quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Devaneios.


   E este sabor insosso que se impregna em meus lábios, transformando o meu hálito, minha mente, meu corpo. É o sabor do desfrute. Desfrute de viver na ilusão e gostar de tal fato. Desfrute de não querer abrir os olhos e permanecer no anonimato. Desfrute de impulsionar os meus atos. Desfrute de me esconder e mesmo assim, ser encontrada. Encontrada por um sentimento puro, mas irreal. Ainda assim, é um sentimento. Ainda assim, causa-me borboletas no estômago e proporciona ânsias em minha caminhada. Ânsia de ser feliz, de transformar a insegurança em amor. Amor de si próprio e do outro. Preciso ser amada, para me amar.
   Portanto, pretendo continuar jogando neste escuro, onde me amam pelo que sou e não pelo que desejam que eu fosse. Que tal voltar ao meu mundo? Que tal cambiar o caminho? De volta, às minhas fantasias que outrora despertaram o meu aguçado prazer. De volta, ao passado, aquele que não está mais carregado de cinzas angustiadas, mas sim, preenchido de lembranças inocentes e voláteis. Oh, querida inocência, quero-a no presente. Já! Agora!
   Desmontando as verdades que descobri, para me atrelar a uma ficção. Ficção que traz o gozo e a sede. Sede de alegria, afeto, novidades. Tudo novo de novo. O velho que trouxe o novo. A antiga casa, a qual, sempre me pertencerá. Talvez em sonho, talvez em vida. Naquele lugar, onde estou pronta a arriscar. Onde descobri a sentido da palavra ‘amar’.




terça-feira, 28 de agosto de 2012

27 de Agosto - Dia do Psicólogo.


   A Psicologia tornou-se uma ciência a partir do século XIX, após romper com a Filosofia, que a influenciou bastante. Em um contexto histórico, bastante ambivalente onde ora Deus estava no centro do mundo e ora o Homem é que estava no centro, a Psicologia foi fundamental no Mundo Moderno, para que o pensamento se consolidasse racionalmente.
  A Psicologia tem como objetivo estudar a mente e o comportamento humano, ou seja, a relação do meio com o indivíduo em todos os seus âmbitos.
  Quando houve a emergência desta ciência, ocorreu um repúdio da sociedade arcaica. É fato que ainda hoje, as pessoas possuem um pensamento ultrapassado, porém com a regulamentação da profissão do Psicólogo em 1962, a visão do sujeito começou a mudar.
  Atualmente a Psicologia é bem aceita pela maior parte da população e em tempos de globalização, indústria e do Homo Faber, as psicopatologias encontram-se cada vez mais evidentes. O desenvolvimento tecnológico aliena o homem e promove a sua regressão. 
   A pressão que o mundo exerce sobre o indivíduo, principalmente na execução de suas tarefas, demonstra que a inserção do Psicólogo na comunidade, é cada vez mais necessária.
  Particularmente, penso que a Psicologia será uma das profissões do futuro, mesmo que alguns ainda neguem a ida ao consultório, por achar que seus problemas/dores não serão amenizados a partir da fala.
  Desde 2010, quando ingressei no Ensino Médio, algo me despertou uma paixão pela Psi. Até hoje, não tenho consciência do fato que me fez decidir por esta profissão, contudo, talvez o meu inconsciente estivesse gritando mais alto. Apesar de todas as críticas sobre o salário, sobre a possível loucura/transtornos e também sobre a dificuldade de campos de trabalho, nada me desanimou. Era a minha meta e agora transformou-se em um sonho.
  Sinto orgulho em participar da ‘Família Psi’ e hoje quero parabenizar a todos os Psicólogos vigentes que desempenham com enorme maestria suas funções.
  A Psicologia é uma profissão nobre que auxilia o homem a sanar suas dúvidas.


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Os selvagens vão invadir as suas casas!


   Em uma conversa com Reinaldo Del Trejo, do blog Mente Aberta, tive o primeiro contato com a banda “Selvagens à Procura de Lei.” O nome ‘selvagens’ causou-me uma certa estranheza, mas também, proporcionou-me curiosidade e impacto. Pois bem, após ouvir algumas músicas, resolvi pesquisar sobre os caras.
   Selvagens à procura de lei é uma banda de rock formada por quatro integrantes: Gabriel, Nicholas, Caio e Rafael. Lançaram um álbum e dois EP’s, além de ser atração em bares e shows com o seu som peculiar. Os integrantes participaram do Planeta Terra Festival em 2011, um evento musical típico de São Paulo. Recentemente, Dinho Ouro Preto – Capital Inicial, divulgou o trabalho dos selvagens em um programa da MTV, trazendo muitos elogios e ocasionando vários acessos no Youtube.
   Confesso que há um bom tempo, deixei pra trás as bandas nacionais do século 21. Particularmente sinto que as mesmas, são incomparáveis (salvo algumas exceções) em relação aos grandes ídolos da década de 70/80: Raul Seixas, Barão Vermelho, Legião Urbana, Capital Inicial, entre outros.
   Contudo, para a minha surpresa, os selvagens me conquistaram. O som é incrível e as letras são diferenciadas/inteligentes. Há canções de críticas sociais que me agradaram e me levaram à reflexão de que o rock brasileiro um dia voltará ao ápice de antigamente. Outras, já abordam temas de amor, no entanto, eles abandonam o clichê e exploram a intensidade, assim como, os solos de guitarra no início das músicas, os quais, revivem um verdadeiro rock.
   Mesmo com todo o meu êxtase diante de um projeto como este, ainda paro e penso: “Como uma música sem nenhum nexo garante mais sucesso que eles?” Talvez a maioria dos brasileiros escolha alienar-se ao invés de apreciar canções culturais.
   Por fim, descobri que o título da banda é bem sugestivo e sinto que ouvirei falar muito sobre eles, daqui alguns anos.
   Então, galera, resolvi compartilhar a minha opinião com vocês e convidá-los a escutar o grupo. Espero que gostem!

Segue o site oficial da bandahttp://sapdl.com/


sábado, 18 de agosto de 2012

Playground.


   Um homem levara sua filha ao playground, após muita insistência da garota de 5 anos. Devido ao amor que sentia por aquela pequena criatura, resolveu confrontar seu trauma e encarar o tão temido parque dos horrores.
   Ao entrar no local, segurou firmemente a mão de Stella, embora a menina rebelde quisesse escapar e correr para os brinquedos. Sua respiração ficava ofegante e o suor descia por entre suas ventas. Seu comportamento assemelhava-se a uma criança que teria a sua primeira passagem por um carrossel. O frio na barriga, começou a incomodá-lo, enquanto a filha subia no cavalinho colorido com um sorriso estampado no rosto. 
   Sua mente tentava bloquear certos pensamentos, contudo foi em vão. Rogério lembrou-se daquela primavera de 1988. Com apenas 10 anos, sentia-se o mais forte de todos os homenzinhos do vilarejo, onde vivia. Certo dia, seus amigos convidaram-lhe para subir na roda gigante. O menino conhecido por destemido e corajoso, observou que o seu interior, pedia para que ele não entrasse nessa aventura, afinal pela primeira vez, sentira medo, muito medo. Rogério tentou desconversar, ir para outro lugar, porém os pivetes insistiam e zombavam do pequeno, chamando-o de ‘marica’.
   Aquele apelido pejorativo ecoava na mente de Rogério, até os dias atuais. Nunca mais fora em um parque e agora teria que encará-lo. Rogério perdeu-se no tempo, até que Stella agarrou-se à barra de sua calça e o gritava incessantemente: ‘Papai, papai, vamos andar na roda gigante comigo?’
   Quando ouviu, tal pedido, suspirou fundo e engoliu seco. Suas pupilas se dilatavam à medida que a fila esvaziava. Sua vez estava chegando e não podia negar um pedido à sua pequena amada.
   Embora soubesse que já estava na hora de esquecer o passado, não conseguia. Stella entregou os dois tickets para o cobrador, enquanto seu pai permanecia atônito. Rogério entrou no banco e continuava estático. A menina observava a vista da cidade, que era bastante bela e privilegiada, enquanto teu pai, apenas voltava há alguns anos atrás.
   Quando o banco oscilava no alto, o homem sentiu que tudo havia parado e abriu um riso tímido e confuso. Refletia sobre o quão intrigante era a vida. Enfim, percebeu que ao longo de sua caminhada, sempre existiam altos e baixos, como em uma roda-gigante. Ao mesmo tempo em que ele se encontrava no ápice da roda, outros encontravam-se lá embaixo. Rogério percebia a lógica do passado. Acreditava que o seu rompimento com o mundo antigo, poderia libertá-lo. Sua vez no brinquedo seria passageira, tal qual seus receios internalizados.



sábado, 11 de agosto de 2012

O cúmulo da desumanidade.



   O que você faria se estivesse em um posto de saúde e observasse um paciente ser arrastado pelo corredor? Parece irreal, não é mesmo? Mas foi o que ocorreu, neste dia 10, no Cais (Centro de Assistência Integral à Saúde) de Goiânia.
   O homem estava passando mal e desmaiou, esperando atendimento no local. Um policial (se é, que podemos denominá-lo ‘policial’) segurou nos braços do paciente que estava caído e o arrastou até uma sala, onde o deixou jogado ao chão, saindo do ambiente. As pessoas olhavam perplexas àquela cena, no entanto, o tal policial não se importava com aquilo, acredito que para ele, estava tudo sendo realizado da maneira correta. Um jovem que estava no hospital, gravou as imagens no celular e denunciou o ato de agressão cometido por aquele ser.
   Conscientizei-me do fato, esta manhã, ao assisti-lo em um jornal televisivo. Confesso que ao me deparar com aquelas imagens, a minha repulsa foi tamanha que senti um nó no estômago e os meus olhos começaram a lacrimejar. Eu juro que não podia acreditar no que estava diante de mim e sinceramente a minha indignação está muito além do que essas palavras encontradas, para me expressar.
  Ainda estou procurando o sentido da ‘Assistência INTEGRAL à Saúde’. Imaginava que a integração se iniciasse desde o momento de espera pelo atendimento até os casos mais graves. Mas não. Talvez eu seja um ser humano inocente em tal ponto, pois se não há profissionais adequados para curá-los quiçá para atendê-los. Parece que neste caso, as macas desapareceram junto aos médicos.
  O Brasil realmente, superou minhas expectativas, desta vez. E eu pensava não poder presenciar nada mais terrível, no entanto, acabei por me enganar. Engano, acho que essa é a palavra correta. O engano que o governo provoca nas pessoas, realizando campanhas de incentivo à saúde e declamando que os problemas internos estão sendo solucionados.
  A prefeitura afastou o guarda e a enfermeira do Cais. Nas palavras de um dos membros da prefeitura estava a seguinte palavra ‘inadmissível’. Digo, o que torna-se mais inadmissível ainda, é a postura do Estado, promovendo a não melhoria e contratação de profissionais totalmente desqualificados (até desequilibrados) para estes cargos.
  O comportamento do guarda atentou ao direito do cidadão, que naquelas circunstâncias encontrava-se totalmente indefeso. Já temos tão poucos direitos, se o direito de viver, nos será negado, o que mais nos restará? 
  Pra mim, foi o cúmulo da desumanidade e denotou aonde o homem chegou, em relação ao desamor que possui pelo próximo. Desamor que implica no desrespeito, na despreocupação e principalmente no egocentrismo. Egocentrismo sim! Porque se fosse o guarda que estivesse no lugar do paciente, ele se sentiria humilhado, desconsolado e com toda a certeza, exigiria seus direitos, afinal é um ‘policial de prestígio’.
  Então caros leitores, a que ponto conseguimos chegar. É uma verdadeira catástrofe. Quem devia estar nos protegendo, violou totalmente esta função e passou a atentar-nos. Em quem devemos confiar? Aliás, há alguém digno de confiança?
  E assim caminha a humanidade, rumo à sua autodestruição. Ao menos espero que antes do fim, o homem perceba sua culpabilidade e não coloque o seu erro, em outros, como sempre faz. A nossa dignidade, precisa ser preservada.
  Por fim, queria agradecer este cinegrafista armador que exerceu a sua cidadania. Sua postura é notável e até mesmo honrosa, pois poucos se arriscariam em prol de terceiros.


domingo, 5 de agosto de 2012

A arte de (des)valorizar.



     Eu adoro futebol. Sim, eu adoro. O aprecio desde pequena, ou melhor, desde que me entendo por gente. Influenciada pelo meu pai, se me recordo bem, aos 6 anos de idade eu brincava com ele no quintal de casa e arriscava os meus primeiros chutes. Os primeiros de muitos, ao longo da minha caminhada, até 15 anos, quando parei. Não porque queria, mas sim pelas circunstâncias da vida. E então parei de sonhar em ser jogadora de futebol. Claro que negavam essa minha idéia desde o começo, com o seguinte argumento ‘Não dá dinheiro. O futebol feminino é diferente do masculino.’ Contudo, não eram frases que me desanimavam. Eu sinto muita saudade, dos meus tempos jogando bola no meio da rua, com os meninos. Talvez um dia, eu volte a praticá-lo.
     Enfim, o tempo que ficava no ‘gol’, levando boladas, se foi. Substitui-o por momentos de crescimento pessoal, formação de princípios, afinal, já estava na hora. Ocupei o meu antigo tempo do futebol, com estudos, tentando ganhar mais sabedoria, mesmo que pouca, ou vivendo e adquirindo experiências que desencadearam o que sou atualmente.
     Pois bem, ontem li em uma rede social, algo muito interessante que me motivou a escrever sobre o assunto. O conteúdo era a pressão que a mídia faz nos atletas olímpicos (quer dizer, não só nas Olimpíadas, mas em todas as competições de ALTO nível), por não ganharem medalha. E naquelas meras palavras de um jovem, ressaltava-se a ‘vergonha’ que muitos comentaristas mostram ter, pelo Brasil não estar no podium ou nos primeiros lugares da classificação no quadro. Soam críticas e mais críticas e é sempre assim. Por fim, o autor abrangeu o ápice de sua dissertação, focando na atenção do brasileiro, voltada quase que totalmente para o futebol.
     O futebol é patrocinado o ano inteiro, aliás, a cada 24 horas, surgem inúmeros patrocinadores. Patrocinadores de um clube, ou até mesmo, de um único jogador que por ser a ‘fera’ da vez, é disputado por todas as marcas e disseminará o nome das mesmas, para a sociedade. E os outros esportes onde ficam? Toda a verba se estende ao mundo futebolístico. São milhões de reais e investimentos no mercado da bola. O governo, principalmente, evidencia com o maior orgulho, a verba destinada às categorias de base e afins.
     Eu sou uma apaixonada por futebol. Sou Flanática, assisto aos jogos, vou ao estádio (quando posso), porém isso não me aliena a ponto de fechar os olhos para este problema. Hoje, estava assistindo a prova de ‘Nado Sincronizado’ e me encantei, de verdade, com a beleza e maestria das atletas/movimentos. Parei para pensar e me perguntei 'como não falam sobre este desporto por aqui?'. Isto vai além, alguns nem conhecem tal modalidade.
    Utilizarei uma frase do texto citado anteriormente: ‘Não é a toa, que o Brasil é chamado de país do futebol’. É, apenas do futebol, porque no apoio aos outros esportes, deixa muito a desejar. Os atletas precisam lutar sozinhos, correr atrás, divulgar o seu talento, até encontrar um pequeno colaborador que o leve para competições de baixo calão. Competições que nem ao menos, sabemos da existência. Eles passam por muitas dificuldades, para chegarem a uma Olimpíada. Pra mim, só de estar lá é uma grande vitória para o público brasileiro. E não, eles não merecem e nem podem, ser cobrados de algo que o próprio Brasil deixou de oferecer. Investimentos que com a enorme certeza, se fossem proporcionados da maneira correta, os levariam ao topo.
    Para encerrar, declaro toda a minha indignação perante a tal realidade. E digo mais: Não rotule os demais esportes, busque conhecê-los e perceba a qualidade dos mesmos. Observe além das medalhas, enxergue os atletas e investigue sobre a história de vida batalhadora de cada um. É preciso mudar. É preciso se desvencilhar de certas opiniões que os canais de TV cultuam. É preciso conhecer, antes de julgar. É preciso valorizar.

Observação: Nas próximas ocasiões expressarei minha opinião sobre a Copa do Mundo de 2014 e os Esportes Para-Olímpicos.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

[Parte 2] O início do fim.


   O granizo embaçava os vidros do Ford 96 de Luis. As estradas eram esburacadas e sombrias. Arrepios subiam por seu corpo. No entanto, tais sensações proporcionavam-lhe sede pela verdade. Encontrou o endereço e não queria acreditar no que estava diante de si mesmo. O sanatório Brusque não lhe era estranho. Luis passou a ter alucinações à medida que se aproximava do estabelecimento. Bateu na porta incessantemente, até que um homem de roupa branca atendera.
   - Por favor, eu queria uma informação sobre um possível paciente.
   - Garoto, é tarde. São 11 horas da noite e você quer que eu quebre o sigilo médico? Vá para casa!
   Luis não desistiria assim tão fácil. Sentia que estava perto da solução. Observou uma escada que ascendia até o porão do sanatório. Subiu os degraus da mesma e com uma chave de fenda, forçou a fechadura que trancava o sótão. Ao entrar, havia vários papéis empilhados sobre uma mesa. Atônito, o jovem não podia se mexer. Olhou mais uma vez para a mesa e lá estava ela novamente: a mulher-anjo. Ela apontava para um dos relatórios em especial. Luis abriu-o e mirou a foto de seu pai.
  - Nome: André Simon.
  - Idade: 50 anos.
  - Internação: 02 de Janeiro de 1999.
  - Causa: Morte de sua mulher.
  Uma lágrima percorreu a face de Luis. Jogou a pasta no chão e colocou as mãos sobre o rosto. A mulher-anjo o esperava no corredor. Guiava-o pelo hospital psiquiátrico. Deixou-o no quarto 215. Seu pai estava mais barbudo, velho e debilitado. Não reconhecera o filho.
  - Pai, sou eu, Luis.
  - Eu não tenho nenhum filho.
  Com os olhos arregalados, André observava atentamente a mulher que lhe causara medo. O velho levantou-se e começou a conversar com ela.
  - Justine por que ainda está aqui? Largue o menino e volte para “casa.”
  - Então, você também a vê, pai?
  - Fique longe daquela mulher, ela é perigosa.
  - Por que? Quem é ela?
  - Um alguém que você jamais se lembrará.
  Neste momento, o fantasma de Justine, aguçou seu ódio por André. Resolveu tomar alguma atitude. Tocou a cicatriz de Luis e fê-lo lembrar do ocorrido. Vozes ecoavam em sua cabeça. Era ela, Justine, fugindo de André. Havia um garoto pequeno que segurava sua mão. Lembrava daquele pijama, era o seu preferido. O tiro do revólver acertou Justine. A bala raspou pelo braço do guri, lentamente. Sua mãe caiu imediatamente e ele, mal sabia o que estava acontecendo ali. Olhou para os lábios dela e mirou o seu último suspiro.
  Quando percebeu, o jovem já estava empurrando aquele homem sobre a parede. Apertava a gola de sua camisa e perguntava:
  - Por que a matou, pai? Por quê?
  - Ela soube de minhas artimanhas do passado. Soube do assalto e disse que me entregaria à polícia. Eu não tive culpa, filho.
  Então, Luis descobriu o que Justine queria lhe contar. Quando criança, inúmeras vezes a mulher-anjo o protegeu e o levou para brincar. Ela só queria estar perto e André, por uma inevitável culpa, sentia-se atormentado em sua presença. Após várias aparições da mãe, ele enlouqueceu.
  Ela era um anjo bom, era o anjo de Luis e daquele momento em diante ele seguiria em teus passos, ao teu lado. Virou-se para olhá-la e segurar sua mão, no entanto, ela não estava mais lá. Nas janelas do quarto, estava escrito: “Obrigada por me libertar, filho.” 

Observação: Conto baseado nas ideias do filme 'O Despertar'. Uma película surpreendente.