terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Anseios confusos.



        Era um belo dia de chuva, como fora a semana inteira. Ela estava lá fora, olhando os pingos caírem. Decidiu mover-se até o carro de seu pai. Sentou no banco do motorista e encostou a cabeça no volante. Amanhã, era o dia. Ela completaria os seus tão sonhados 18 anos. Estava feliz, afinal esperava por isso há muito tempo. Mas de repente, bateu-lhe uma tristeza. Uma agonia por saber que agora, ela tinha que seguir o que planejou. Ser verdadeira, ser ela mesma, sair de casa ou ser expulsa. Enfrentar os seus medos, tomar decisões e encarar de frente os olhos arredios das pessoas que a rodeavam. Ela iria sofrer, esse era seu destino. Sabia que era algo permanente, mas não queria deixar de sentir. Queria ser livre, e como queria.
        Ficou presa em seu mundo interior, totalmente vulnerável. Perguntava-se ‘O que estou fazendo aqui? Qual é a minha missão?’ Olhava para o céu, e percebia o quão fantástico era todo o seu colorido. Sentia-se como uma nuvem branca, apagada, sem saber pra onde a Terra a levaria. Queria mover-se, correr, fugir, mas o cinto lhe prendia, assim como sua interminável insegurança. 



3 comentários:

  1. Não quero saber pra onde correrá mas quero que saiba que sempre estarei ao teu lado, mesmo correndo.

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  2. É interessante isto de completar dezoito anos. Temos uma ânsia imensa por esta data que significa "liberdade", porém, quando nos deparamos que a liberdade exige muita responsabilidade, a ansiedade de completar dezoito torna-se mais assustadora do que atrativa.
    Parabéns pelo blogue, já estou seguindo. E espero que prossiga escrevendo. Gostei do que li.

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  3. Sempre quis completar dezoito anos. Depois que fiz, percebi que não mudei muita coisa, pois essas mudanças vieram com o tempo e com bem mais de dez0ito anos.
    Depois passa lá:
    http://thebigdogtales.blogspot.com/2012/01/lobisomens-persas-origem-3-parte.html

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