domingo, 26 de outubro de 2014

Doar-se ou doer-se?


      Nós quase sempre deixamos escapar pelas mãos, aquilo que nos faz pulsar o coração. Somos temerosos o suficiente para buscar o que queremos, inseguros o suficiente para lutar pelo que não temos, tolos o suficiente para esconder sentimentos e errantes o suficiente para abrir mão do que nos torna realmente humanos.
     Onde encontrar o amor? É uma de nossas primeiras indagações. Contudo, o mais adequado seria: “O que fazer para que o amor permaneça?”. Para encontrá-lo é uma luta, mas para mantê-lo é uma vida.
   Muitos se deparam com a palavra “amor” e são impedidos de entendê-la ou senti-la.   Poucos são os que se arriscam, com a cara a tapa, para ter esse prazer deslumbrante. Alguns falam, contudo não sabem o que dizem. Outros são incrédulos, talvez porque nunca tiveram o doce gosto de amar e ser amado.
    O amor dispensa apresentação, explicação ou significado. Pelo contrário, requer exclusivamente sentimentalismo. Afinal, de que adianta amar se não nos doarmos? De que adianta amar se não nos valorizarmos?
    Tal sentimento encontra-se vinculado à dor, não porque amar é sinônimo de sofrer, mas porque nós, imperfeitos como somos, acostumamos a optar pelo caminho menos danoso. Porém, quem garante que este caminho irá nos trazer a felicidade tão ansiada?
      Portanto, não sejamos incompetentes ao amar, mas sim corajosos e determinados o bastante para nos jogarmos nesse emaranhado de emoções. 

domingo, 19 de outubro de 2014

[Parte 2] Rosas do Destino.


       Na noite seguinte, Adriane saiu para um show no barzinho mais próximo de sua. Quase no fim da festa, avistou Thiago e Camila. Thiago recebeu uma ligação, que deixou Camila extremamente enciumada. A briga havia começado. Thiago saiu transtornado e deixou Camila sozinha. A menina se pôs a chorar copiosamente e decidiu ir ao toalete. Adriane percebeu que era a hora de agir. Colocou uma flor cor-de-rosa na cadeira próxima à de Camila que significava o romantismo, a ingenuidade. Ao chegar e se deparar com a flor, Camila pegou-a, abriu um largo sorriso e foi procurar Thiago. Após a entrega da flor com toda a sua simbologia, os dois resolveram conversar e finalmente se entenderam. Adriane pensava consigo mesma: “mais uma missão cumprida!”
     Essas situações se repetiram por algum tempo e Adriane conseguia cada vez mais êxito, seja a curto ou longo prazo. Era incrível como um objeto carregado de símbolos e afeto poderia mudar o destino das coisas.
   Certo dia, Adriane estava no shopping e avistou um casal lésbico em discussão. Maria e Carla, já estavam juntas há 5 anos, mas Carla não sentia mais o mesmo pela companheira. Decidiu romper para evitar maiores danos futuros, contudo Maria não conseguia entender, já que a amava incondicionalmente e unilateralmente. Carla não queria mais delongas, saiu e deixou Maria em desespero.  Carla dirigiu-se para o estacionamento e Adriane foi atrás. Esperou Carla abrir o carro para entrar e deixou uma rosa branca, que significa recomeço, no capô. Carla avistou a flor, mas não se moveu em direção à ela, apenas foi embora.
    Adriane voltou para o shopping e encontrou Maria extremamente abalada, decidiu aproximar-se e tentar conversar com ela, para reverter a situação. Maria precisava de um ombro amigo e não se importou em ser ouvida por uma desconhecida. Adriane encorajou a moça em ir atrás da amada, mas no fundo Maria tinha consciência de que o seu amor não era mais recíproco. Antes de ir, Adriane entregou-lhe uma rosa vermelha, para que ela se renovasse e procurasse uma nova paixão.
     Dias depois, em um desses encontros casuais, as duas se esbarraram no cinema. Então, depois de muitas conversas, contato e encontros, Adriane sentiu reacender aquele sentimento que ela não mais conhecia, sendo correspondida por Maria. No fim, o destino encarregou-se de colocar as rosas nos seus devidos lugares, de entrelaçar o caminho de duas almas solitárias e perdidas.


domingo, 12 de outubro de 2014

[Parte 1] Rosas do Destino.


     Desde que perdeu sua namorada, brutalmente assassinada, Adriane nunca mais abriu lugar para o amor em sua vida. Vagava pelas ruas, sozinha, mirava os casais apaixonados e pensava que aquilo não aconteceria com ela novamente. Tornou-se uma pessoa reclusa, embora adorasse ver o romantismo e a felicidade alheios.
       Certo dia, em um de seus passeios solitários, avistou um casal brigando no centro do parque. Eles eram muito rudes um com o outro e estavam se machucando a cada minuto que passava. A menina então resolveu ir embora e deixou o namorado sentado no banco da praça. Naquele momento, Adriane sentiu que precisava fazer algo por aquele casal.  Tiraram-na sua amada tão cedo, assim ela não queria que os outros deixassem ir embora quem amavam, por motivos banais.
       Sentou-se ao lado do rapaz e perguntou-lhe:
        - Você ainda a ama?
      - Então você estava bisbilhotando a minha vida? – respondeu o rapaz, grosseiramente.
       - Apenas responda a minha pergunta, jovem – frisou Adriane.
     - Sim, a amo, mas ela não me entende, não me aceita como sou, não perdoa meus erros  – disse o rapaz, cabisbaixo.
       - Se a ama, o que está esperando? Vá atrás de sua amada!
       - Por que eu deveria? – perguntou-lhe pensativo.
      - Porque as horas passam rápido demais, rapaz. E os minutos estão se esgotando, enquanto você está aqui parado, ela deve estar chorando em um canto qualquer. Aproveite cada milésimo de segundo ao lado de quem ama e seja feliz enquanto é tempo.
      O rapaz, então, levantou-se e correu para uma loja que estava em frente à praça, comprou uma rosa esverdeada, que significa esperança e foi atrás de sua amada.  Ao alcançá-la, entregar-lhe a rosa e o pedido de desculpas, a namorada abraçou-o e os dois se beijaram ternamente. Adriane seguiu-o, observou o desfecho e sentiu uma emoção enorme ao presenciar a felicidade que ela sempre sonhara. A partir deste dia, decidiu reunir casais que estavam passando por momentos turbulentos.