terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Desespera(dor)


         Nega-me o seu amor, nega-me a sua paixão e deixe-me acreditar que tudo o que vivemos foi em vão. Leva-me deste abismo, leva-me desta desunião, provocada por sua inútil acomodação. Siga-te enjaulada, apavorada e lembre-se de que logo te deixarei, desolada.             
         Continue com este jogo: chama-me a atenção, em troca do meu perdão. Não faça, não aja, perca-se em seus próprios medos. Já não há mais mágoas que caibam naquela velha gaveta onde eram guardadas, já não há mais lágrimas salgadas. Secaram, foram-se. Estou exausta, anestesiada, sem saber o que sentir ou fazer. Mas não, não serei como você quer, não me acostumarei a essa dor diária e muito menos viverei a esperar que um dia o meu sonho possa se concretizar. 
        Leva-me solidão, para um local seguro. Leva-me dessa escuridão de horrores. Leva-me, que já não suporto mais sentir tais dissabores. Frustra-me com o fim, mas deixe algo bom renascer em mim. Ainda há tempo, ainda posso cruzar com outros olhares. Um dia, talvez. Traga-me a paz e livra-me deste desespero.  

sábado, 28 de dezembro de 2013

[Parte 1] O enigma dos seringueiros.


    O sol queimava a pele do grupo de seringueiros. Chegaram à floresta, armaram o acampamento, o terceiro em menos de 2 meses. O trabalho seria pesado no dia seguinte. O calor arrancava gotas de suor do corpo dos trabalhadores. Eram três.
    A empresa os contratara há pouco tempo, devido ao desaparecimento de quatro funcionários enviados àquele local. O mistério dos seringueiros ainda não tinha se resolvido.
    Alan decidiu deitar-se na barraca, pois o cansaço sugara todas as suas energias. Antes mesmo de Fernando e Ivan anunciarem que iriam ao lago, Alan já havia pegado no sono.
Fernando fora na frente por ser mais experiente com o trajeto feito na Floresta. Ivan, todo desajeitado, seguia aos trancos e barrancos atrás dele. Os dois amigos eram bastante diferentes, não só pela desigualdade de idades, como também pela história de vida. Enquanto Fernando já havia sido proprietário de uma empresa, Ivan estava apenas iniciando sua caminhada no trabalho. 
    Fernando, finalmente, chegou à beira do lago, tomou um pouco d'água em suas mãos e refrescou seu rosto. Ivan, brincalhão como sempre foi, viu-o abaixado e empurrou-o lago adentro. Ivan soltava gargalhadas estrondosas de toda aquela situação. Fernando estava a 5 metros das rochas que rodeavam o lago, começou a nadar com rapidez, quando de repente fora sugado por algo que o levara para o fundo.
     Ivan parou de rir no mesmo instante. Jogou-se na água, à procura do amigo. Mas não havia nenhum vestígio de sangue ou do corpo. Assustado, Ivan voltou à superfície e subiu nas rochas. Repentinamente, o jovem ouviu um canto suave que o tranquilizava por dentro, mas ao mesmo tempo, despertava um desejo indescritível. Ivan virou-se para trás a fim de encontrar o lugar de onde vinha aquela voz fascinante. Ao retornar o olhar para sua frente, deparou-se com uma bela sereia.
     A sereia tinha a pele incrivelmente branca e sedosa, possuía duas conchas que protegiam seus seios e o cabelo louro, grande e encaracolado. Sua beleza estonteante ofuscava os olhos de Ivan. Ele sentia palpitações, seu corpo tinha os batimentos cardíacos acelerados, estava boquiaberto. Encontrava-se enfeitiçado, deslumbrado, louco de amores com tamanha perfeição. A harmonia do canto com a beleza da sereia fê-lo andar em direção a seu encontro. A sereia sorria e continuava a seduzi-lo. 
     Ambos estavam com a água até a cintura, um de frente para o outro. A sereia Serena, então, passou-lhe a mão no rosto e ergueu a sua cauda azulada, revelando a sua metade peixe. Fernando estava tão hipnotizado que nem percebera a cauda de Serena. Seguia pensando que era uma humana. Beijou-lhe os lábios, enquanto ela o levava para as profundezas do lago, junto ao seu amigo Fernando.

sábado, 14 de dezembro de 2013

O encantamento da mãe natureza.


     Estava anoitecendo. A lua começava a despontar no céu sem estrelas, refletindo na face da garota. A noite era agradável para Susi. Sentia-se pertencente àquele cenário.
     Admirando o efeito lunar, a menina sentou-se no banco central do Jardim Botânico. Palavras eram rabiscadas naquele caderno que carregava quando algo adentrava teu interior. Após algumas tentativas de escrever algo coeso, resolveu andar pelo local, onde se encontrava na companhia, apenas, do guarda noturno.  
     Jorge já se acostumara a encontrar Susi em noites esporádicas. Sempre que a via chegar, entregava-lhe uma lanterna e um kit de sobrevivência, caso se perdesse no meio das inúmeras árvores.
     Susi caminhava por entre as plantas, sentindo a essência de cada uma. Sem sombra de dúvidas, as que mais lhe despertavam curiosidade, eram as insetívoras.  Ficava observando-as por horas a fio. Naquele momento, presenciaria um espetáculo da natureza. Um inseto pousou sobre a folha de uma insetívora que por fim, se fechou, esmagando-o. Vidrada, a garota apresentava uma expressão estonteante.
     Depois do ocorrido, Susi atentou-se para o barulho do pequeno lago que estava ali perto. Ligou a lanterna e seguiu até lá.  Iluminou a água e visualizou ovos eclodirem, originando vários girinos que nadavam para longe. 
     Mais tarde, ouviu sapos coaxarem, olhou para o lado e se deparou com um casal de anfíbios em terra úmida no momento de reprodução. Sua face se resplandecia e o frenesi era enorme. Permaneceu junto ao lago, por um tempo indeterminado, maravilhada.
     Nas horas seguintes, a garota voltou ao teu percurso. Quando estava andando por algumas plantas, sentiu espinhos arranharem tua perna. Agachou-se para ver o ferimento, fez um curativo e ao levantar  constatou que  o dia estava quase amanhecendo.
     Nesse instante, a “flor das 6h” começou a se abrir mostrando suas pétalas rosadas. Exalava um cheiro adocicado que convidava às abelhas a pousarem e sugarem o néctar.
     Ao avistar o sol nascente, Susi sabia que era hora de partir.
     Após este longo período em contato com a natureza, as palavras antes rascunhadas no caderno, começaram a ser ordenadas. Susi, dessa vez, compreendera a pequenez do ser humano e inferira o quão grandioso é o mundo natural, além do que os homens podem enxergar.
     E este foi apenas um dos relatos, para o grande livro que viria 10 anos depois: O encantamento da mãe natureza.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Apenas perguntas.

    
     Entre uma das indagações que mais me intriga está o mistério das palavras. Às vezes reflito sobre a situação que esteve por trás da palavra quando a mesma foi criada. Por que o homem atribuiu um significado àquela palavra? Por que não poderia ser diferente?
    Por que o céu é personificado como o lugar azul cheio de nuvens que se encontra acima de nós? Por que entendemos o sol como o grande astro amarelo? Por que visualizamos a folha de uma árvore como algo verde que dependemos para a sobrevivência?
    E então, é esta magia das palavras que me envolve.  Fico pensando como seria se não houvesse uma padronização para que todos nós entendêssemos os objetos do mundo com o "mesmo" significado (desconsiderando a parte subjetiva). Como seria se houvesse a livre interpretação em relação a cada objeto que nos é apresentado, sem que soubéssemos qual o seu nome ou o que ele significa?
    Como conseguimos organizar o nosso espaço tão grandioso como é, a partir da linguagem? Como o nosso cérebro é capaz de associar o símbolo com a linguagem? Isso seria possível, sem a aprendizagem desde pequenos?
    Será que somos o que somos, só por que os outros nos dizem, desde o nascimento? Será que somos independentes, que temos ideias à parte? Ou será que somos e nos formamos, apenas a partir do que ouvimos dos seres alheios? 
    Perguntas, que talvez jamais encontrarei a resposta, contudo que instigam o meu ser à buscá-las. Infindáveis perguntas, infinita linguagem. As palavras parecem nunca ter fim. Sempre há algo novo para se aprender, se descobrir. Neologismos e mais neologismos ainda estão por vir. 

sábado, 30 de novembro de 2013

A irracionalidade humana.


    Diariamente, vemos uma infinidade de notícias sobre pessoas que são assassinadas repentinamente ou em ocasiões corriqueiras, por motivos “bobos”. É claro que não existe nenhuma justificativa para tirar a vida de alguém, porque isso não cabe a nós, mas os crimes que mais me chocam são aqueles que denotam a desumanidade do próprio homem.
    O ser humano movido pelos seus instintos, desconsidera o outro e perde totalmente o seu raciocínio. Nesses casos, passamos a ter a condição de “animais”.
    A impulsividade pode gerar consequências desastrosas, pois a partir do primeiro ato instintivo, outros serão desencadeados de forma desenfreada. Pois bem, exemplificarei o que quero dizer.
    Há um tempo atrás ocorreu um assassinato em Goiânia que teve seu início devido à reclamação do cliente na demora do preparo da pizza. Então, o cliente discutiu com o dono do estabelecimento e não queria pagar mais pelo serviço.
     No dia seguinte, o cliente voltou ao local, levando suas duas filhas com ele, para conversar com o dono da pizzaria, a fim de colocar tudo em pratos limpos. O cliente estava na defensiva, com uma atitude pacífica. Contudo as câmeras de segurança demonstraram um comportamento “agressivo” por parte do dono da pizzaria. Por fim, este último, saiu de trás do seu balcão, encurtando a distância entre os dois. As filhas do cliente tentaram apartar a briga e em um instante de total irracionalidade o dono do estabelecimento, sacou sua arma e disparou, enquanto todos corriam. Um desses tiros, acertou a filha mais nova do cliente. A menina permaneceu na UTI por um tempo, mas veio à óbito.
     Em meio a esta situação, percebo o quanto a impulsividade do ser humano, o domina quando está em seu ápice. Parece que a o impulso, é um “motor” para realizar uma ação impensada como a que foi expressa. E o curioso, é que isto ocorre com mais frequência do que imaginamos, no entanto, ficamos tão perplexos perante a notícia que esquecemos de analisar os trâmites da cena.
     O fato é que atos impulsivos como tal, precisam ser controlados. Ou se não, vidas serão destruídas. E neste caso, não digo apenas a vida da vítima, mas também, do sujeito impulsivo. A verdade é que ambos saem perdendo.
     Portanto, sou a favor de que cada pessoa descubra a maneira de conter sua ira. É necessário que deixemos de ser regidos pelo instinto. É necessário pôr fim aos riscos para si mesmo e para o seu próximo. Precisamos nos perceber e agir como seres humanos e jamais perder essa dignidade.

Obs:  Texto escrito em Julho. O relato do assassinato na pizzaria, ocorreu naquela época. 

sábado, 23 de novembro de 2013

2 - Sobre brigas.

[Cap. 1] Coisas que não entendo.


      Bom, pessoal, resolvi escrever a segunda parte da série “coisas que não entendo.” Pois bem, o tema central de hoje serão as brigas, as quais, odeio e tento evitar ao máximo, mas as vezes, é impossível. Seguem-se 3 incompreensões em relação às brigas.

1) Xingar: Eu simplesmente não entendo a necessidade de utilizar palavrões em meio a uma briga. Ao meu ver, a ofensa do palavrão está nos olhos de quem vê. Na verdade, são expressões como outras quaisquer, que foram conotadas de maneira diferente pelo ser humano.
                         
2) Gritar: Outra coisa, a qual não compreendo, é a alteração de voz de um dos lados, em uma discussão. Como se levantar a voz, fosse adiantar na resolução do problema. Tudo bem, que dependendo do “oponente”, a elevação do tom de voz, pode se transformar em uma intimidação, mas mesmo assim, não acredito ser uma justificativa tão plausível.

3) Agredir:  A agressão física tornou-se uma forma de medir forças com o “adversário”.  A grande questão é que as pessoas não raciocinam que ao agredir o outro, inicia-se um “ciclo” sem fim, gera sede de vingança, de revidar. Violência gera violência.

     Por fim, queria ressaltar a minha posição perante às brigas ou discussões. As pessoas deveriam se colocar nos seus devidos lugares e conversar pacificamente. Não há nada melhor, do que encontrar a resolução de um problema através da diplomacia. Acredito que desta forma, até podemos destacar a nossa posição como “adultos” e também como “seres humanos”.

sábado, 16 de novembro de 2013

[Parte 2] O Quarteto.


      Junior correu adiante, puxando as meninas pelas mãos.  Atrás, Juca e sua gangue, gritavam ofensas: Nerds! Excluídos!  Zero à esquerda!
      Por fim, os amigos encontraram uma velha ponte à sua frente. Contudo, ela estava com uma das partes deformada e quando Evelyn pisou na madeira, a ponte bambeou. Então, regressaram. Não havia escapatória, iriam levar porradas ali mesmo.
      Suspiraram fundo, engoliram seco e miraram a aproximação da gangue. Juca estava a 10 metros de Junior, que escondia suas amigas atrás dele. O mafioso chamou Fábio, o mais alto do bando, e retirou um soco inglês do bolso.  Apontou para Junior e disse ao parceiro: - Traga o marica aqui!
      O garoto estremeceu e seus olhos ficaram marejados. Ele foi arrastado por Fábio,  ficando frente a frente com Juca. O mafioso deu-lhe um soco no rosto, quebrando-lhe o óculos. Posteriormente, o empurrou para perto da ponte.
      Junior enxergava muito pouco, sem seus óculos garrafais. No entanto, Juca não ligou para a limitação do “marica”. Mandou-o andar pela ponte, se não, bateria em suas amigas. O garoto reclamou e repetiu várias vezes que não estava enxergando, mas não fora ouvido.
       Se havia algo que Junior abominava, era quando um homem batia em mulher.  Devido a este fato, decidiu arriscar a sua própria vida, em prol da segurança de suas amigas. Levou suas mãos a frente  para perceber aonde começava a ponte e vagarosamente, sentia a madeira em seus pés.
       As meninas choravam compulsivamente, mas tentavam orientar o amigo, para que a travessia fosse rápida. De repente,  uma tábua da ponte que estava parcialmente quebrada, tirou o foco de Junior e fê-lo escorregar rapidamente para a parte lateral da ponte. O grito do garoto denotava um medo incalculável. A única coisa que o segurava e o impossibilitava de cair nas pedras abaixo, era a corda da ponte.
       Todos ficaram aflitos. Uma culpa invadiu o ser de Juca. Ele gritava aos companheiros: Façam algo para salva-lo. Todavia, eles balançavam a cabeça e diziam que a ideia fora imposta pelo líder.
       Os dedos de Junior começaram a ficar cansados e deslizavam pela corda. O garoto estava à beira da queda. Juca, em um ato de impulso, correu cuidadosamente pela ponte até o local onde o nerd estava. Agarrou-lhe a mão, trazendo-o para as tábuas firmes novamente.
       Os dois se entreolharam e voltaram para a mata, um ao lado do outro. Junior, abraçou suas amigas e sentiu alguém passar os braços por eles. Para sua surpresa era Juca, que em um instante de arrependimento, pediu perdão ao quarteto.
       Nos dias que se seguiram, houve transformações no grupo dos “nerds”. Agora, eles eram bem vistos pela coragem e força. Ao longo do tempo, puderam mostrar as qualidades que tinham. Passaram a interagir com os outros e principalmente com Junior, que se rendeu ao grupinho. E a partir deste dia, o bullying jamais fora praticado novamente na Escola dos Saberes.


sábado, 9 de novembro de 2013

[Parte 1] O Quarteto.


     Chegara o dia tão esperado. Junior, Clara, Evelyn e Patrícia sentiriam um pouco de liberdade pela primeira vez. Sempre foram excluídos, motivo de zombaria na escola e por isso evitavam sair pelas ruas, devido ao medo do constrangimento.
     Chamados de nerds, não participavam do grupo geral. Iam da casa pra escola e  vice-versa. Ao adentrarem suas respectivas residências, permaneciam no quarto, até o momento das refeições familiares. Conversavam via sms, para não se sentirem sozinhos. Querendo ou não, criaram um ciclo de dependência e de segurança, que sentiam um no outro.
     Junior, o mais velho dos quatro (18), decidiu tomar a dianteira na decisão de seguirem em frente, de recomeçarem. Clara, no ápice de seus 16 anos, aceitou a proposta instantaneamente. Já Evelyn (17) e Patrícia (15) tiveram que ser convencidas de que era uma boa hora para respirar novos ares, viver novas experiências.
     Aquela manhã de outono não seria a mesma, para o quarteto. Os pais estavam receosos, mas sempre apoiavam-nos. Levaram seus filhos para pegar o bondinho, a fim de desembarcarem na montanha e seguir por uma trilha.
     Os quatro estavam maravilhados com a visão que se tinha do alto. Observavam o verde das matas fechadas, além da imensidão das árvores.  Quando pisaram em “terra firme”, sentiram o frescor do ar frio, cortar a pele, fecharam os olhos e se deixaram levar pelo momento de felicidade. Porém, este, duraria pouco.
      Enquanto, o quarteto andava pela trilha da pequena floresta, Junior foi atingido por uma pedra na cabeça. Os olhares dos amigos, se voltaram para trás, deparando-se com Juca e sua gangue. Junior foi socorrido por Evelyn, porém quando observou quem estava na sua frente, teve ataque de pânico, por alguns minutos. O rosto de Patrícia e Clara começaram a envermelhar, enquanto Evelyn suava frio.
      A cabeça de todos ali presentes, girava. O quarteto não acreditava no que estava acontecendo. A diversão, logo, determinou o seu fim.

domingo, 3 de novembro de 2013

Fica solidão!


     Olhos famintos. Passos trôpegos em direção ao horizonte. Procurando por alguém, que já não retornará. Desejando um dia que não regressará.
     Um amor que se foi. Um amor que está além dessa janela pela qual observo os pingos de chuva caírem nessa tarde solitária.
     Disse-lhe que te esperaria, talvez eu tenha me enforcado com as próprias palavras.
     Disse-lhe que te doaria o meu coração, talvez você o tenha despedaçado.
     Talvez, talvez, talvez... E foi nesse talvez que tudo finalmente acabou.
    Talvez você cruze o meu caminho novamente, talvez não.
     Não viverei a esperar esse suposto momento derradeiro. Não darei um tiro no escuro. Pelo contrário, ficarei onde sempre estive. Sozinha, comigo mesma.
     Sem me importar quando chegar alguém querendo roubar este coração. Sem importar se alguém entitular-me amor.
     A solidão é minha amiga, fiel, companheira. E eu apenas, não quero larga-la, por uma nova decepção.
     Pronto, ao lado dela, não tem espaço pra mais ninguém. Fica solidão, mas fica pra sempre!    

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Lei de Murphy maldita.



Lei de Murphy maldita,
traga-me a sorte bendita.
De volta à maré de azar,
é onde não posso ficar.

Brigas, discussões, despedidas,
um período só de idas.
Um clamor odioso sobre mim, 
sentimento que me leva ao fim.

Acostumada a rotina do dia-a-dia,
repleta de sofrimento e agonia,
emoções que jamais pensaria
e tampouco merecia.

Lei de Murphy maldita,
leve daqui as palavras mal ditas,
devolva-me um destino bondoso,
e um caminho piedoso.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

[Parte 6] Entre céu e Terra.


- A Luta

     Ao entrar na gruta, o espírito foi abalado, relembrando a sua vida humana. Uma grande ferida abriu-se no peito de Márcia, o qual, passou a sangrar. A garota, agindo de acordo com a entidade, dobrou os joelhos na terra molhada para tentar se recompor.
     Neste momento, os que estavam presentes iniciaram uma oração em línguas com enorme fervor para que o demônio fosse levado à sua respectiva dimensão.
     A força da entidade era atípica e ao passo que as orações a abatiam, ela ainda conseguia atingir o corpo de Márcia, causando-lhe arranhões e cortes. Márcia implorou forças aos céus e no mesmo instante, Leonardo invocou almas boas que trataram de mantê-la viva.
     Unidos, anjos e homens, estavam conseguindo afastar o espírito do corpo de Márcia, quando em uma última jogada, a entidade se levantou e iniciou um desmoronamento na gruta.
     Leonardo arremessou um clarão que pairou sobre àqueles que estavam na gruta, como um escudo protetor, garantindo que todos saíssem ilesos do local. Porém, em razão da debilidade de Márcia, a garota demorou a se locomover e uma pedra acabou lhe acertando.
     Ao sair da gruta, Márcia desabou inconsciente. Padre Sérgio, parou a sua corrida, olhou para trás, a tempo de arrastar a garota para a floresta, sem maiores danos.
     No céu, Leonardo descobrira que parte da alma de Márcia, estaria para sempre atrelada à entidade, porém, sorriu, ao saber que a bondade da garota estava acima de qualquer explicação terrena. O amor que Márcia carregava em seu interior, se encontrava além do abismo entre o céu e a Terra.
      Horas mais tarde, Márcia já estava no carro, voltando para casa com os outros. A garota acordou e mirou seu reflexo no retrosivor. Assustou-se ao se deparar com metade de seu rosto em forma de caveira. Só então, percebeu que conviveria com uma parte maléfica de seu espírito, pelo resto da vida.

sábado, 26 de outubro de 2013

No limite.


No limite, 
da dor,
do sofrimento, 
da angústia,
da vida.

À beira,
do abismo, 
da insanidade,
da explosão.

Palavras,
não ditas.
Garganta,
engasgada.

Engolindo,
a seco, 
longos anos.

Sufocada,
por sentimentos,
e emoções,
aliados às frustrações.

Insuportável,
irremediável, 
inconsolável.

Aonde isso vai parar?
Aonde aguentarei chegar?

Sigo aliviando,
enquanto posso,
nessas linhas tortas.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

[Parte 5] Entre céu e Terra.


- O bem o e mal

    O anjo era o único que sabia como expulsar a entidade. Conhecera o espírito, ainda em sua forma humana, quando assassinara os pais naquela gruta. A partir disto, a alma se perdera e ficara presa na Terra, possuindo infindáveis vítimas. Sendo assim, o único lugar passível de salvação, era onde a história teve início.
    Leonardo e os anjos entoaram cânticos benéficos que eram direcionadas a Fabrício, deixando a entidade cada vez mais enfraquecida. O canto de louvor aumentava à medida que Fabrício procurava se aproximar de Márcia.
    Com o enfraquecimento, o espírito se dispersou do corpo de Fabrício, pairando no ar, em sua forma demoníaca.  A entidade maligna levantou os braços e com o seu poder fez com que as raízes das árvores prendessem o corpo de Márcia.
    Devido à vulnerabilidade da garota, o espírito conseguia tortura-la incessantemente, proporcionando-lhe uma dor intolerável. Márcia não aguentava mais, seu corpo ia padecendo aos poucos. Assim, em um impulso, a garota pediu para que ele parasse e o espírito novamente tomou-a por inteira.
    Márcia se soltou  das raízes com facilidade. Embora já tivesse conseguido o que queria, o espírito ansiava por destruir todos aqueles que tentaram arruína-lo.
    Inconformado, Leonardo enviava feixes de luz que se distribuíam em várias cores para alumiar toda aquela escuridão podre. Dirigindo-se à Renata, ordenou: “Vá para a gruta e inicie o exorcismo.”
    A mãe atraiu a atenção da entidade, correndo para a gruta. Os padres e o diácono esperaram que Márcia passasse, para depois seguirem. Quando a garota, possuída pela entidade, entrou na gruta, Sérgio, Fabrício e Pedro tamparam o local com uma rocha para que ela não escapasse.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Despedida.



Amordaça-me,
estrangula-me,
e arranque este coração.

Coloque-o em sua mão,
use-o para sua satisfação,
venda-o por perdição.

Não desejo o seu perdão,
abracei a solidão.

Cansei de demonstrar o que você já sabia,
tentei abrir-lhe os olhos em demasia.

Contentei-me em andar vazia,
nas noites frias,
como outrora fazia.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Sempre em frente.



       Há muito o que aprender. A vida é um aprendizado e embora essa frase seja clichê, é necessário usá-la para relembrar que preciso seguir em frente.
       Mas é inevitável dizer que as lembranças não me atormentam. Tenho uma dificuldade imensa de deixar com que as pessoas saiam da minha vida e isso é ainda pior quando tenho "culpa no cartório". Sou capaz de passar por cima do meu orgulho, me humilhar, correr atrás até conseguir o perdão de quem amo. Porém, tudo se complica quando o erro não partiu de mim.
        Pois bem, estou nessa situação. Pessoas que antes eram intituladas amigas, hoje, são aquelas que me julgam, culpam e não querem ouvir minha versão dos fatos. Preferem acreditar em outros, antes de me consultar sobre o ocorrido.
        É incrível como nós, na maioria das vezes, conseguimos pensar apenas sobre a nossa perspectiva. Consideramos somente o nosso lado, a nossa parte e o outro, ah, o outro é sempre o culpado.
        Reconhecer que somos limitados, que erramos e acima de tudo que somos humanos falhos, faz parte do engrandecimento de um ser.
        Ouvir o próximo, colocar-se no lugar do mesmo e perdoar, faz de nós um alguém melhor.
        É certo que decepções com relação aos amigos (principalmente), acontecem com todos, no entanto, minha personalidade é daquelas que fica remoendo por um bom tempo, até que o sentimento finalmente se desfaça. Em muitas ocasiões prefiro pensar que as pessoas entram e saem da nossa vida, quando tem que ser. Não é por acaso, há um significado, porém não o entendemos de imediato. 
       Acredito que é indispensável que eu transforme o meu olhar (já bastante modificado nos últimos meses) também nesta questão. Preciso perceber que aqueles que passam, deixam um legado em nossa vida, todavia, eles não conseguem permanecer pra sempre. Assim necessita-se pensar no que foi deixado de valor, de importante, para transcender a falta que aquele(a) sujeito nos faz.
       Ainda me pergunto: por que é tão difícil colocar isso em prática?

sábado, 12 de outubro de 2013

[Parte 4] Entre céu e Terra.

- Possessões

     Renata viu toda a cena, mas não sabia como reagir. Novamente, Leonardo soprou palavras em seu ouvido, para guia-la: “Pegue-a e siga na direção marcada na floresta. No fim do caminho, encontrará uma gruta e descobrirá o que deve fazer.”
     A mãe tomou sua filha nos braços, carregando-a em direção a uma estrada de terra que dava para a floresta. Seguia adiante, quando se deparou com Padre Sérgio. Era um velho barrigudo e alto que transparecia sabedoria. Com ele, estavam o diácono Fabrício e o padre Pedro.
     Pararam o carro, para que mãe e filha entrassem. Renata explicou tudo o que havia acontecido  antes deles chegarem. O grupo então seguiu por uma longa jornada, passando pela floresta.
     No meio do percurso, Márcia, que estava deitada sobre o colo da mãe, começou a acordar com momentos de delírio.  Com o passar dos minutos, a garota ficava mais agitada, alucinando e se remexendo . A mãe segurava-a com firmeza, evitando que ela se soltasse.  Contudo, ao passo que a gruta se aproximava, a inquietação da Márcia apenas aumentava.
     Em instantes, a garota estava totalmente descontrolada. Cuspia no rosto da mãe e emitia xingamentos com a sua voz maléfica. De repente, Márcia movida pelo mal, olhou para o diácono Fabrício que estava ao seu lado e iniciou um ritual de sedução.
     Fabrício ficou hipnotizado com a performance da entidade, a qual, se aproveitou da situação para apoderar do corpo do homem.  O espírito desejava levar Márcia consigo e para isso, utilizaria a força do corpo de Fabrício a fim de afastar Renata e os demais.
     Em uma fração de segundos, o corpo de Márcia desfaleceu, enquanto o diácono, agora possuído, vomitava no banco do carona. Seus olhos reviravam, seu grito era atormentado.
     De repente, Fabrício tomou o volante de Padre Sérgio, cambiando a direção e os afastando da gruta. Padre Sérgio foi arremessado pra fora do carro e bateu com a cabeça em uma pedra. Atordoado, padre Pedro saiu de seu assento para ajuda-lo.
     Renata ainda permanecia no banco de trás com Márcia. O diácono possuído pelo espírito percebeu a fragilidade das duas e rapidamente se locomoveu para perto da mãe, colocando as mãos em seu pescoço na tentativa de estrangula-la. Márcia, ainda meio tonta, conseguiu alcançar o extintor que estava dentro do carro e bateu contra a cabeça de Fabrício, fazendo-o soltar Renata.
     Posteriormente, Márcia deitou a mãe na grama, para auxiliar na sua respiração. No entanto, Fabrício logo se recuperou e acelerando o carro, avançou, na direção das duas.
     Leonardo impossibilitado de descer à Terra, devido à instabilidade entre as dimensões, acompanhava do alto tudo o que ocorria. No instante em que viu o carro se aproximar, lançou um trovão para cortar a árvore mais próxima, bloqueando a passagem do veículo. 

sábado, 5 de outubro de 2013

[Parte 3] Entre céu e Terra.


- Leonardo

     Após se comunicar com Renata, Leonardo convocou os demais anjos auxiliadores para apoiá-lo na missão de salvar Márcia. Desde que a entidade fora afastada do corpo de         Márcia, aos 15 anos, Leonardo foi designado para ser teu anjo protetor.
     Todas as madrugadas, Leonardo era enviado para protegê-la. O anjo da guarda ficava na cabeceira de sua cama, velando teu sono e tua vida.
     No entanto, naquele início de noite, Leonardo estava vulnerável o suficiente, para perdê-la de vista por alguns segundos e enfim encontrá-la novamente possuída.
     Embora fosse um anjo bom, sentiu uma dose de raiva ao ver sua protegida nas mãos daquele espírito maligno. Estava decidido a fazer qualquer coisa, para salvá-la.
     Por um instante, Leonardo interrompeu seus pensamentos, a tempo de ver Márcia se esquivar para frente, movida pela força demoníaca. A garota estava a um passo do despenhadeiro.
     Então, o anjo da guarda, começou a bater suas asas freneticamente, criando ventos fortes que empurravam-na para longe do precipício. Porém, a entidade persistia. A cada dois passos pra trás, dava-se um novo passo à frente.
      Neste momento, travou-se uma guerra entre as forças do bem e do mal. Leonardo e os anjos auxiliadores batiam suas asas e enviavam forças à Márcia, enquanto os espíritos maus contra-atacavam. A guerra cessou quando a garota caiu desacordada na pista.

sábado, 28 de setembro de 2013

[Parte 2] Entre céu e Terra.


- Renata

      Renata, era a mãe de Márcia e sempre cuidara da filha muito bem. Era do tipo “mãe coruja”. Quando aconteceu o momento de possessão pela primeira vez, sentiu-se desolada. Mas lutou com unhas e dentes para salvar a alma da filha. Pediu auxílio aos padres da região e após muitas orações, o exorcismo fora feito.
      Naquele dia, ao sair do supermercado, chegou a tempo de ver sua filha no carro descontrolado. Ao visualizar a diferença na postura de Márcia, logo percebeu o que estava acontecendo.
      Largou as compras no chão e entrou no táxi mais próximo. Seguiu o carro desgovernado de longe e o viu parar.
      Decidiu ligar para o Padre Sérgio, a fim de recrutar os antigos exorcistas.
      Enquanto esperava a ajuda chegar, observava sua verdadeira filha em um “diálogo” com a entidade. Entendeu que parte da alma de Márcia, ainda estava naquele corpo. Soltou um suspiro de alívio e suas esperanças se renovaram.
       Renata iniciou uma prece, a fim de pedir que sua filha fosse protegida. Então, raios passaram a cair no barranco que dava na floresta, redemoinhos  se formaram e uma chuva torrencial desabou.
       Amedrontada, a mãe de Márcia sentiu uma emoção estranha e ouviu uma voz desconhecida do alto que dizia: “Afaste-a do precipício. O espírito deseja a sua morte para tê-la nas profundezas.”
        Extasiada, Renata não sabia se acreditava no que lhe fora dito, mas sentia naquelas poucas palavras, um grande conforto.

sábado, 21 de setembro de 2013

[Parte 1] Entre céu e Terra.


- Márcia

      Márcia estava no banco do passageiro, esperando sua mãe voltar do supermercado, quando ouviu os primeiros indícios de que o seu pesadelo iria voltar. As luzes começaram a se apagar, o vidro do carro subia e descia incontrolavelmente. A garota tentava abrir a porta, mas ela permanecia trancada.
      O desespero tomava conta de seu rosto, seus olhos derramavam lágrimas à espera do arrebate. Repentinamente, um homem alto surgiu no estacionamento e seguiu na direção da menina. Seus olhos eram inexpressíveis,  porém, a ira era tamanha, que podia-se ver o seu corpo em chamas. O desconhecido parou em frente ao carro, colocou as mãos no capô e mirou fixamente para Márcia.
      A garota, se defendia , cerrando os olhos e tentando não abri-los. Contudo, foi em vão. A força daquela entidade maligna, a qual usava o corpo de um humano, fê-la  se remoer de dor, até que seus olhos abrissem. E então, o espírito passou a habitar mais uma vez o ser de Márcia.
      Seus olhos perderam o brilho e cederam lugar à cor negra. Seu corpo era contorcido e invadido pela entidade. Seu vestido branco fora rasgado, sua mente deturpada.
      No passado, Márcia fora brutalmente possuída pela entidade, duas vezes. Uma na infância quando tinha 9 anos e a outra aos 15. Após a última possessão, a garota pensava que sua alma estava livre do mal eterno, porém, o espírito era, agora, o seu dominador novamente.
      A entidade coordenava seus movimentos e seus pensamentos. Seu comportamento era visivelmente anormal e incontido. 
     Comandada pelo espírito, Márcia pegou a chave a do carro, ligou-o e dirigiu de maneira desenfreada pela rodovia. Realizava ultrapassagens perigosas e deixava rastros de fogo por onde dirigisse. 
     Depois de percorrer as ruas durante um tempo, a garota foi obrigada a parar em uma estrada, que abria passagem para um lugar alto, semelhante a um barranco.
     Márcia desceu do veículo e se pôs a observar o despenhadeiro.  


sábado, 14 de setembro de 2013

Julgamentos à parte.



    Definitivamente, o ato de julgar não é nada vantajoso.  Emitir um julgamento a alguém (neste caso, falarei particularmente das pessoas), sem conhecer ou saber o que se passa dentro de seu interior, é de uma superficialidade tremenda.
    Tarefa difícil essa, para nós humanos, errantes que somos. Nós que estereotipamos e rotulamos a todo o momento. Ainda mais em uma sociedade que está afundando em valores “desconhecidos”, como a nossa.
    Desde que comecei a estudar Psicologia, precisei conviver um pouco mais com a tal da empatia. O que é complicado, porque, atualmente, somos extremamente individualistas. Na contemporaneidade é o individualismo que reina.
    Contudo, comecei a ver o outro de uma forma mais singular. E com o passar do tempo, tentei transformar (embora eu tenha conseguido poucos avanços) o meu olhar de julgamento em mero coadjuvante. É preciso exercitar maneiras de descobrir a história de um indivíduo antes de aponta-lo segundo a “moral da sociedade”.
    A verdade é que tudo tem um motivo. Qualquer característica que esteja cravada em sua personalidade, seja ela boa ou ruim, não aconteceu por acaso. Nós somos constituídos por uma história, a qual segue nos moldando, até o último dia de nossas vidas.
    Portanto, meu caro, procure não julgar, antes de saber o que está por trás daquele ato/palavra/sentimento. Há muito mais do que os seus olhos podem ver, há muito mais do que a sua percepção pode admitir.
                        
                                  “Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração”. 

sábado, 7 de setembro de 2013

Marcela.


     Marcela era uma mulher íntegra, encantadora, batalhadora e cativante. Seu principal adjetivo era ser decidida. Tomava decisões em quase todos os assuntos que lhe envolviam, exceto um.  Há muitos anos se apaixonara e desde então, conhecera o sofrimento. Embora soubesse da incompatibilidade do romance, permanecia batendo na mesma tecla.
     Desde que iniciou sua história de amor, manteve-se presa, ora de uma forma, ora de outra. Hoje, é aprisionada por cordas do passado, envoltas em seus pulsos. Cordas que lhe impedem de alcançar a superação. Marcela sempre as leva, por onde for, e segue arrastando-as pelos cantos.
     Durante muito tempo, Marcela  deixara passar oportunidades de ser feliz e pessoas que estavam dispostas a compartilhar uma vida inteira ao seu lado. Sempre nostálgica, regressava às lembranças e encontrava as mágoas escondidas em seu ser. Mágoas que se convertiam em medo: medo do “não”, medo de arriscar, medo de sofrer novamente, medo de permitir, medo, medo, medo...
     Em uma noite estrelada, a morena resolveu visitar o parque de sua cidade. Estava com os “sintomas” de sempre e precisava colocar os pensamentos em ordem. Caminhou pelo local por alguns minutos, admirando a essência da natureza. Então, decidiu sentar-se na grama verdinha e observar o brilho das estrelas. Marcela estava distraída, quando sentiu alguém lhe tocar o braço. Assustou-se e no mesmo instante, virou-se para trás. Deparou-se com um homem alto, e os olhares de ambos se encontraram. Ele estendeu a mão e se apresentou:
    - Olá, meu nome é Paulo. Posso me sentar aqui?
    Marcela fez uma careta, franziu o cenho e após pensar por um momento, balançou a cabeça com relutância e disse:
   - Sou Marcela.
   Nas horas que se seguiram, os dois conversaram incessantemente e a morena conseguiu até esquecer que carregava as cordas no pulso. Paulo se ofereceu para leva-la em casa. Àquela altura do campeonato, Marcela só queria aproveitar cada segundo perto daquele homem tão intrigante, a ponto de fazê-la deixar o que passou para trás.
   Ao longo das semanas, o contato entre eles, apenas se estreitava. Encontravam-se dia após dia, porém, ainda assim Marcela dizia não estar preparada para se entregar e reescrever sua história. Apesar de Paulo lhe proporcionar o carinho, apoio e cuidado de que ela precisava, não era o suficiente. Nada podia suprir aquele “amor corrosivo”.
   Meses mais tarde, a situação continuava semelhante. Marcela mantinha suas cordas intocáveis, assim como, seu coração. Sentia um frio na barriga ao ver Paulo, suspirava por seu sorriso, desejava a sua presença, no entanto, acabou perdendo-se nas garras de sua própria “proteção”.
   Por fim, Paulo não aguentou. Desistiu. Passou a viver a sua vida, sem Marcela.
   Dois anos posteriores ao rompimento, Paulo estava com sua namorada, tentando ser feliz, embora não tivesse esquecido completamente a morena. Marcela, persistia sozinha, reclusa e presa.
   Até que, em uma quinta-feira pela manhã, Marcela recebeu uma notícia avassaladora. Seu antigo amor, iria se casar. A morena pensava que Clóvis, também não viveria sem ela, mas estava enganada.
   Chorou copiosamente por horas a fio. Depois, levantou-se da cama e se perguntou: O que eu fiz da minha vida esse tempo todo? Onde está o progresso?
   Abriu a janela do quarto e mirou o sol se pondo. Colocou as mãos no vidro, mordeu o lábio inferior e soltou um grito que estava abafado em seu interior. Estava decidida, iria mudar, ou também perderia o único alguém que a amou de verdade: Paulo.
   Fora até o trabalho de Paulo, mas não achou-o. Disseram-lhe que ele estava viajando a negócios.
   Passaram-se 15 dias e a inquietação da morena só aumentava. Como ela podia ter ficado com os olhos tapados, enquanto a vida escorregava pelos seus dedos? Como ela não reagira?
   Seus devaneios foram interrompidos pelo toque do celular. E foi ali, que a sua transformação realmente aconteceu. Soube que Paulo tinha sofrido um acidente de carro e não havia resistido. A partir daquele dia, a dor da perda, lhe ensinou que a vida é curta demais, para deixar de tentar.

“A vida é um redemoinho de emoções, que uma hora ou outra, nos pregam peças. Emoções que precisam se dissipar após uma ruptura. Emoções que precisam ser deixadas para trás e ceder lugar às novas. Emoções que necessitam contemplar  e curtir o presente, para enfim, construir um futuro. ”


sábado, 31 de agosto de 2013

Fanatismo.

 
     O fanatismo pode ocorrer em qualquer período da vida e possui variações, desde o fanatismo religioso até o fanatismo por pessoas públicas. Considerando a imensidão deste tema, decidi enfocar no fanatismo dos adolescentes por pessoas públicas, que é recorrente no mundo pós-moderno.
     Quando estamos na adolescência procuramos “figuras” a quem possamos nos espelhar, para depositar as nossas emoções e expectativas. É comum (mas não, regra) que os adolescentes em geral, coloquem sua admiração em uma pessoa pública. Acredito até pelo fato, dos meios de comunicação serem mais palpáveis e de fácil acesso.
     Comigo não foi diferente. Acredito que fui uma adolescente muito “igual” e tive um processo de desenvolvimento semelhante ao que a maioria passa.  Neste meio tempo, experimentei o fanatismo.
     Acabamos criando um laço muito forte com o ídolo, a ponto de realizar loucuras por ele. Idolatramos como se a pessoa fosse perfeita, quando na verdade, não é. É certo que na adolescência, a imaturidade auxilia nesta situação, mas chega a um ponto, que amadurecemos e rompemos com o fanatismo. Passamos a ser fãs “normais”, isto é, tiramos às vendas, abolimos a cegueira e reconhecemos que o nosso ídolo é uma pessoa, que tem defeitos como todos nós. E assim, o ato de “endeusar” anuncia o seu fim.
      Atualmente, sou fã sim. Não deixei de ser. Apenas abri mão do fanatismo.  Muitos dizem que ser fã é perca de tempo, no entanto, penso diferente.
      O ídolo é uma pessoa comum, com quem podemos aprender e colocar em prática o que foi aprendido. O ídolo pode nos oferecer valores, ter suas qualidades e repassar aos seus fãs. E um fã, pode seguir como modelo as atitudes benéficas de seu ídolo.
      Como todo e qualquer assunto, há também seus pontos negativos. O fã pode ser manipulado por tudo o que diz/faz o ídolo. O fã pode ser influenciado por discursos e passar a cometer ações, apenas porque foram ditas por seu ídolo. O fã pode perder o sentido da própria vida, em razão da vida de seu ídolo.
      Já na face dos artistas, existem aqueles que se expõem excessivamente, o que pode causar transtornos. Existem aqueles que utilizam de sua imagem, para induzir os fãs, a terem ideais como os deles. Existem ainda aqueles que só pensam na fama e no dinheiro e realizam qualquer ação, para lucrar em cima de seus fãs.
      O fato é que, tanto o fã quanto o ídolo, se abusarem do “poder”, podem se prejudicar mutuamente. É o excesso que causa o desconforto e como diz aquela frase clichê (porém adequada): Tudo em excesso mata.
      Portanto é preciso saber distinguir o ser fã e o ser fanático. É preciso compreender esse abismo que há entre essas duas condições. É preciso ter bom senso, é preciso ser racional e se colocar no devido lugar. É preciso ver seu ídolo como pessoa. É preciso ser imparcial, quando ele faz algo errado. É preciso parar de defender um hipócrita ou mau caráter, só porque você o ama. É preciso olhar para a verdade. É preciso perceber o que irá e o que não irá te acrescentar.

domingo, 25 de agosto de 2013

Esclarecimentos.



      As vezes, de forma repentina, a vida te dá uma rasteira. O que parecia "imutável", vira de cabeça pra baixo. Em alguns desses momentos, a maré boa tende a surgir, mas em outros, a maré surge de mansinho e te engole aos poucos. 
      Em toda a minha vida, a maré de azar pareceu se sobressair. E eu não imaginava que a minha "sorte" pudesse se transformar do dia pra noite. 
      Comecei a namorar, pela primeira vez. Consegui um estágio remunerado na minha área. Tenho saído com os amigos pós-faculdade. Deixei todos os meus traumas passados lá atrás. Coloquei um ponto final nas histórias mal acabadas. E enfim, hoje tenho estado feliz. Talvez eu só precisasse mesmo, mudar a minha forma de ver o mundo, para que o meu entorno também mudasse.
      Pois bem, nesses últimos dois meses, sei que não tenho tido tempo para o blog. O tempo que gostaria para ler aqueles textos inspiradores, que deixam meu espírito mais calmo. Com toda a certeza, isso me faz uma falta muito grande. Mas, ainda não consegui me adequar a esta rotina conturbada, a qual, a vida me inseriu.
      Como sempre explicito, além dos pontos positivos, toda a situação também tem seus pontos negativos.
      E em meio a esta euforia, acabei tendo que abrir mão de alguns dos meus momentos de lazer, os quais, gostava bastante. Ler, escrever, facebook, dormir... É, parece que isto não me pertencerá mais, por um tempo! 
      Tenho entrado pouco na blogosfera. Faço o que posso para ler os meus blogs favoritos, quando tenho um tempinho, contudo, está complicado. 
      As postagens (em massa, eu diria) estão programadas até Novembro, porque eu imaginava que o tempo um dia fosse se tornar meu inimigo. Então, o blog não ficará parado. Vocês poderão continuar me lendo.
      Em relação ao meu ato de lê-los, peço desculpas pela minha ausência. Quando puder, irei me retratar.
      No mais, é isso pessoal. Espero que fiquem bem e esperem minha volta.

"Hoje o tempo voa amor, escorre pelas mãos."

sábado, 24 de agosto de 2013

Exaustão.

 

     Sentimento de exaustão. Frases repetidas. O mundo dá voltas, mas continuo a parar no mesmo lugar. Os ponteiros do relógio completam o seu ciclo, porém o vício permanece. Essa demora é um desatino. Essa espera é a fonte de minha vulnerabilidade.
     Lutar, sonhar, fantasiar, imaginar, pensar e perceber a ilusão que está diante de si mesma. Arriscar não faz mais sentido, quando o universo está conspirando contra o seu empenho.  A sua determinação torna-se arredia e sem valor.
    Vivendo o presente, sem projetar o futuro. A tal esperança de dias melhores caiu por terra.
    Talvez as forças tenham se exterminado. Ou talvez seja questão de tempo, como muitos dizem. Mas e o meu tempo? Será quanto tempo ainda me resta? É indefinível, é incerto.
    O que é pra ser? O que o destino me resguarda? Quando deixará de ser platônico e se tornará real? Até quando ouvirei o discurso de ontem? Até quando a maré inundará meus sentidos?
    Enquanto os fatos confirmam as minhas pressuposições, a fagulha da decepção está pronta para me esmagar novamente. Fagulha que se aproveita de meu cansaço, meu desgaste e minha fraqueza.
    E assim se escreve a minha busca por amor, por amar, por ser amada. Quiçá um dia, decretarão o fim da minha (in)terminável procura.

sábado, 17 de agosto de 2013

[Parte 2] Felinópolis.

 

      Na quinta pela manhã, Jéssica procurou seu gato pela casa inteira, mas não o achou.  Uniu-se aos meninos, com lágrimas nos olhos. Contou-lhes o ocorrido e perguntou-lhes se alguém sabia do paradeiro. Ninguém tinha informações.
      Chateada, contudo, esperançosa, Jéssica chegou em sua casa, na expectativa de encontra-lo. Porém, frustrou-se.
      Os dias se seguiram e Jéssica permanecia trancada no quarto. Não conversava com seus amigos. Mas, o que Jéssica não sabia, era que Pedro e Márcio, estavam na mesma situação que ela. Seus gatos também haviam desaparecido.
      Lívia, temerosa em perder seu gato, convocou uma reunião com a turma. Disse-lhes que havia algo errado e que o desaparecimento dos gatos poderia ter uma relação com a casa branca.
      Foram na delegacia da cidade e convocaram o delegado. Contaram-lhe a história. O delegado Herman estranhou, pois já havia se deparado com estas informações antes. Decidiu ir até a casa, na noite seguinte.
      Ao anoitecer, Mr. Herman partiu para sua missão. Visualizou pela janela, peles de gato penduradas na parede. Logo, descobriu o crime.
      Invadiu a casa e prendeu-os. Doutor Jhonatan era um veterinário maluco que há muito tempo estava sendo procurado pela polícia. Ele realizava experimentos em animais vivos e depois retirava a pele, para comercializar. Sua assistente, Fabiana, era na verdade uma prisioneira. Os dois namoraram por algum tempo e quando a mulher descobriu o que Jhonatan fazia, quis separar-se dele. No entanto, o psicopata não permitiu e fê-la de escrava. O grito daquela noite era dela. Jhonatan obrigou-a a assistir seu show de horrores, a fim de tortura-la.
      Embora bastante entristecida, a turma de Lívia ficou reconhecida em toda Felinópolis, por ter auxiliado a desvendar o mistério dos gatos.
       No fim, Jhonatan foi preso, Fabiana libertada e as crianças receberam novos gatos de presente do Mr. Herman. Houve tempo, de participarem da corrida, na qual, o recente companheiro de Jéssica, levou a vitória.