Amores eternos tornam-se efêmeros. Palavras ditas são levadas pelo vento. Sentimentos são perdidos. E tudo fica inacabado.
  Aqueles elos quebrados se esvairão e toda a corrente estará destinada ao ônus dos mesmos. A corrente não se constituirá como da primeira vez, e então nada será como antes.
  A fim de substituir os elos anteriores, novas alianças são feitas e consequentemente outras correntes se formam. Algumas permanecem por anos, outras se desfazem no primeiro obstáculo.
  Somos ligados e desligados uns dos outros sem ao menos conseguir um tempo para nos recompor. O encontro com o próximo é banal. O discurso com o próximo não é assimilado da maneira correta. Os gestos e atitudes são valores momentâneos.
  A forma perecível do homem está falando mais alto. Será que devemos nos acostumar com o passageiro? A efemeridade nos leva ao comodismo e este desencadeia à nossa superficialidade. As correntes perdem sua intensidade, sua sensibilidade.
  O duradouro parece inalcançável e por mais que desejemos agarrá-lo, ele insiste em fugir de nossas mãos. Dependemos do outro. Nenhum relacionamento se faz, através de uma única parte. Pela primeira vez, obrigam-nos a esquecer o egoísmo e respeitar o querer alheio.
 Estamos destinados a um mesmo ciclo, onde não podemos escolher qual elo permanece e qual se quebra. Contudo, é preciso encarar essas idas e vindas de cabeça erguida, para que no fim, aqueles que ficaram, façam valer a pena.

domingo, 21 de outubro de 2012

"Diário de uma paixão."



   Júlio era um adolescente peculiar. Um loiro cheio de sardas que questionava tudo e todos que estavam à sua volta. Sofria da loucura dos porquê’s.  Por que o mundo é tão hostil? Por que os homens são tão egoístas? Por que não preservam o meio ambiente? Contudo, a pergunta que mais lhe intrigava era : ‘Por que não me encaixo em relacionamentos?’
  Para ser sincera, ele não experimentou nenhuma relação ao longo dos seus 18 anos de vida. Ora beijava uma menina aqui, ora beijava outra lá. No entanto, não se apresentava como os guris de sua faixa etária. Ele atribuía sentido a cada ação que realizava. O loiro tinha regras, tentava ser coerente com suas escolhas, a fim de não machucar as pessoas. Mas é claro, como todo ser humano, às vezes infringia as próprias leis. É fato que não se orgulhava de tal ato, no entanto entendia que não era perfeito, e que se esforçava o suficiente para dar o melhor de si.
  Porém, o seu mundo interior, havia piorado nas últimas semanas, ou melhor, “pirado”. Ele que sempre gostou de ser sozinho e não se importava com isso, agora estava apaixonado. Uma paixão platônica como poucas que havia presenciado. Nada era concreto. O loiro permanecia com o gosto do beijo em sua fantasia.
  Daquela vez, parecia estar realmente encrencado. Conheceu Betina no início do ano letivo, porém, até então, não deu espaço para que qualquer pessoa de sua classe se aproximasse. Betina permeou seu coração aos poucos. No começo, eram conversas irritantes, sem nexo, afinal, a garota era um estilo de 'bomba-relógio', que falava o tempo inteiro. Com o decorrer do curso, os laços foram se estreitando e fez-se um sentimento, de pouco tempo, mas de uma intensidade enorme. Júlio e Betina tornaram-se inseparáveis, sempre se ajudavam, aconselhavam um ao outro. Riam sem parar, faziam trabalhos juntos, estudavam. No entanto, ainda assim, existia uma barreira. Júlio era misterioso e não confiava em ninguém. Escondia parte de sua história e a guardava a sete chaves.
 Passaram-se dias e o garoto começou a ter uma sensação irreal. Refletia que aquilo não poderia estar acontecendo. Barrava-a, lutava para quebrá-la. Descobriu que era imaturo, ao pensar que as suas emoções poderiam ser controladas.
  Chegou à conclusão de que nem tudo estava de acordo com a sua razão. Sim, ele apaixonou-se por sua amiga e seus princípios caíram por terra.
  Seria uma ilusão, o loiro nunca poderia tocar os lábios de sua amada. Eram incompatíveis. Localizavam-se em mundos diferentes. Restava-lhe mantê-la por perto, em silêncio. Cultivar a amizade e deixar o seu amor unilateral, para trás. Criou-se um novo mistério, mas este, jamais seria revelado.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Top 10 personagens de novela - 2ª parte.



1. A personagem Flora de ‘A Favorita’ tornou-se uma vilã inesquecível e um ícone entre as novelas mais recentes. Com a sua magnífica interpretação, Patrícia Pillar, conseguiu ludibriar milhares de telespectadores. Por toda sua sede por vingança, Flora cometeu atrocidades sem deixar rastros durante boa parte da novela.


2. A personagem Nazaré Tedesco de ‘Senhora do Destino’ caracterizou-se com grande particularidade, devido ao caráter cômico da antagonista. Quem é que não gargalhou com as peripécias da vilã? Renata Sorrah brilhou no papel de ‘Naza’.







 3. O personagem Léo Brandão de ‘Insensato Coração’ marcou pela irreverência e volta triunfante de Gabriel Braga Nunes às novelas. Um vilão galanteador que conquista suas vítimas através da sedução.






 4. A personagem Camila de ‘Laços de Família’ marcou a televisão brasileira, com uma das cenas mais emocionantes, onde a protagonista raspou o cabelo, enquanto chorava compulsivamente ao som de Love By Grace. Carolina Dieckmann admitiu se emocionar verdadeiramente com a cena.


 5. O personagem Marcos de ‘Mulheres Apaixonadas’ teve uma enorme repercussão em Mulheres Apaixonadas. O fato de bater em sua esposa Raquel com a raquete, deu-lhe um tom peculiar. Dan Stulbach desempenhou o papel com êxito.




 6. A personagem Dóris de ‘Mulheres Apaixonadas’ é relembrada por muitos brasileiros devido aos maus tratos causados a seus avós. Considero uma das melhores atuações de Regiane Alves.








 7. O personagem Nilo de ‘Avenida Brasil’ é um tanto quanto curioso. Primeiro por sua caracterização irreconhecível e segundo pelas características que o ator desempenhou no papel. José de Abreu interpretou de forma espetacular e literalmente roubou a cena.




 8. A personagem Marta Toledo de ‘Páginas da Vida’ consagrou-se como uma verdadeira megera. O público enojava suas atitudes para com a neta Clarinha que tinha síndrome de Down. Com um ar de loucura, Marta causava indignação aos espectadores. As caras e bocas de Lília Cabral confirmaram o alto nível da atriz.




 9. O personagem Giovanni Improtta de ‘Senhora do Destino’ foi digno de muito carisma e inúmeras risadas. O tom humorístico auxiliou para que ‘Geová’ caísse no gosto do povo. Como de praxe, mais uma bela atuação de José Wilker.








 10. A personagem Ana Fonseca de ‘A Vida da Gente’ é a única protagonista de minha lista. Fernanda Vasconcellos se sai bem em papéis de ‘mocinha’. Com o seu rosto angelical, proporciona todo um ‘simbolismo’ para as suas cenas, contagiando os telespectadores. É batalhadora e sofredora. Mas queria ressaltar aqui a minha ânsia por vê-la como vilã de alguma trama.

domingo, 14 de outubro de 2012

Nuances de um dia chuvoso.



   A chuva insistia em cair. Os vidros permaneciam embaçados e com pingos d’água. Fabiana observava o horizonte cinzento enquanto pintava sua tela. Utilizava traços próprios e suas imagens passavam um ar de descontração. Era apaixonada pela aquarela, desde criança.
   A garota crescia e com ela, a ânsia por ser uma artista renomada. Contudo, seu fascínio pela pintura era tamanho que criara um mundo apenas seu. Decidiu ser reclusa, presa  a este sonho. Os pais, ao perceberem a situação da filha, mandaram-na para um colégio interno da região.
  Sobreviveu àquele lugar durante cinco longos anos. Aos dezessete, considerava-se pronta para ultrapassar os muros do reformatório. Fugiu. Sentiu a liberdade em suas entranhas.
Na sua primeira noite livre, tomou um porre e acordou na calçada, em frente ao bar. Levantou-se com dores de cabeça, náuseas e com uma aparência cansada. Vestia maltrapilho. Embora não estivesse nada apresentável, resolveu ir ao cartório e iniciar sua transformação. Mudou o nome, cabelo, estilo, endereço, e enfim, a vida.
  Conseguiu um trabalho de telefonista. Após um mês na agência, conheceu a morena Karla. Uma amizade nasceu naquele instante.
  Certa vez, Karla chegou ao apartamento de Fabi e chamou pela ruiva, mas não obteve resposta. Vagou pelos cômodos do local até encontrar a amiga debruçada no assoalho, manuseando alguns pincéis. Fitou-a por segundos e sua face adquiriu um semblante confuso. Tocou o ombro de Fabi e perguntou o que significava aquela cena. Fabi decidiu contar à amiga, o motivo de sua angústia.
  Desejava voltar a sentir os olhos brilharem frente às telas de sua autoria, desejava sentir o cheiro das tintas. Porém, Fabi enfraquecera. Ainda sentia a dor de carregar o fardo desde a infância até à adolescência. Não conseguia enfrentar seus receios passados. Karla escutava o desespero da amiga, com pesar. Refletia sobre uma solução. A morena propôs que ela assinasse as obras, para preservar a identidade de Fabi.
  No recomeço as pinturas ganhavam cores escuras e expressões vazias. Apesar disto, a habilidade da ruiva era incomparável, o que lhe proporcionava altas rendas no fim do dia. Seis meses mais tarde, os tons das telas começaram a mudar. As cores do arco-íris apareciam com freqüência nos quadros. Sua alma se iluminara novamente.
 Com os olhos fixos no orvalho, Fabi regressou ao presente. Em plena nostalgia, percebeu a obra prima, fruto de sua criação, enquanto estava perdida em seus nuances de anos atrás.


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Dilema.



Em meio à dicotomia,
ouço aquela melodia.
   Velhas lembranças voam,
        à medida que as notas soam.

Ora te quero perto,
    embora não seja certo.
   Ora te quero distante,
 do meu ser pensante.

Abandonando a felicidade,
concretizo a instabilidade,
como alguém que se apaixona,
e a incerteza aprisiona.

Em lados contrários,
sujeitos a critérios não arbitrários,
seguimos neste dilema,
sem solução para o problema.

domingo, 7 de outubro de 2012

Aonde está a ética?


      Em meio a tantas reivindicações por um voto consciente, decidi realizar um apelo para outra questão que também envolve (mesmo que indiretamente) as eleições. Durante todo o período de campanha política, os famosos ‘santinhos’ participaram da vida de todos nós, eleitores.
      Este processo tornou-se rotineiro, pois além de ser fácil, possui um custo menor, comparados àqueles recursos que utilizam à mídia para divulgação.
      Pois bem, hoje acordei para votar pela primeira vez. De fato, como já deixei claro inúmeras vezes aqui, entendo pouco de política e não me interesso pela mesma. É óbvio que não concordo com votos de protesto como aconteceu na eleição passada. Além disso, me importo com o meu voto. Tenho consciência de que ele, sozinho, não pode mudar o rumo da minha cidade e muito menos do meu país, mas de qualquer forma estou exercendo meu direito de cidadã e ao longo da história lutamos para conseguir tal feito.
     Voltando ao foco, estava no carro, indo para seção eleitoral quando me deparei com a rua ‘imunda’ desses tais santinhos. Era um jogado pra direita, outro pra esquerda e até mesmo amontoados de papéis.
     Comecei a pensar na falta de responsabilidade de um candidato e seus adeptos, ao deixarem a cidade com um visual desse. Outra questão é o trabalho que será árduo para os garis em limpar toda a cidade, a qual não é pequena. Não medirei palavras e desta vez afirmo é uma covardia, que só ressalta o início do que eles farão quando forem eleitos. Digo todos, sem exceção.
     É muito cômodo pra eles espalharem os santinhos não usados pelas calçadas da cidade, porque é claro, a verba nunca pode ser ‘desperdiçada’.
     Se com a limpeza da cidade a situação já está caótica, imagina quando estiverem exercendo sua verdadeira ‘função’. É uma grande falta de respeito e nós cidadãos devíamos olhar a situação por este lado também, pois apesar de ser uma causa considerada pequena, ainda assim é injusta, sem moral/ética alguma.



sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Alucinação.



Óh doce menino,
é por ti, que alucino.

Abraço-te em desespero,
pois há anos te espero.

Vejo teu rosto aveludado,
que me remete ao pecado.

Coloco-te em meu peito,
meio sem jeito.

Afago-te sem esperança,
com ilusões de uma criança.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

[Parte 4] Navegando em outros mares.



    O homem branco distribuía as folhas para os aborígines, até perceber a presença de uma índia estranha que jamais vira na tribo. Ela era a única mulher que restara, era a matriarca e todos os índios a desejavam. Contudo, Yara não se interessava por nenhum deles.
    Yara tinha cabelos negros e longos, uma pele morena e um olhar doce. Parecia ser uma menina inocente, apesar de ter a idade de uma mulher já adulta.
    Logo que a observou, os olhos de Marcos brilharam e ele teve uma sensação de desejo em seu peito. Seus olhares se encontraram rapidamente, porém a bela índia precisava descansar.
A noite apareceu e os pensamentos do homem branco voltaram-se totalmente para a índia, impedindo-o de dormir. Decidira que na manhã seguinte, procuraria por ela.
    O dia surgiu e ele fora em mais uma caçada. Procurou-a em todas as ocas, no entanto, sem sucesso. Escutou o canto de uma voz feminina, suave e encantadora. Seguiu-a.
    Ao chegar à beira do mar, ela estava lá. Capturando peixes e colocando-os em uma cesta, o que denotava seu espírito guerreiro.
    Cumprimentou-a com uma saudação indígena. Em quase um mês na tribo, havia aprendido palavras o suficiente, para conversar com Yara. Ficaram por horas, trocando informações e desenhando na areia. Piatã, a mando do Pajé, vasculhou a área, para encontrar a índia. Quando a viu, com o homem branco, um sentimento de ódio corroeu Piatã. Ele pegou-a pelo braço com movimentos bruscos e discutiu com a índia, em Tupi.
    Marcos queria salvá-la, porém era fraco demais para lutar contra os guerreiros da tribo. Regressou para oca e o Pajé esperava-o. Apoderou-se de suas armas e o despiu. Em Tupi dizia: “Se queres a mais linda índia deste mundo, terás que tornar-se um de nós, mas se não irás embora e nunca voltarás”.
    O homem branco estava indeciso. Seu sonho era navegar sem rumo, conhecer minas de ouro e conquistar as mais perfeitas mulheres. Jamais imaginara fazer parte de uma tribo. Porém, quando conheceu Yara, tudo mudou.
    Marcos acenou de maneira positiva e então iniciou-se o ritual. Seu corpo fora pintado, cobriu-o com penas em sua partes íntimas e deram-lhe um cocar. Posteriormente, aconteceu o juramento e seu novo nome seria Anauê, que significa “você é meu irmão”.
    Daquele dia em diante, houve um marco na cultura dos Arawetés, um homem branco apaixonara-se por uma índia e assim ocorreria a primeira miscigenação cultural na ilha. Anauê aderira às práticas indígenas, por amor. Um amor que superou raça, diferenças e até mesmo, preconceitos.