sábado, 31 de outubro de 2015

Angústia de vida.


Quando não se enxerga o futuro,
quando não há um caminho seguro,
quando não há mais motivação,
quando não se encontra solução,
quando a sua vida é dispensável,
quando não há pensamento saudável,
quando não há razões para permanecer,
quando um fim deseja ter,
quando não há porquê escolher,
quando só o que resta é sofrer,
quando se quer desistir,
quando se quer deixar de existir...

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Melancolia: boa e velha companheira.


Muitas vezes, fui julgada (e ainda sou) por deixar com que a boa e velha melancolia me rodeie. Contudo, pra falar a verdade, ela faz parte de minha excentricidade e reprimir algo tão presente, a ponto de me estruturar, é negar o que realmente sou.
A maioria das pessoas acredita que a melancolia é o mesmo que depressão. Antigamente, realmente era. Freud utilizava o termo melancolia como sinônimo de quadros depressivos. No entanto, com o passar dos anos notou-se controvérsias entre esses dois aspectos da personalidade.
Ao contrário do que pensam, a melancolia é atraente sob o meu ponto de vista. Gosto da maneira como ela me faz sentir, gosto de escutar músicas que convocam o lado mais sombrio do meu ser, gosto de ver filmes que trazem o meu lado emocional à tona, gosto de ler textos que fazem ressurgir a escuridão melancólica do meu peito.
É claro que, como todo e qualquer estado do ser, a melancolia também demonstra seu lado negativo. Há um sofrimento contínuo, o qual não existe explicação, mas caminha junto com o melancólico, ao longo do tempo.
A tal da melancolia, tão criticada, me dá a sensação de peculiaridade, de me fazer sentir diferente. E àqueles que insistem em dizer que tenho que me livrar dela, estão redondamente enganados...

A melancolia é a minha companheira de todos os dias!

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Promessas (des)cumpridas.


Quando nos apaixonamos, começamos a falar frases sem nexo, inverdades movidas pelo calor da emoção, falsos planos, metas inatingíveis, promessas incumpríveis...
Ao passo que alguém por quem estamos apaixonados se comporta desta maneira, nos inclinamos a querer acreditar em tudo o que nos é dito. É aí que se cria a tal da expectativa, tão esperada, mas também tão temida, caso seja frustrada.
Tenho me sentido um pouco exausta de ouvir promessas que caem por terra na primeira oportunidade. Palavras são quebradas e corações são rompidos. Pessoas que dizem que vão ficar e nunca irão embora. Nunca é uma palavra muito forte e a maioria dos amantes esquece este pequeno detalhe. Proferem-na de forma desordenada, sem nem pensar.
O fato é que nos iludimos por palavras doces, as quais queremos ouvir e acabamos esquecendo de colocar a razão em primeiro lugar. Saber filtrar e ponderar o que se deve, de fato, acreditar. Se você não pretende fazer aquela promessa acontecer na prática, simplesmente não prometa. Prometer e não cumprir remete à perda de credibilidade.
Infelizmente quando somos inundados por um sentimento, agimos de forma descontrolada e destemida. Lançamo-nos do céu ao abismo, sem contrabalancear se é ou não viável naquele momento. Em grande parte das vezes, a profundidade com que nós encaramos o relacionamento é diretamente proporcional ao sofrimento que iremos passar.
Sejamos temerosos, desconfiados, racionais na medida certa. Não passemos do limite a ponto de deixar a queda tão próxima de nós. Não deixemos nos envolver com tamanha facilidade pela labilidade do outro que está ali. Pensemos mais em nós mesmos, pensemos mais no que poderemos, realmente, plantar e depois colher com àquela pessoa ao nosso lado.
Diferente do que o meu o eterno Cazuza diz: Mentiras sinceras não me interessam. Não mais!

domingo, 16 de agosto de 2015

Part(idas).


Você quis ir embora, partiu por livre e espontânea vontade... Preferiu estar sozinha em um mundo vazio do que estar preenchida ao meu lado. Você decidiu por nós, sem nem me consultar...
Curtir a vida é uma expressão bem subjetiva. Há pessoas que curtem ao lado de alguém tanto quanto quem está solteiro e há outras, como você, que separa os dois, movida pela imaturidade de querer desbravar essa humanidade tão desumana. Que contradição, não é mesmo?
Talvez você se encontre nessas mesas de bar, mas talvez jamais se esqueça de como poderia ter sido o nosso amor. Como diz aquela frase clichê “os bares estão cheios de pessoas vazias”. Quem sabe nesse novo universo que escolheu pertencer, você consiga lidar melhor com o seu vazio.
Reavaliando tudo o que passamos, acredito que você deixou a sua infantilidade falar mais alto. Como sempre me disse, você é impulsiva e não se importa com as conseqüências. Sendo assim, aprenda a conviver em um futuro sem mim. Viva o seu presente, com essa felicidade momentânea que a curtição pode te proporcionar.
Depois de tomar um porre, beijar outras bocas e sentir outros gostos, você chegará em casa e pensará “o que será que ela está fazendo agora?”. E eu estarei construindo um amanhã, em passos largos, sonhando sozinha, porém alcançando meus objetivos.
Um dia a gente se esbarra por aí, só tenha cuidado com as reviravoltas que o destino pode nos trazer.

       "Eu quis dizer, você não quis escutar, agora não peça, não me faça promessas."

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Esvaziar-se.


          Há um vazio inteiramente intrigante dentro de cada um de nós. Um vazio indecifrável, que vez ou outra, aparece de forma arrebatadora. A vivência do desamparo, de uma frustração, de uma tristeza profunda ou de uma perda significativa “convoca” este vazio. Então nos deparamos com ele e temos que aprender a lidar com esta sensação avassaladora.
Vazios à parte, descobri que o meu grande vazio é carência de mim mesma.
Ao longo do tempo, fui-me preenchendo com as mais diversas figuras/objetos/pessoas, as quais me rodeavam, a fim de tapar esse espaço. Mas nada, nada o fazia ir embora. Era como tapar o sol com a peneira. Vivi procurando em outros, o que falta em meu próprio ser. 
O fato é que após cada frustração, a minha lacuna vem à tona. Sempre foi assim e, quiçá, sempre será. Nesses tempos, a melancolia torna-se mais ativa que o normal e eu me debruço em palavras sinceras articuladas em um texto como este.
 Nos últimos dias, tenho procurado maneiras diferentes de encontrar a solução para tal problema, porém acabei percebendo que o que realmente importa é: o que você faz com o seu vazio?
 Conhecer a mim mesma, aceitar-me como sou e amar-me é o primeiro passo...
Hoje, estou fazendo deste vazio, um momento passageiro e inevitável, que irá semear frutos no futuro. Frutos que me farão sentir completa... Completamente feliz e bem o suficiente com o meu eu interior.   

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Alma solitária.


     Ela já não é mais como antes. É impossível se reconhecer atualmente. Fica vagando de um lado para o outro nos pequenos cômodos de sua casa, incomodada por não saber responder à seguinte pergunta: “Quem sou eu?”. 
     Prefere se isolar e ser taxada como antissocial. Os amigos de antes já não voltarão mais, o seu passado foi deixado para trás. Encontra um refúgio na solidão, onde está a salvo, onde está em sua zona de conforto. A solidão a qual não exige que ela arrisque o contato com outro mundo além do que ela mesma criou. 
     Dói, mas ela conseguirá passar por essa vida sozinha. Dói, mas sua coragem de viver imersa em uma escuridão solitária vale mais do que ser insuficiente aos olhos alheios, como sempre foi. Dói, mas um dia ela irá se acostumar.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Infância perdida.


    Há muito tempo, venho me questionando em relação às nossas crianças contemporâneas.  Recentemente vi uma notícia sobre um spa infantil na Espanha, que oferece um “dia de princesa” para meninas acima de 5 anos.  Acredito que a infância está sendo extremamente “perdida” na atualidade e a vaidade exaltada precocemente.
      Todos estão correndo contra o relógio e a quantidade de informações que nos é passada desde os primeiros anos de vida é exorbitante. A maioria dos pais não tem mais tempo, devido aos compromissos diários, de ficar em casa com os filhos, deixando-os entretidos com a tecnologia alienante. E então, as crianças entorpecidas tecnologicamente, acabam por lidar com o “novo”, com o “progresso” de uma forma diferente.
   O fato é que a maioria das crianças tem desperdiçado sua essência, crescendo rodeadas por um universo extremamente erotizado/sexualizado, onde não há lugar para inocência, para a pureza, as quais eram tão enaltecidas desde os primórdios.
  Em contrapartida, após crianças sexualizadas encontramos adultos infantilizados, homens e mulheres que buscam reviver a infância passada, justamente na meia-idade. Que loucura não? Aonde isso tudo irá parar? Está tudo de pernas pro ar!