quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O mito dos 18.


     Que adolescente nunca quis chegar nessa idade? Dizem que anseiam logo pelos 18, para serem donos do teu próprio nariz, saírem para festas sem ter hora pra voltar, beberem com os amigos, mas não pensam a respeito do peso das responsabilidades que estão por vir.
     Os adultos desejam voltar ao tempo dos 18, os adolescentes querem chegar rapidamente em tal idade e as crianças logo querem ser adolescentes. Ou seja, nunca estamos satisfeitos com o momento que a vida nos proporciona. Em certa aula de Psicologia, ouvi que os seres humanos não aproveitam o presente, apenas vivem reflexões do passado ou projeções do futuro. Mas este é um assunto, para outro post.
     Neste dia, 27 de Setembro, completei meu tão 'sonhado' 1.8. Sim, eu sonhava com este fato quando mais nova, para ter aquele ar de superioridade e soletrar 'eu sou de maior'.
     Pois bem, parei para refletir e percebi os pós e contras desta idade. Ao meu ver, existem mais pontos negativos que positivos. Sou uma adulta que agora quer voltar à época de criança, contudo vejo que o dever está cada vez mais próximo.
     Perante a lei, consideram-me finalmente uma cidadã importante, afinal pela primeira vez, preciso votar e eleger mais um corrupto para o cargo de prefeito da minha cidade. Além disso, recebo o ônus dos meus atos, se infringir a lei.
     Outro aspecto importante é a independência, a prática da escolha segundo seus próprios pensamentos, sem levar em conta o que os demais acham. No começo, parecemos até um pouco topetudos, em tal aspecto. Porém não pense que gosto desta parte. É a fase em que cairei excessivamente a aprenderei com os erros, sozinha.
     Se eu pudesse, escolheria embalar-me nos braços de meus pais e ser protegida o tempo todo. Mas uma hora, a ruptura precisa acontecer.
     É a idade em que se exige trabalhar, em que querem que você tenha algum tipo de perspectiva futura, a fim de progredir e construir seu patrimônio. É quando se tem mais 'cabeça' para namorar. Quando se reafirma seus valores e encontra sua personalidade.
    Enfim, é uma idade de grande controvérsia, de andar sobre os próprios pés, sonhar, cair, levantar e caminhar rumo à felicidade.

 

terça-feira, 25 de setembro de 2012

[Parte 3] Navegando em outros mares.





   No dia seguinte, o sol estava nascendo quando o acordaram para caçar. Os hábitos indígenas iniciavam-se cedo. Marcos acordou na marra, cheio de sono e com aquele jeito ranzinza, pior do que costumava ser. Abaixou-se e capturou o arco e flecha que estava no chão. Colocou-os nas costas e seguiu a tribo.
   No meio do caminho, todos se separaram a fim de obterem mais alimento, em menos tempo. Marcos estava perdido e ansiava para que sua função acabasse logo. Encostou-se em uma árvore para descansar e acabou tirando um cochilo. Minutos mais tarde, ouviu um som e despertou assustado. Procurava a origem de tal barulho ensurdecedor. 
   Olhava ao redor, com uma sensação arredia, até que o som pareceu estar se aproximando do lugar onde ele se encontrava. Virou para trás e deparou-se com uma fera de presas enormes. Nunca havia visto um animal tão imenso e selvagem. O leopardo rugia ferozmente e começava a se direcionar ao homem. Marcos não conseguia se mover e estava aflito com tal situação. Não pensava em nada, então decidiu não correr.           Enquanto o animal se aproximava lentamente, o homem branco lembrou-se de sua arma e embora não soubesse manuseá-la com precisão, era a única saída que lhe restara.
   Posicionou o arco e a flecha, atirando contra o corpo do leopardo. O selvagem soltou um rugido ainda mais forte, afastando-se.
   Após a fuga do animal, Marcos pegou algumas folhas da região e seguiu para a oca.
   Ao reaparecer, encontrou a tribo arrasada, pois foram atacados por inimigos da ilha vizinha. Então, não tinham mais nada. Marcos ofereceu o que conquistara, sendo bem visto pelo grupo. 

[Parte 1]
[Parte 2]

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Blogagem Coletiva - Top 10 personagens do cinema.

1. Jigsaw – Tobin Bell
Jigsaw é um serial killer do horror ‘Jogos Mortais’.  Embora seja egoísta e injusto, é de uma inteligência indiscutível, além de possuir um olhar maquiavélico.  Aprendeu a valorizar a sua vida e luta contra um câncer terminal. Inicia seus jogos com intuito de cobrar do próximo a valorização da vida.





2. V – Hugo Weaving
V é o protagonista da trama ‘V de Vingança’, um clássico do cinema.  V esconde-se atrás de uma máscara e encontra o seu mundo de escuridão. É um grande revolucionário que não mede esforços para alcançar sua justiça com as próprias mãos.




3. Florence Cathcart – Rebecca Hall
É a personagem da película ‘O Despertar’. Florence é uma mulher que se tornou cética e incrédula após a perda de seu namorado. Ao longo da trama, Florence descobre verdades reveladoras, as quais, mudam a sua visão de mundo para uma nova perspectiva.







4. Babydoll – Emily Browning
Personagem da ficção ‘Sucker Punch’. É uma adolescente traumatizada, devido aos atos do padrasto, que assassinou a sua irmã. Babydoll é levada a uma casa de repouso, onde cria um mundo fantasioso, para conseguir forças e escapar do local.







5. Fantasma – Gerard Butler
Protagonista de ‘O Fantasma da Ópera’.  O Fantasma é rodeado por marcas de um passado assustador. Sua voz ora suave, ora agressiva denota os sentimentos à flor da pele do personagem.





6. Linda Schell – Sandra Bullock
A mãe de Oskar tem sua participação relativamente apagada ao longo do drama 'Tão forte, tão perto', devido a uma depressão causada pela morte de seu marido no Ataque às Torre Gêmeas, em  11 de Setembro. Contudo, no fim do longa, a personagem surpreende ao mostrar que estava sempre seguindo os passos do filho.



7. Josh Lambert – Patrick Wilson
Protagonista do suspense ‘Sobrenatural ( Insidious)’ .  Josh precisa superar seus maiores medos a fim de salvar o filho. Para isso, ele viaja à outra dimensão em sua mente, para encontrar Dalton Lambert novamente.







8. Teddy Daniels – Leonardo Dicaprio
Personagem do filme ‘Ilha do Medo’. Teddy é um suposto detetive que está à beira do abismo da loucura. Teddy possui uma alteração psíquica. É intrigante e perverso.






 9. Gerry Kennedy – Gerard Butler
Protagonista do romance ‘Ps: Eu te amo’. Gerry é completamente apaixonado por sua mulher, Holly. O casal encontra-se em uma verdadeira e eterna história de amor, que supera até mesmo à morte.








10. Leigh Anne Tuohy – Sandra Bullock
Personagem do drama ‘Um sonho possível’. Leigh é uma mulher e esposa ideal  que encontra um jovem com problemas e resolve ajuda-lo. Os dois constroem juntos, um laço afetivo. 






terça-feira, 18 de setembro de 2012

[Parte 2] Navegando em outros mares.



    Um indígena chamado Piatã conversava em Tupi Guarani com o Pajé da tribo. A tribo Araweté estava na região há 10 anos e contava com 15 integrantes. Na época que conquistaram a ilha, havia 70 deles, contudo, ocorreu um genocídio.
    Entre os índios, um se destacava. Marcos olhava-o assustado. Ele era negro e não tinha as características físicas dos demais, apenas usava os mesmos trajes e tinha pinturas pela pele. O pajé chamou-o e ele seguiu na direção de Marcos. Começou a falar português e ele logo entendeu que Boyrá não havia nascido naquela tribo. 
    - O que um branco está fazendo em nosso território?
    - O que um negro está fazendo em uma tribo indígena?
    - Não sou eu, o prisioneiro. Sou índio e aqui é o meu lugar, agora. Para manter-se vivo, respeite-nos ou não teremos outra saída.
    - Você poderia estar por aí, navegando nos mares, conhecendo tecnologia e permanece neste atraso. O que o faz permanecer aqui?
    - Cale-se! Já basta. Serás entregue ao pajé e ele fará com você, homem branco, o que fizeram com a nossa tribo.
    - Não, por favor! Sou corajoso demais, para morrer aqui e assim. Enfrentei tempestades e mares revoltosos. Dê-me uma chance de viver.
    - Sua coragem não é voltada para o bem ao próximo, homem branco. Se assim fosse, observaria nossa cultura como parte da sua, pois desde muito tempo, vocês sugaram os hábitos indígenas.
    O diálogo interrompeu-se quando o Pajé aproximou-se do condenado com um enorme tacape em sua mão. Os olhos de Marcos se arregalaram e ele engoliu seco. A única alternativa que ecoava em sua mente, era implorar pela vida. E foi o que ele fez.
   Após o ranger de dentes do cativo, Boyrá decidiu propor-lhe uma alternativa: 
   - Ou você aprende a viver em nossa aldeia ou é atirado ao mar e será encantado pelas sereias que o levarão para o fundo, onde existe escuridão.
   Marcos balançou a cabeça positivamente. Ele sabia do que estava por vir, mas não tinha outra saída. Boyrá o desamarrou do tronco e lhe entregou uma machadinha de pedra.
   O homem não entendeu o que o aborígine queria dizer, mas o acompanhou, se embrenhando na floresta.
Boyrá subiu em um coqueiro e retirou o fruto, arremessando-o nos braços de Marcos. Por sua vez, o homem branco, começou a quebrá-los, afinal estava com sede e fome. Marcos tomou um gole da água de côco, porém foi surpreendido pelo seu guia:
   - Isto não é para você. Os mais velhos da tribo possuem preferência na comida e bebida. Jovens se alimentam de sementes que encontram pelo caminho. Comece a procurá-las.
   O tom rígido da voz de Boyrá incomodava o homem branco, aliado ao ronco de seu estômago e à sua boca seca. Sentiu sua visão falhar e a última coisa que ouviu foi o barulho das árvores balançando.
   Acordou com água que jogaram em seu rosto. Colocaram-no de pé e disseram-lhe:
   - Aqui é preciso aprender a dividir e respeitar o direito do outro. Se os anciãos não tivessem se alimentado, com certeza não sobreviveriam, mas você, como jovem e forte que é, teve apenas uma recaída.
   Para Marcos, tudo aquilo se transformou em uma tortura. A única hora que ele poderia esquecer de seu sofrimento, era à noite, ao deitar em uma cama. Mas não. Não era como ele imaginava. A oca era fria e deitava-se sobre uma construção de palha e madeira, produzida pelos próprios indígenas. Por ser um branco, concretizava-se a maior das humilhações.

[Parte 1]

terça-feira, 11 de setembro de 2012

[Parte 1] Navegando em outros mares.


   Marcos estava sentado em uma ponte, em frente ao Mar. Refletia sobre sua vida, enquanto preparava o seu barco para partir. Encostou os pés na água, sentiu a maresia e visou o horizonte, naquele fim de tarde, chuvoso. O céu estava acinzentado, contudo o homem de 25 anos era combatente e já havia enfrentado inúmeras tempestades. Sua arrogância era conhecida por todos, no litoral. Gostava de viajar sozinho e não admitia que alguém o acompanhasse. Era preconceituoso e egocêntrico. Vivia em um mundo, onde ele mesmo inventara.
   Por fim, desamarrou a corda do barco e iniciou sua jornada. Desde criança, aprendera com seu pai, a ser um bom marinheiro. Apesar de sua prepotência, era um ótimo navegante.
   As águas o levariam para novas terras para a exploração de ouro. Marcos resolveu dormir um pouco, pois a viagem era longa e cansativa. Direcionou o barco para o Norte, guiado por sua bússola.
   Deitou-se sobre o banco e sonhou, até ser interrompido por gotas de água em sua face.
   Levantou-se e percebeu que uma grande chuva, estava por vir. Preparou o Delfim (como chamava carinhosamente, o seu barco) para a tempestade. Tomou todas as medidas necessárias para tentar protegê-lo. Porém foi em vão. Horas depois o mar estava extremamente agitado e Marcos amedrontado com toda aquela situação.
   Avistou uma pequena faixa de terra próxima e então resolveu mudar sua rota, a fim de não correr riscos. Chegou ao local, amarrou o Delfim e desembarcou.
   Estava com muita fome e cansado. Perdera seus mantimentos, durante o pseudo náufrago de seu barco.
Desencontrou-se na mata, buscando uma trilha. Observou algo se mover. Antes que Marcos pudesse descobrir o que havia no lugar, acertaram-lhe com uma zarabatana. Ele sentiu uma dor imensa e acabou desmaiando.
   Quando abriu os olhos novamente, estava amarrado e algumas pedras eram batidas em sua cabeça. Mirou uma figura peculiar, diferente de tudo que já tinha visto. Em pleno século 21, não acreditava estar mirando um índio na sua frente. E ele se lamentava: “Mas será que os brancos não deram conta do recado? Pensei que todos estes indígenas atrasados tivessem morrido!”


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Blogagem Coletiva - 4 fatos históricos que gostaria de ter presenciado.


1. Fim da Ditadura Militar.
  Entende-se como o regime militar no Brasil, que perdurou de 1964, com o golpe militar, até 1985, com a eleição de Tancredo Neves. Sempre que me perguntam sobre a atualidade, eu digo que não sou deste século. Queria ter nascido anos antes da Ditadura Militar, para poder reivindicar os direitos civis, durante este período. Contudo, quando penso na gravidade da repressão em 1964, concluo que não seria capaz de fazê-lo. Por isso, escolhi o ‘Fim’ da ditadura.


2. Festival de Woodstock.
 O festival marcou o século XX, com a luta da contra-cultura e do movimento hippie. Despertou ideais nos jovens, para que batalhassem pelo que ansiavam.  Além disso, pode-se caracterizá-lo como uma ‘revolta’ em oposição ao modelo arcaico vigente na época. Ainda hoje, é importante perceber a perpetuação dos Hippies (embora sejam poucos), desde o Festival. Enfim, seria um sonho participar de um fato histórico como este, assim como a nossa Tropicália. (Só não a coloquei aqui, pois são apenas 4 marcos, mas decidi citá-la).



3. Impeachment.
 O movimento dos Caras-Pintadas é um ícone para história deste país. Um dos únicos momentos em que não assistiram à corrupção de maneira passiva. Em 1991/92 os brasileiros saíram às ruas, protestando contra os esquemas de corrupção e exigindo a queda do Governo Collor.


4. Revolução Cubana.
  O pensamento revolucionário do século XIX desencadeou na chamada Revolução Cubana, liderada por Fidel Castro aliado a Che Guevara. O objetivo era depor Fulgêncio Batista do poder e proporcionar medidas comunistas para a nação. Sem sombra de dúvidas, é o meu fato histórico preferido. Embora eu saiba que o Comunismo consagrou-se como uma ideologia utópica. Talvez há muitos anos atrás, no princípio, o homem pudesse se adequar a tal política.



Blogagem coletiva realizada pelo Blog "Café entre Amigos". 
www.cafeentreamigos.com

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Marcas evidentes.


      Sentia o calor das labaredas encontrar o meu corpo. Visualizava aquelas flamas ardentes há algum tempo. Ouvi o sino da Igreja tocar, eram 18h. Passei a tarde inteira ali, imóvel. Mal reconhecia os demais lugares de minha casa, havia me acostumado com aquele em particular: a lareira.
Mantinha o meu interior congelado com inúmeros cristais. Talvez se permanecesse em frente a todo aquele    fogo, algo poderia mudar. Contudo, após várias horas, percebi que não haveria solução.
     Cansei-me de esperar. Levantei-me e cheguei rapidamente ao quarto. Encontrava-me despida, olhava o meu corpo nu e tentava descobrir o motivo de tanta rejeição. Estava sem perspectiva alguma. Mirei para o chão e me comparei ao nada. Mantive os olhos amedrontados voltados para baixo, enquanto o meu corpo começava a ficar estafado. Estafado como o meu coração, que há muito tempo, havia se perdido.
     Decidi encarar minha imagem novamente. Desviei o olhar e observei uma segunda imagem, que me causou um enorme espanto. A garota ao meu lado, parecia estar presa no espelho. Estava sufocada e implorava incessantemente para que aquele vidro se rompesse. Ao perceber a agonia da menina, desejei tentar salvá-la. Peguei o bastão de madeira que estava jogado no canto do meu guarda-roupa e estilhacei o tal espelho, a fim de libertá-la. Em meio a tantos pedaços de vidraria, compreendi que ela já não estava mais lá. Desaparecera.
     Senti o gosto salgado de minha lágrima, permear os meus lábios. Busquei um vestido branco de linho e cobri meu corpo. Sentei na cama por alguns seguidos. Posteriormente, segui para a minha velha lareira, contudo não a localizei. Franzi a testa, e esforcei-me para entender o que estava acontecendo, afinal, era uma grande confusão.
     Até que voltei à realidade. Reparei que o fogo, efeito da minha imaginação, significava uma tentativa inalcançável de recuperar o verdadeiro sentido do meu ser, a melhor parte de mim.
     Embora, estivesse com uma aparência chicoteada pelas quedas e frustrações da vida, a minha essência ainda permanecia ali. Agora, eu podia olhar para dentro e detectar a minha alma. Notei que não era nada do que eles exigiam, mas era tudo o que queria ser. Seria fruto de um orgulho próprio e transformaria os não’s dos outros em um sim, para o meu ego.