terça-feira, 20 de novembro de 2018

Conjugar.




Ela é sentimento terno,
o meu solstício de inverno,
a minha certeza do eterno.
É a minha segurança,
o meu filete de esperança,
a minha perpétua aliança.
É a expressão de calma,
que transcende a minha alma,
em um êxito de palma.
É a melodia da minha canção,
o pedido da minha oração,
a dona do meu coração.
É a presença em amplitude,
com toda a sua quietude,
minha infinita completude.
É amar incondicionalmente,
ser o refúgio da minha mente,
e compartilhar o tempo presente.
É a minha história do futuro,
em um relacionamento maduro,
entregue de coração puro.
É o desejo em imensidão,
o vigor da minha paixão,
a minha escolha na multidão.
É o sinônimo de amor,
com ímpeto sedutor,
e um sorriso encantador.
É o verbo transbordar,
com quem posso conjugar,
e chamar de meu lar.

sábado, 4 de agosto de 2018

Angústia dicotômica.



E de repente você ama. A vida te pega de surpresa em um curto espaço de tempo, sem avisar, consultar ou informar, enquanto não era o seu real desejo. Você ama de forma inesperada, dia após dia, nos pequenos detalhes. Você ama sem culpa, de forma leve, intensa, pura e completa. Aquela sensação te transborda e te leva a ter emoções inimagináveis ao lado de alguém. Você tem a certeza de que ela é o amor da sua vida, porque possui todas as qualidades e os defeitos que um dia você idealizou no outro. Ela te faz bem e feliz na maior parte do tempo. Ela te ama, te valoriza, te reconhece. É compreensiva, companheira, carinhosa, madura e sua! Todavia, você se encontra em uma situação semelhante e já vivida anteriormente a qual te amedronta por inteira. Você sente medo de que a história se repita, de que o ciclo volte, de que ela não consiga admitir a relação de vocês e continue negando o seu eu interior. Sente medo pois apesar da imensidão do sentimento de ambas, ela pode preferir não enfrentar e te deixar, tal como outras pessoas o fizeram no passado. Medo de que ela não seja forte o suficiente para esta luta, mesmo que você prove diversas vezes que está e estará lá, segurando a sua mão. Você fica temerosa, porém, ao mesmo tempo, sabe que ela não deve ser julgada por isso, uma vez que as consequências de “sair do armário”, não são nada fáceis.
Através destas palavras tento expressar a minha angústia dicotômica entre amar e ser amada, mas não ser assumida na vida de alguém. Por vezes o medo me paralisa, distancia, sufoca, cria muros de proteção e me faz querer fugir. Em contrapartida, o amor, a vontade e os planos de ter um futuro ao lado dela me fazem permanecer. A partir deste contexto, reflito sobre quantas vezes mais precisarei viver sob tais circunstâncias por amar alguém do mesmo sexo que o meu, quantas vezes mais terei que guardar o que sinto no esforço de não machucar quem eu amo, quantas vezes mais terei que amar e me reprimir... É doloroso pensar que você ama alguém e recebe reciprocidade, mas devido às questões sexuais impostas pela sociedade não podem viver como um casal considerado “normal”.
Como lidar com o fato de que, devido a tanta repressão social, a sua amada não se aceita totalmente como o ser lindo que é, apenas por ser homossexual? Como lidar com a condição de não ocupar o lugar de namorada na vida dela em todos os sentidos? Como ser compreensiva a tal ponto, quando a sua vontade interna é gritar aos quatro cantos do mundo que você a ama? Como viver escondida ao lado de quem se ama e ainda ser justa consigo mesma após você ter se empenhado tanto para conseguir a sua liberdade? Como não poder expressar todo esse sentimento de amor? Como a sociedade pode ser tão preconceituosa?
Imersa nessas perguntas, me calo, pois ainda não encontrei as respostas...


terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

A arte de adiar.



           Amanhã, depois, outro dia, outra hora... Temos o costume de deixar tudo para o futuro, porém, sem termos a garantia de que o amanhã chegará. Perdemos oportunidades, momento, instantes, amores, afetos, porque estamos aprisionados aos padrões sociais, que, frequentemente, nos são impostos e despertam o medo do fracasso/rejeição.
A fim de fugir do temor da falha e de tamanha exigência social, recorremos à procrastinação. De acordo com o significado no dicionário, procrastinação entende-se pelo “ato ou efeito de procrastinar, adiamento, demora, delonga”. Sob a minha perspectiva, a definição de procrastinar compreende a arte de adiar ou evitar situações que nos causam receio. A fim de amenizar este medo, a instância psíquica do inconsciente insere o comportamento da procrastinação como alternativa para o não enfretamento das circunstâncias que nos causam estresse.
O fato é que a procrastinação é mais um mecanismo de defesa exposto pela nossa mente na tentativa de não nos depararmos com a realidade tão castradora/frustrante. Nesse sentido, retornamos à premissa de que ao deixarmos de encarar o que nos amedronta nos tornamos reféns da incerteza do futuro, o qual, não podemos controlar.
Neste cenário, acredito ser válido nos questionarmos sobre quantos desejos postergamos? Quantas pessoas deixamos partir? Quantos instantes de felicidade nos abstemos? Quanto do nosso presente se esvaiu e escorreu por nossas mãos? Quantos desafios nos negamos? Quantos beijos, abraços, olhares nos restringimos? Quantos arrependimentos existirão? E se o futuro não mais existir? Você terá realizado ao menos metade de suas conquistas? Terá feito a maioria da suas vontades? Pensemos e reflitamos para aproveitarmos cada milésimo de segundo das nossas vidas. Façamos a vida valer a pena, deixemos de existir e sobreviver e passemos a viver intensamente, porque a vida se baseia em correr riscos constantemente.



domingo, 28 de janeiro de 2018

Amar: exercício diário.


Sempre ouvimos falar de amor desde muito cedo na infância até a vida adulta. O discurso costuma ser movido pela ideia fantasiosa de que tal sentimento está inteiramente ligado à felicidade, de maneira simples. O fato é que, à medida que amadurecemos, nossa percepção sobre o amor é alterada, ora por decepções, ora pelo próprio crescimento do ser. Há aqueles que nunca vivenciaram a essência do que é amar, há aqueles que perdem a esperança no amor após experimentarem a frustração e há aqueles que vivem buscando ressignificar o sentido desta palavra. Pois bem, faço parte deste último grupo.
Amar é difícil. Sim, difícil. É dispendioso, e, por vezes, até doloroso. Discordo daqueles que acreditam na frase “o amor não machuca”. Pode machucar sim, pode abrir feridas, porque, afinal, somos humanos e, consequentemente, falhos. Erramos assim como o outro também erra conosco. Cabe a cada um examinar o seu interior e analisar se é possível perdoar ou não. Não adianta dizer que perdoamos quando aquela dor se torna latente e está sempre presente, ou quando nos sentimos obrigados a perdoar, ou quando colocamos os desejos do outro acima dos nossos.
Amar é uma via de mão dupla, é quando ambos os lados cedem, crescem e se ajustam um ao outro de forma conjunta. É quando aquele defeito que tanto nos incomoda no outro se torna pequeno, porque você conseguirá lidar com ele de forma saudável e vice-versa. Amar é planejar, construir sonhos juntos e concretizá-los. Amar é doar-se na medida certa. Amar é estar disposto a encontrar a saída de um labirinto frente às dificuldades ao lado de quem se ama. Amar é estar presente em qualquer circunstância. Amar é ter empatia, é saber compreender, ouvir, conversar, entender. Amar não é sinônimo de felicidade plena, mas sim, de diversidade e de aprendizado. Amar é conseguir o equilíbrio com o seu parceiro. Amar é manter uma relação tranquila, é não se sentir sobrecarregado por estar com aquela pessoa. Amar não é tentar mudar o outro, é despertar nele o desejo de mudança para manterem uma relação benéfica. Amar custa energia. Amar é trabalho diário, desde pequenas a grandes ações. Amar é se reconstruir com o outro todos os dias. Amar é também ter amor próprio e saber a hora de utilizá-lo na relação. Amar é ser forte, é estar disposto a vencer um leão por dia. Amar é para aqueles que gostam de lutar, que se deliciam pelos desafios de um relacionamento amoroso, de estar com um outro tão diferente de você e encontrar formas de aceitar o que for aceitável, de abraçar a sua história e de apoiar nas alterações que são necessárias. Amar é levantar um edifício a dois, é exercício diário.   

sábado, 20 de janeiro de 2018

Admirável ser.


Destemida. Sim, essa é a primeira palavra que surge na minha mente quando lembro de você. Com pouca idade e tamanha carga emocional, a ponto de apresentar-se pronta para enfrentar todas as adversidades que a vida nos proporciona.  Você é aquela que se arrisca e se joga no abismo, se assim for preciso, com a certeza de que encontrará alguma forma de dar a volta por cima e solucionar o problema. Você é alguém cuja a força é visível e inquestionável, porém, no lugar mais profundo do seu ser esconde a sete chaves o seu calcanhar de Àquiles, o qual vez ou outra expressa sua fragilidade.
Você é aquela tão admirável “dona de si”, segura do que faz e quer. Determinada a alcançar os seus sonhos/objetivos e disposta a se empenhar até o limite para tal.  Mulher decidida que possui uma visão madura e racional sobre suas escolhas. Aquela que, diante dos percalços de sua história, conseguiu se reinventar e se tornar uma pessoa maravilhosa. Aquela que celebra a liberdade de ser ela mesma.
Você desperta o interesse, a todos que estão ao seu redor, de decifrá-la e estimula a vontade de conhecê-la. Sua personalidade forte carrega características marcantes e perceptíveis aos olhos alheios, porém ainda existe uma parte oculta e diferente do que você aparenta. Talvez você ainda não a tenha descoberto, ou talvez ela esteja tão protegida que se torne inacessível no momento, mas, acredite, garota, eu posso enxergar sua doçura, intensidade, sentimento e emoção.
            Você é aquela com quem aprendo diariamente, nos pequenos gestos ou conversas. Aquela que me fez acreditar na possibilidade de descobrir a minha força, por perceber o quanto és forte. Aquela que tem feito a diferença na minha vida, em um momento tão conturbado, sem ao menos saber (inclusive, obrigada por isso). Aquela cuja a amizade faz o meu dia ser mais significativo. Aquela que me faz rir, que tem o sotaque arretado e que eu adoro ouvir. Aquela que me faz bem, que desejo ter por perto e cultivar o apego (mesmo que você seja resistente a ele). Aquela a quem conheço há pouco tempo, mas o suficiente para expressar nessas singelas palavras.   .   

domingo, 14 de janeiro de 2018

Permita-se.

                      

Ela se esconde na tentativa incessante de proteger o seu eu. Demonstra-se forte, inabalável, mas no fundo, encontra-se cansada. Cansada de remoer mágoas, do sofrimento diário, de lembrar que amou alguém e foi despedaçada. Profere aos quatro ventos que não acredita mais no amor, que o amor não pertence a ela e nunca pertencerá, contudo, está sempre com um livro de romance nas mãos. É teimosa, racional e persiste em provar aquilo que diz, porém no final sabe que o destino se encarregará de contradizê-la.
É mulher de sorriso encantador e olhos apaixonados, é menina na qual permanece viva a sua criança interior. É o misto de sentimentos, de ambivalência e ambigüidade. É aquela que está sempre lutando consigo mesma no combate entre razão e emoção. Não deseja amar, mas ama. Não deseja se emocionar, mas emociona. Deseja a frieza, a racionalidade e os dias cinzas, mas as cores sempre retornam a ela.
Garota, só quem te conhece de verdade, sabe te perceber tal como és. Não tenha medo de amar novamente, a vida é para se reinventar a cada decepção. Viver é uma linha tênue entre riscos e oportunidades. É uma caixinha de surpresas, é equilibrar-se, remendar-se e transformar-se o tempo todo. Permita-se transbordar mais uma vez. Permita-se fazer jus ao brilho dos teus olhos. Permita-se estar aberta ao desconhecido que a vida pode lhe oferecer.

domingo, 7 de janeiro de 2018

Chuva torrencial.


       Chove torrencialmente lá fora, assim como aqui dentro do meu ser. Chuva de emoções ambivalentes, de sofrimento e angústia. Chuva de sentimentos que transbordam em meio a lágrimas reprimidas.  Chuva que não se deixa transparecer, que é disfarçada feito dor interna. Chuva que é percebida apenas pelo meu ego e é maquiada aos olhos alheios. Chuva que, de forma ilusória, demonstra ser sol perante os outros. Sol fictício que faz morada em um sorriso de dentes amarelados. Sol que é escondido pelas nuvens quando o pensamento em você regressa.  Sol que, então, volta a ser chuva a desabar.