sábado, 31 de maio de 2014

Ressignificando a aliança.


     Depois de muita relutância, resolvi me expressar sobre um assunto polêmico. Antes de mais nada, queria deixar claro que não estou considerando o significado religioso ou espiritual deste tema.
     A aliança surgiu no Egito e tinha como simbologia a cumplicidade entre os amantes, bem como o "infinito amor". A questão é: Qual é o valor real de uma aliança?
     Assim como o amor, hoje, o sentido das alianças está banalizado. Parece que a maioria dos casais pensam ser extremamente necessário o uso da aliança desde o início, mesmo que não haja um sentimento profundo ainda. E então, muitas vezes, o namoro acaba, durando pouquíssimo tempo e cada um faz o que quer com a tal aliança: jogam no lixo, devolvem ao outro ou até mesmo, oferecem-na ao próximo parceiro (a). Sem contar, as inúmeras brigas que a "falta" da aliança pode causar. Se você for tira-la por alguns segundos e o seu parceiro (a) te ver sem, já é um motivo de desconfiança.
     Atualmente, penso que a aliança está tendo o objetivo maior de "segurar", de demonstrar "posse", do que qualquer outro objetivo. O significado de amor verdadeiro, poucos conhecem, com aliança ou sem ela.
     Portanto, ao meu ver, a aliança não é assim tão indispensável em um namoro, se nele houver companheirismo, confiança, paixão e amor. O importante é o que se sente, sabendo que é recíproco; é a emoção em apenas estar ao lado da pessoa que se gosta e não a simbologia, em si, de um objeto.


sábado, 24 de maio de 2014

Repentinamente amiga.


     Chego resguardada, em um local temido. Rompendo com o meu medo e encarando uma nova etapa da vida. Mesmo assim, sigo retraída, em um mundo criado só pra mim.
     As pessoas tentam se aproximar e por mais que eu saiba a necessidade de criar laços para a minha manutenção naquele lugar, sigo isolada, com uma barreira de proteção.
     Sou diferente. Nunca quis ser o centro das atenções, sempre procurando ir contra a corrente, sendo como um vidro transparente. Não me importo em ser invisível e até preferia assim, contudo, alguém chegou e descobriu-me.
     Descobriu meu segredo e me senti desarmada. Não sabia a proporção que aquela descoberta poderia tomar, afinal só a conhecia há uma semana. Por mais que eu me escondesse, ela descobrira.
     Não havia saída, a não ser dar um voto de confiança, receoso, é claro. E a partir desse risco eu tive um grande presente. A partir de uma estrutura um tanto quanto frágil, edificou-se uma amizade forte.
     Existem pessoas, que não permanecem na nossa vida pra sempre, mas permanecem tempo o suficiente para muda-la e engrandecê-la. 

sábado, 17 de maio de 2014

Carcaça.


    Contempla a solidão em um quarto de hotel vazio. Caminha até o espelho e depara-se com o irreconhecível. Uma imagem desfigurada, calcada em carcaças, migalhas de quem um dia já foi valorizada.
    Abre a janela, mira a distância até o solo. Procura algum objeto, com o qual possa se auto-punir, mas assume a covardia. Somente consegue chegar até o banheiro, encostar a cabeça na parede e chorar copiosamente. Lágrimas doídas, vida ultrapassada.
    Enlouqueceria, se continuasse mais um segundo ali. Decidiu partir, sem rumo, sem ter pra onde, aceitando um papel de mera desconhecida. Desconhecida de si mesma. 

sábado, 10 de maio de 2014

Prazer Mortal.


      Como um pássaro de garras afiadas pousou sobre sua presa: cravando as unhas, rasgando o peito, arrancando o coração.
      Calor entre os corpos, movimentos selvagens, ânimos à flor da pele: prazer mortal.
      Gemidos, arranhões, mordidas, autodestruição. Tesão, êxtase, satisfação, gozo e por fim: a morte.

sábado, 3 de maio de 2014

Os limites da criatividade.


       A criatividade é a grande sacada do mundo da publicidade e propaganda atual.  Anúncios “mornos” ou comuns demais passam a não fazer mais o efeito esperado há muito tempo nos consumidores.
       Não vou entrar na questão de que somos manipulados, consumidores passivos e compulsivos, porque já é bastante clichê. Mas o que quero abordar aqui é: até que ponto essa criatividade anunciada pode ser positiva e negativa em nossa vida?
       Muitas vezes, compramos um produto não porque precisamos ou queremos, mas pela forma como ele nos é apresentado. É aquilo que nos encanta e, de maneira errônea, somos ludibriados. Como se voltássemos a deixar-nos reger pelos nossos instintos e assim, saciar nosso impulso/vontade de ter aquilo que é “bonito” aos olhos.  Às vezes podemos adquirir o produto apenas a troco de reconhecimento, como se por possuirmos aquela mercadoria chamativa possamos ter um status maior que os demais.
      Mas em contrapartida, como seria se essa criatividade não fosse explorada? Porque ao mesmo tempo em que ela é utilizada para nos incentivar a consumir, é utilizada também para beneficiar as empresas estabelecendo uma ordem, nesse caso ou até mesmo em pesquisas peculiares que podem desencadear descobertas inovadoras para a humanidade, em outros casos.
     Então, a criatividade fez-se necessária ao longo do tempo. É claro, devemos colocar numa balança os prós e contras, mas acredito que hoje, tenho uma visão mais positiva do que negativa, acerca deste tema. A criatividade surgiu no momento certo, quando tinha que surgir, e sim, produziu progressos.
     Contudo, ainda é extremamente importante que sejamos conscientes e flexíveis ao considerar algo criativo. Não podemos nos deixar enganar somente pelo que os olhos veem. Acredito que a criatividade está bem além disso. E no mesmo contexto, podemos ser criativos ao escolhermos o que comprar, o que consumir, ao analisar uma propaganda e etc.
     Portanto, celebremos a criatividade de maneira saudável, afinal, todos nós precisamos dela.