quinta-feira, 28 de março de 2013

[Parte 3] Ghost City.


Acelerou o carro e seguiu o caminho. Parou no vilarejo e pediu informação a uma anciã. A mulher indicou a entrada e lhe deu um estranho artefato: uma cruz central envolta por símbolos desconhecidos com seus respectivos nomes.
   Rafaela seguiu. Alguns metros à frente, seu carro parou, devido a uma cratera no meio da pista. Parecia ser uma subdivisão entre duas cidades. Dali em diante, ela teria que seguir sem o veículo.
   Atravessou a cratera, levando apenas sua caixa, uma lanterna, uma câmera fotográfica e a cruz que lhe deram. A escuridão era apavoradora. Não existia nada ali.
   Caminhou um pouco mais e ouviu badaladas. Procurou pelo relógio, mas não o encontrou de imediato. De repente no horizonte surgiu uma torre, na qual, o relógio marcava 00:00.
   Vultos começaram a surgir no escuro, passando próximo à Rafaela, um atrás do outro. A mulher sentia-se aterrorizada, pensava “Que decisão tomar? O que fazer?”
   Com a lanterna começou a iluminar os becos por onde andava, a fim de encontrar algo. Sua tática não surtiu efeito.
   Decidiu mudar sua estratégia. Pegou a câmera para capturar fotos e ter uma real percepção do que estava te amedrontando. Rafaela olhou a primeira foto e visualizou espectros fantasmagóricos e demoníacos. Soltou-a e em um impulso de desespero, correu, gritando incessantemente.
   Então, uma luz surgiu no céu, iluminando a caixa. Assim, a esperança retornou. Abriu-a e observou algumas folhas, que se assemelhavam a um livro. Começou a ler o que estava escrito em voz alta e a realizar um ritual de liberdade. Após pronunciar as palavras com toda a sua fé, apontou a cruz em direção ao céu, invocando os elementos da natureza. Um clarão iluminou Ghost City. Rafaela sentiu uma força enorme inundar seu ser, uma emoção tão incrível que fê-la cair desacordada no asfalto.
   Horas depois, estava amanhecendo. O sol batia sobre o rosto de Rafaela, despertando-a. Com muita dificuldade, ela abriu os olhos e procurou a caixa sagrada. Percebeu que seus pertences haviam desaparecido.
   Surpreendeu-se mirando ao seu redor. A cidade estava abarrotada de pessoas felizes, cantando, seguindo suas vidas normais. Aparentemente, sem entender a consequência do ato que realizara, buscou compreender o que estava acontecendo.
   Neste momento, a imagem de seus avós junto a seus pais se personificou no céu. Uma lágrima vitoriosa escorreu pela face de Rafaela. A profecia se cumprira e sua vida agora tinha todo o sentido.
  Discretamente, Rafaela saiu do local, atravessou a cratera e dirigiu, voltando para a cidade de origem. Entrou em sua casa, com a certeza de que agora, tudo iria mudar.



[Parte 1]
[Parte 2]

sábado, 23 de março de 2013

Discrepância.


   Em 22 de Março, comemoramos o Dia Mundial da água. Mas será mesmo que esta data é para ser comemorada? Enquanto tantos possuem piscina em suas residências, lavam carros com frequência e abusam deste recurso hídrico, outros já não possuem água potável, sofrem com a falta da mesma, tomam banho em rios contaminados, alimentam-se sem o uso da água e até perdem a vida.  
    Estima-se que 3,5 milhões de pessoas morrem no mundo, ora devido à desidratação, ora devido às doenças ligadas à falta de água potável e de rede de esgoto. Já em outros locais, ocorre o desperdício, como relatado no Jornal Nacional de ontem, devido aos vazamentos.
    Desde que as comunidades familiares foram divididas em classes sociais, em razão da ambição humana, a desigualdade entre ricos e pobres tornou-se o problema da sociedade. E é esta a discrepância que assola o mundo contemporâneo.
     A resolução de tal problema é escondida pelo governo, e os pequenos continuam à míngua, sem serem realmente assistidos. Embora, existam campanhas para a preservação de água, ainda assim, a situação continua precária.
     É  preciso maior investimento neste tipo de recurso, que é básico, primário e essencial para a manutenção da vida humana. É preciso minimizar essa concentração de renda na mão de poucos, que usufruem do excesso, o qual devia ser destinado aos menos favorecidos. É preciso conscientizar a população. E acima de tudo, é preciso somar forças e reagir!
 

sábado, 16 de março de 2013

Rumo ao fim.

 

      Semana passada, se desdobraram dois fatos catastróficos em nossa pátria ‘tão’ amada. Perante a estes acontecimentos, resolvi não me calar e revelar a minha indignação. 
      O pastor Marcos Feliciano, uma pessoa preconceituosa e racista assumiu a cadeira dos direitos humanos. É tão irônico, não? Um homem que se diz seguidor de Deus irá liderar uma comissão que segundo a constituição deveria proteger e assegurar os direitos de todos e principalmente de uma minoria que é julgada, desfavorecida  e tida como ‘inferior’.
      É esse ser (des)umano que será designado para as causas dos negros discriminados, dos índios excluídos, das mulheres violentadas e dos homossexuais perseguidos. Agora, me diz, aonde isso vai parar?
      Sinceramente, não podemos ficar omissos. Não podemos parar agora e depois lamentar as consequências. Cabe a nós, protestar. Pois é o povo que tem o direito de derrubar, alguém que não é aceito pela vontade geral. Apenas desta maneira, exerceremos a verdadeira democracia.
      Além desta barbaridade, ressalto a decisão do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, em retirar as disciplinas de Ciências, História e Geografia do primeiro ao terceiro ano, além de diminuir os estudos do quarto e quinto anos nessas matérias, nas escolas de período integral.
      Mais uma vez, observamos que o papel no qual estão escritos os nossos direitos constitucionais  é apenas simbólico, pois na prática nada se aplica.
     De fato, se antes já era uma vergonha o ensino público brasileiro, agora então, este irá se resumir à formação de crianças sem contato com a verdadeira e sofrida realidade exterior que as cerca.
     Sim, formarão “cidadãos” que por serem alfabetizados podem votar, contudo, sem nenhuma visão de mundo, sem conhecimento sobre a nossa história, isto é, uma massa que será mais fácil de ser submissa.
     Finalizando, é este o nosso Brasil, um país de tolos.
 

domingo, 10 de março de 2013

Reconhecimento.


Bom, galera, ganhei dois Memes instigantes do blog Nidus de Charta e então estou aqui para realiza-los. Antes de mais nada, queria agradecer à Raehli, por ter lembrado do meu blog, o que me surpreendeu bastante (além de me deixar feliz, é claro).

Enfim, sem mais delongas, as regras são as seguintes:


- Responder à pergunta: Qual livro você indicaria para uma pessoa começar a ler?

Sem sombra de dúvidas, “A Elegância do Ouriço” de Muriel Barbery. Creio que não seja um livro tão conhecido e até mesmo que seja para poucos, pois ao meu ver é extremamente filosófico e rebuscado. Recomendo que leiam com um dicionário ao lado, para evita problemas de interpretação. É um livro que elucida fortes ideais e que propõe uma realidade peculiar a partir de críticas à nossa “querida” sociedade decadente.


“A história gira em torno de duas personagens principais, que vivem em um prédio elegante no número 7 da Rue de Grenelle, na França: Renée, a zeladora baixinha, gorda, feia, ensimesmada, mas que esconde uma alma inteligente e culta, e Paloma, a caçula da família Josse, uma menina de 12 anos, quieta, sensível e sagaz, mas que por não ver sentido na vida decide colocar um fim nela ao completar  13 anos. No prédio vivem outros personagens, mas a rotina começa a ser alterada com a chegada de um novo morador, um japonês de nome Kakuro Ozu.”
                                                                                                Por Companhia das Letras.

Indicar 10 blogs para fazer o Meme:
 
A garota sem parafusoALACAZAAMArquivos utópicos, Expectativas reais, Infinita liberdade, Mensagem efêmera, Wink. (Escolhi os meus preferidos, então indiquei 7.)

Avisar os blogs que você indicou e colocar a imagem no seu blog para apoiar a campanha.


Segundo Meme:

 
As regras são as seguintes:
 
- Citar o nome e o link de quem te enviou: Raehli
 
- Indicar 2 livros que leu em 2012 e gostou: 
Sussurro (Hush, Hush)  de Becca Fitzpatrick
O Caçador de Pipas de Khaled Hosseini
 
- Listar 3 livros que gostaria de ler em 2013: 
O Mundo de Sofia de Jostein Gaarder
A Menina que Roubava Livros de Markuz Zusak
O Menino do Pijama Listrado de John Boyne
 
- Oferecer o selo para 10 outros blogs e avisá-los. 
Escolherei os meus 7 favoritos, novamente.

Obs: Queria ressaltar a importância da leitura na nossa vida. Como já destaquei em outro post, eu tinha uma dificuldade para ler e um interesse não tão grande também. Durante estas férias, decidi me dedicar aos livros e percebi o quão mágico é. Bem, estou dividindo minha experiência com vocês, porque sinto que cresci nesse aspecto e pretendo continuar em meio ao caminho da leitura.


sábado, 9 de março de 2013

[Parte 2] Ghost City.


     Chegando ao seu destino, encontrou um velho baixo, negro e com uma enorme barba branca. Ele a avistou e disse:
     - Estava esperando por você, minha filha.
     - Mas, como? Eu nunca o vi antes e não contei a ninguém que viria – respondeu Rafaela, preocupada.
     - Há muito tempo, eu já te espero. Sente-se, preciso mostrar a sua missão.
     - Missão? - Perguntava, ainda mais assustada.
     O velho, pegou um mapa, no qual havia uma cidade em destaque. Localizava-se a 300 km do local. Apontou para o mapa e disse a Rafaela: - Filha, desde o seu nascimento existe um propósito para ti. A sua vinda ao mundo, renovou as esperanças das poucas pessoas que ainda vivem nessa pequena cidade: Ghost City. Seus avós morreram na luta pela salvação deles. Seus pais quiseram te manter longe deste assunto, por isso a deixaram. Mas você, pode escolher seguir o seu destino ou abrir mão dele...
    - E qual é o meu destino? - Interrompeu
    - Seu destino, é libertar aquela cidade dos fantasmas. Só você possui este dom. Só você pode enxergar além da realidade. No entanto, esta é uma missão complicada, que pode custar até mesmo a sua própria vida.
    Rafaela há muito, já não vivia. Sentia-se apenas mais um corpo que existia no espaço. Olhava para trás e desconhecia seu passado. Não encontrava nada que fora construído por ela. Não tinha família, namorado, amigos. Para ela, perder a vida, não seria um sacrifício, mas sim, uma oportunidade de realizar algo memorável em sua vida inútil.
    Logo respondeu: - É o meu desejo estar lá. Sinto como se algo ou alguém clamasse pela minha ida. Eu preciso. Diga-me o que devo fazer, senhor.
    - Percorra a estrada de chão até chegar a um vilarejo. Lá eles te informarão onde se encontra a entrada da cidade. Enviarei um espírito protetor para caminhar contigo. Ele te guiará pela escuridão.
    Rafaela saiu apressada, sem sequer lembrar-se de agradecer o velho. Passou em sua casa, arrumou algumas roupas em sua mala e pegou sua caixa sagrada. Antes de deixa-la, sua mãe, avisou que a filha abriria a caixa no momento certo. Rafaela atendeu ao pedido da mãe e deixou-a fechada durante todos os seus anos. Mas pressentiu que ia precisar do que estava dentro dela, durante a sua missão.


[Parte 1]

sábado, 2 de março de 2013

[Parte 1] Ghost City.

 
 
    Rafaela acordara novamente, aos gritos, no meio da noite. Colocou a mão no peito e sentiu um torpor inexplicável. Levantou-se da cama rapidamente e se direcionou até à cozinha. Agarrou uma taça e encheu-a com vinho. Quando mirou-a, se assustou ao perceber que o líquido tinha o aspecto de puro sangue. Segurou fortemente a taça até que parte dela se quebrou, cortando sua pele. Rafaela, usando seu instinto, jogou-a no chão, estilhaçando-a.
    Derrotada dobrou os joelhos no assoalho. Relembrou a sua infância, em que sempre caía ao chão, nas madrugadas daquele lar infantil. Tinha pesadelos, desde essa época. Ninguém a socorria, continuava só. Por isso, decidiu se isolar do mundo e viver ao lado da solidão, afinal ela já se acostumara com a sua companhia.  
    Era uma criança considerada estranha, pelos demais. Ouvia vozes, vultos, luzes, que os demais não percebiam. Os cuidadores levaram-na em psicólogos e psiquiatras, alegando que ela estivesse com algum distúrbio mental.  Mas nada foi constatado.
    Rafaela sempre ficava perdida, devido a esta situação. Apenas tentava pensar, que o seu dom fosse passar, porém, não passou. Na manhã seguinte, estava determinada a buscar o auxílio de um espírita que circundava a região.
   O despertador apitou às 7:00. Rafaela, com muito sono em razão da noite turbulenta, adormeceu mais 5 minutinhos, até que um pesadelo a acordou. Após levantar-se, procurou alguma roupa apropriada para o momento. Vestiu uma regata branca, uma calça jeans e seu All Star desbotado.