sábado, 29 de março de 2014

Corda Bamba.


          Segundo Aristóteles, o homem deveria encontrar o seu equilíbrio a fim de almejar a felicidade e por isso ele falou sobre o “meio-termo de ouro”. Ah, meu grande filósofo, como é difícil alcançar esta fórmula do meio termo.
          Criei o blog com o nome Dose Certa, porque acredito que devemos procurar a medida certa para cada situação em nossa vida. Além disso, ressaltei o slogan “Consegui meu equilíbrio, cortejando a insanidade”, porque através dos meus momentos mais loucos é que alcancei parte do meu equilíbrio. Mas estou longe de ser equilibrada de forma completa.
          Há tantas pendências, que ora eu pendo mais para um lado, ora para o outro. Devo reconhecer que em determinadas circunstâncias consegui a proeza do meio-termo, mas tive que exigir muito de mim mesma. Em contrapartida, considerando todas as demais circunstâncias, penso que me defino como 8 ou 80.
          Talvez eu seja mesmo extremista e viva nas bordas da estrada, ora em uma borda, ora em outra, em alternância. É como se eu me sentisse na corda bamba, buscando o equilíbrio, mas entre um passo e outro, ou volto para o local de origem ou prossigo até o fim.

sábado, 22 de março de 2014

[Final] Luna


    Regressando à floresta, ao entardecer, Luna esperava-o furiosa. Evitou olha-lo, quando chegou. Ficou de costas para Anderson, enquanto exigia em tom agressivo saber o porquê daquela atitude. O jovem explicou tudo, no entanto, quando disse que voltaria a sua casa outras vezes, sentiu uma onda enorme de ira vinda de Luna.
    Luna virou-se para encara-lo, com os olhos fumegantes de uma cor vermelha intensa, contrastando com o seu cabelo. Levantou as mãos e Anderson pode ver símbolos mágicos tatuados em seu antebraço. Luna, com toda a sua raiva, lançou uma magia sobre Anderson. Agora tudo fazia sentido para ele.
    No meio tempo, antes que a magia o atingisse, o jovem começou a refletir sobre as evidências da identidade não revelada de Luna: a vivência na floresta, a falta de informações sobre sua família, a despedida e a culpa, a proibição de sua saída... “Como não pude notar antes?” - ele se perguntava. Anderson estava cego de amor e não percebera o que se encontrava diante de seus olhos.
    Anderson tentou falar alguma coisa, clamar por piedade, mas não houve tempo o suficiente. O garoto transformou-se em um lobo branco de olhos vermelhos que soltou um longo uivo de sofrimento, imediatamente. Seria prisioneiro, para sempre, de Luna. Seria dela e viveria somente na floresta.
    Anderson não sabia que lobos choravam até sentir uma lágrima cair de seu olho. Repentinamente, olhou a lua que refletia no fundo de sua alma. Agora, ela seria sua única companheira, a qual o faria lembrar que jamais perdera a sua essência, seja como lobo ou como homem.  

domingo, 16 de março de 2014

[Parte 2] Luna


     Ao encontrar-se sozinha novamente, Luna se autoflagelava e proferia palavras contra si mesma:  - Isso não pode estar acontecendo! Não deveria tê-lo beijado! Não pode voltar a ocorrer.
     Irritada, ela começou a correr pela floresta, soltando alguns gritos abafados.
     Anderson, em contrapartida, só conseguia pensar no que aquela mulher lhe despertava. No gosto da paixão em seus lábios e correndo por suas veias. Naquela manhã, não voltou para a sua casa. Não queria reviver  lembranças dolorosas, então ficou perambulando pelas ruas vazias da cidade, até que a noite chegasse para encontrar Luna. E assim o fez.
     O jovem chegou naquela floresta, agora tão convidativa, e louco para encontrar Luna, caminhou apressadamente ao local que conhecera na noite anterior. Ela não estava lá, para a sua frustração. Anderson começou a perambular e chamar teu nome em meio às folhagens verdes. De nada adiantou.
     Luna observava o amante de longe. Mordia o lábio de nervosismo e ansiedade, porém sabia que precisava conter-se. Viu-o sentar-se em um tronco de árvore velho, derrubado ao chão.
     Anderson colocou os braços sobre as pernas e a cabeça sobre os joelhos, pondo-se a chorar incessantemente e a repetir: - Por quê? Por que mais uma vez?
     Nesse momento, Luna não conseguiu se segurar. Entregou-se ao desejo, por mais proibido que fosse. Direcionou-se a Anderson e beijou-lhe os lábios com tamanha voracidade. Ali aconteceu a primeira noite de prazer dos amantes, um entregue ao outro. Anderson, só não desconfiava o que essa noite traria como consequências, mais tarde...
     O tempo se passara e os encontros aconteciam todos os dias sob o luar. Contudo, à medida que o laço entre ambos se intensificava, Luna tornava-se mais possessiva. A garota dos cabelos vermelhos, o queria só para ela e chegou a um ponto em que Luna, não o deixava mais sair da floresta.
     Por mais distante que fosse dos seus pais, Anderson ainda tinha uma família, a qual se importava.  Sentia-se restrito, preso, controlado. E já não aguentava mais àquela situação. Então, resolveu cometer um ato de pura insanidade. Enquanto Luna dormia, o jovem saiu da floresta pela manhã para ver a sua família.
     Anderson sentia-se livre, adorava a floresta, mas queria respirar um pouco do ar da cidade. Voltou para a sua casa, abraçou os pais e sentiu uma proximidade incomum, ao vê-los após tantos dias longe. Agora sua felicidade estava completa. Prometera aos pais, que voltaria em breve e com mais frequência. Anderson ainda não sabia, mas era um terrível engano.

sábado, 8 de março de 2014

[Parte 1] Luna


     Embrenhou-se na floresta, enquanto procurava dissipar os pensamentos que insistiam em leva-lo ao sofrimento daquele primeiro amor. Anderson deixava-se guiar pelo vento que soprava em seu rosto e arrepiava seus pelos. Queria voar para longe dali.
     Em meio ao rio de lágrimas que descia por sua face rubra, o jovem de 20 anos dava passos largos para se distanciar e fugir de tudo. Acreditava que assim poderia, finalmente, deixar a sobrevida para trás e apenas viver de verdade.
     Repentinamente, uma luz vermelha surgiu à sua vista. Temeroso, Anderson aproximou-se aos poucos, movido pela sua curiosidade. Escondeu-se atrás de um arbusto e percebeu uma mulher incrivelmente linda, de cabelos ruivos esvoaçantes e olhos brilhosos.
     Ela estava sorrindo, com uma postura vitoriosa e, acima de tudo, cercada de mistério. Anderson não pôde se conter, moveu-se em direção àquela mulher de beleza descomunal. Tentou cumprimenta-la, primeiramente, mas ela se assustou. Fuzilou-o com aqueles olhos negros e perguntou:  
     - Quem é você? E o que está fazendo na minha floresta?
     - Desculpe, apenas precisava fugir um pouco da minha realidade. Andava pelas ruas sem destino e encontrei esta floresta como um bom refúgio. Acho que acabei adentrando demais por entre as árvores – disse Anderson, meio sem jeito.
     - Há muito tempo não encontrava ninguém por aqui... E é estranho você ter encontrado o meu lugar. Consigo me esconder de todos, há anos, sem que ninguém ao menos tenha vindo me investigar – a mulher cerrou o cenho e fechou os punhos.
     - Você vive aqui? – perguntou Anderson meio pensativo.
     - Sim. Tem algum problema rapaz? – disse ela asperamente.
     - Não, nenhum – prosseguiu Anderson. Como se chama, garota dos cabelos vermelhos?
     A garota quis esconder aquele pequeno sorriso que despontava do seu rosto e tentava manter-se irredutível. Contudo, não conseguiu por muito tempo. Respondeu-o em tom amigável:
     - Luna. E o seu cavalheiro da noite?
     - Meu nome é Anderson. Posso passar algumas horas aqui conversando com você?
     Luna refletiu por uns minutos e, por fim, assentiu com a cabeça.
     Passaram uma noite agradável, juntos. Viram o amanhecer e selaram o momento com um beijo avassalador, o qual pulsava em ambos.
     Porém, após o beijo, Luna mirou Anderson e, com desprezo, pediu-o para ir embora. Sem entender, o jovem apenas retirou-se como a sua garota de cabelos vermelhos lhe pedia, mas disse que voltaria.

sábado, 1 de março de 2014

Marcas do destino.


    O que falar? Sobre o que escrever? Se a sua mágoa te sufoca a ponto de te deixar travada e indiferente ao mundo. Será que me acostumarei a sangrar? Será que um dia irá parar?
    Desabafos se perderam, confiança não resta.
    Passei tanto tempo querendo negar a mim mesma, rejeitar o que eu sou e hoje, tudo o que eu desejava era ser aceita desse meu jeito. Mas não, não foi o que aconteceu. A negação me persegue e, consequentemente, a frustração se alia a ela.
    Como aprender que as situações nunca serão como eu planejei, sonhei, desejei? Como compreender as facetas que a vida nos coloca?
    A cada vez que recebo um “não” da vida, é como se eu não fosse suficiente para viver. A cada vez que a rejeição chega até mim, é como se eu me sentisse alguém incrivelmente minúsculo e incapaz.
   As vezes eu não suporto mais, as vezes simplesmente me prendo à vontade de ficar inerte. Porém, já vivi há tantos anos desta maneira, que cansei-me de continuar com uma visão nada panorâmica sobre a realidade.
   Há muitos caminhos, contudo eu preciso de força. E essa força motivadora só pertence ao meu ser, só depende de mim. Portanto, o meu único desejo e, também, a minha maior dificuldade é amar-me e abraçar-me. É poder acreditar que posso, que encontrarei alguém que me ame, que fique e que entenda todas as minhas marcas.