sábado, 27 de abril de 2013

Lara e o pássaro azul.



   Lara era uma menina de olhos azuis e cabelos negros. Uma criança dotada de tremenda doçura que conquistava aqueles que tinham algum contato com ela, por mínimo que fosse. Há uma semana a garotinha estava bastante ansiosa para que o dia de seu aniversário de 7 anos se aproximasse logo. A menina decidiu o que queria ganhar de seu pai, naquele ano. Pediu-lhe um pássaro.
   Diferente dos seus amigos, Lara não valorizava tanto os brinquedos. Talvez ela tivesse se acostumado à condição financeira limitada de sua família e devido a esta situação, sempre valorizou os mínimos detalhes da natureza, pela qual, era encantada. Chegava da escola e corria pelo pequeno jardim de sua casa, onde poucas flores nasciam no verão.
   Na manhã de quinta-feira, Gustavo abriu o portão da casa e se deparou com Lara, entusiasmada, esperando o seu tão sonhado passarinho. O pai escondeu a gaiola por trás, disse para a menina fechar os olhos e fazer um pedido. Segundos depois, o rosto de Lara ganhou uma expressão indescritível, sua face estava rubra, seus olhos brilhavam e sua boca estava escancarada em um grande sorriso. A menina repetia: É tão lindo, papai! Enquanto agradecia o pai, com beijos no rosto.
   O pássaro era adulto de asas e cabeça azuis com o resto do corpo vermelho. Deram-lhe o nome de Pio. Além de Lara, toda a família adotou-o como mascote e se deliciavam com seus belos cantos.
   O amor da pequena por Pio era puro. Ela o alimentava, cuidava dele e o acariciava. Com reciprocidade, o pássaro quando avistava sua dona começava a soltar a mais linda melodia, o que deixava Lara radiante.
   Certo dia, a menina decidiu leva-lo para tomar um banho de sol no jardim. Segurou-o entre as mãos, enquanto os raios solares reluziam sobre o corpo do canário. O tom azulado do céu se confundia com o azul das asas de Pio. A alegria parecia transparecer pela alma de Lara.
   Dias depois, Pio havia mudado. Estava estranho, não cantava mais, tinha o olhar triste e as asas perderam o brilho azul. Lara, preocupada, perguntou ao pai o que estava acontecendo com o seu fiel companheiro.
   Gustavo, então, levou-o a um veterinário. Para a surpresa do pai e da filha, nada foi constatado. Pio estava com a saúde perfeita.
   Uma semana se foi e o pássaro permanecia apático. Então, Lara resolveu leva-lo ao banho de sol que ele tanto adorava, com a expectativa de que Pio se sentisse melhor. Enquanto o pássaro tomava sol, surgiu uma ave enorme, com as mesmas características de Pio.
   O pássaro iniciou o seu canto com fervor e então, voou para perto da ave inusitada. Juntos, alçaram voo para o horizonte.
   Lara gritava o nome do amigo e tentava captura-lo, mas era em vão. O coração da menina estava despedaçado. Ligou para seu pai, chorando incessantemente.
   Quando Gustavo chegou, abraçou-a com ternura. Ela lhe perguntou: Por que ele me deixou, papai?
   O homem refletiu antes de dizer o que havia acontecido para a filha. Procurou as palavras adequadas e falou: Filha, todos precisam de liberdade em um certo momento da vida, até mesmo os animais. Você é muito nova, por isso ainda está presa a mim. Mas Pio já era adulto e precisava sair daquela gaiola, um dia. Precisava sentir o verdadeiro lugar a que pertence. Mas isso não significa que ele deixou de te amar.
   Lara compreendeu o que o pai dissera. Assentiu com a cabeça e se aninhou nos braços de Gustavo.
   Um ano se passou desde a partida de Pio. Lara acordou em uma manhã ensolarada e foi ao jardim, aproveitar a sua nostalgia. Perdia-se ao pensar nos momentos com o amigo. Até que, um pássaro pousou em seu ombro. Era ele. Lara não tinha dúvidas. Inundada de emoções aproveitou o instante com o seu velho companheiro. Certificou-se de que ele jamais deixaria de amá-la.

sábado, 20 de abril de 2013

Jogo do amor.

 
     As peças são posicionadas no tabuleiro de xadrez. Os peões brancos dão um passo à frente, à procura de peças pretas para o arremate.  Alguns se aproximam dos cavalos movimentados, porém sem êxito,  são descartados da partida. Os cavalos ficam estagnados  à espera de novos ataques.  As torres brancas iniciam uma retomada, mas, são derrubadas.
     Então trava-se uma batalha entre os bispos opostos. O bispo branco decide proteger seu rei, enquanto o preto parte para o ataque.  O bispo branco derruba o preto e se aproxima do rei, perseguindo-o incessantemente.
     O bispo branco e o rei preto ziguezagueiam pelo tabuleiro com movimentos contrários, mas sempre lado a lado.  Até que repentinamente, o rei é colocado em xeque-mate. A rainha preta protegendo o seu rei, arrisca-se para mantê-lo de pé e por fim, consegue afastar o bispo branco do jogo.
     Com a decaída do bispo, o casal real preto se une e utiliza estratégias para derrotar o exército inimigo. O rei e a rainha permanecem juntos à espera de um novo embate.
     O amor se apresenta desta forma em nossa vida. Após vários enlaces, tentativas frustradas e derrubadas, somos colocados em xeque. Embora tentemos fugir, o amor um dia chegará e irá aflorar todos os nossos sentidos. A partir deste momento, andaremos unidos à ele, somando forças para os empecilhos que ainda surgirão em nosso caminho.  

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Mais respeito, por favor!



     Nos últimos tempos, existe um assunto que está sendo bem discutido e comentado em nosso país: o homossexualismo. Após a luta pela aprovação de uma lei contra a homofobia, a declaração do Malafaia e a posse de Feliciano, tal tema tornou-se rotineiro em nossos dias.
     A verdade é que há um divisor de águas: há aqueles que apoiam e abraçam a causa, e há aqueles que abominam, criticam e são contra.
     A situação começou a ficar mais intensa e polêmica a partir da declaração de Joelma, que, segundo alguns jornalistas, comparou os homossexuais a drogados. Não vou julga-la e dizer se ela é ou não homofóbica, porque este não é o objetivo do texto. Contudo, a declaração dela é de suma importância, para os relatos que farei aqui.
     A partir do que foi dito pela cantora, iniciaram um debate com várias celebridades, para que eles expressassem a sua opinião sobre o ocorrido. Uma das artistas que “bateu de frente” com a ideia de Joelma, foi a ex-participante da Fazenda de Verão, homossexual assumida: Angelis Borges.
    Angelis protagonizou o primeiro romance lésbico da TV brasileira. O fato é que durante o confinamento, o bispo Edir Macedo, cortou todas cenas que eram passíveis de ocorrer algum contato entre Angelis e Manoella (o casal lésbico da edição). A postura do proprietário da Record, durante a exibição do reality, foi questionada, criticada e gerou indignação nas redes sociais.
    Até o último dia do programa, a Rede Record de televisão, insistia em alegar que o que estava acontecendo, era apenas uma amizade entre duas mulheres, nada mais que isso. Pois bem, continuaram maquiando a realidade, dissimulando-a e censurando um sentimento homossexual.
     Neste último dia 13, Angelis foi convidada a comparecer ao programa Sábado Total, liderado por Gilberto Barros. Tudo estava tranquilo, havia brincadeiras com os famosos, as quais, Angelis participou.
     Em certo momento da exibição , ao vivo, Gilberto colocou uma matéria em que seu repórter entrevistava Joelma, porém, mandou a produção cortar e começou a realizar o seu discurso.
     Confesso, que não sei as palavras corretas utilizadas pelo apresentador, mas me lembro que ele iniciou todo um rebuliço, dizendo que os jornalistas não tinham o direito de ‘perseguir’ a Joelma, porque aquela era uma opinião, e ela podia ser expressada, devido à liberdade. Até aí, tudo bem, concordei.
     Porém, meus caros, quando pensei que o discurso iria acabar, houve uma reviravolta. Gilberto começou a falar em ‘Heterofobia’. Disse que o mundo hoje, estava presenciando isso, e o exemplo podia ser o que aconteceu com a Joelma. Terminando a sua fala, disse que aconteceria algo bombástico, que deixariam todos chocados no programa e mandou entrar algumas pessoas.
     Foi aí que tudo aconteceu. Houve uma representação de um casamento entre homem e mulher. Com o fim da ‘cerimônia’, Gilberto disse  que era aquele valor que devíamos resgatar da Bíblia, que um homem nasceu para uma mulher e vice-versa.
     Durante esse teatro, Angelis, em protesto, deixou o palco, retornando apenas, quando o assunto fora finalizado.
     Agora, me digam, que atitude ética não é mesmo? Quanto profissionalismo do Sr. Gilberto! Sabendo que havia uma participante em seu programa, que é homossexual e inclusive teve um embate com a Joelma, manipulando uma situação, para constrange-la. Constrangimento sim, porque por mais que o programa negue, não há outra explicação, para uma exibição como aquela, logo no dia em que uma pessoa homossexual estava no palco.
     Acredito que esta ação seja no mínimo um desrespeito e uma humilhação muito grande, além de uma atitude antiprofissional. Acredito que isso induz sim a homofobia aos telespectadores. Porque se não pode ser mostrado um beijo lésbico na TV, uma opinião com argumentos incoerentes pode ser mostrada de forma sensacionalista? Que tipo de democracia é essa?
     Os fãs da Angelis, posteriormente, divulgaram no twitter, uma campanha contra a homofobia, apoiando a ex-participante do reality e alegando que sentiam orgulho pela reação dela, perante o momento constrangedor.
     Finalizo minhas palavras, ressaltando que o respeito é digno de TODO e QUALQUER ser humano. Não importa raça, cor, religião, opção sexual, por mais que você não aceite, é preciso respeitar. O respeito existe para cada um de nós e é assegurado como um direito do cidadão. Devíamos nos importar menos com a aparição de um beijo homossexual, e mais com o caráter que está decadente neste mundo, como também, a discriminação e o preconceito que assolam a sociedade.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Expressando opiniões.

 

     Na sociedade contemporânea uma palavra em destaque é a tal da alienação. É gente apontando os alienados pra cá, gente apontando os alienados pra lá e a banalização começa a correr solta.
     Sim, há vários conceitos em áreas distintas do conhecimento para designar o que é a alienação. Mas, o meu enfoque aqui será a alienação sendo definida pela Filosofia.
     Segundo Marilena Chauí, em seu livro Convite à Filosofia, “Alienação é o fenômeno pelo qual os homens criam ou produzem alguma coisa, dão independência a esta criatura como se ela existisse por si mesma e em si mesma, deixam-se governar por ela como se ela tivesse poder em si e por si mesma, não se reconhecem na obra que criaram, fazendo-a em ser outro, separado dos homens, superior a eles e com poder sobre eles.”
     Dentro deste contexto, percebe-se que o homem criou a sociedade atual, tal como ela é. O homem “escolheu” o capitalismo como sistema para nos reger. Isto implicou na concentração de renda, beneficiando uma minoria, enquanto os demais tornaram-se miseráveis, frente à opulência dos mais favorecidos.
     Como consequência, a exploração logo se iniciou.  Exploração, primeiramente, baseada nos proprietários de terra sobre os trabalhadores. Porém, a partir do lucro gerado pelas práticas exploratórias, com o tempo passou a existir um domínio sobre a sociedade como um todo.
     Um domínio que seguiu simultaneamente o avanço da tecnologia, apoiando-se nesta para manter a exploração. Um domínio que, hoje, encontra-se nas mãos da mídia.
     Pois bem, chegando neste ponto, expressarei a minha opinião, sobre o assunto. A verdade é que estamos no sistema e acredito que não há nenhuma maneira de ir totalmente contra ele. Até porque se fôssemos totalmente contra o capitalismo não compraríamos nada, nem mesmo os suprimentos básicos, para a nossa sobrevivência.
     É claro que existem formas de lutar contra a exploração e a dominação de uma classe pela outra. Mas não em sua totalidade.
     Estar neste sistema vigente tornou-se algo intrínseco à sociedade, desde que o capitalismo foi adotado. As características capitalistas são transmitidas de geração em geração, e ao nascer, já somos submetidos às suas regras.
     Paralelamente à impotência perante ao capitalismo, também está a impotência perante à alienação.
     Praticamente tudo que nos rodeia está voltado para a alienação, de uma forma ou de outra. Não há como você se libertar totalmente da alienação que o mundo te propõe todos os dias.
     E então, vejo, pessoas que um dia, por exemplo, assistiram BBB, e hoje aplicam críticas ferrenhas, alegando que quem assiste é alienado. Paro e reflito: será que não são eles é que estão alienados, por pensarem como a maioria atual, e se rebelarem contra o programa? A alienação talvez não seja proporcionada apenas pelos meios de comunicação, embora eles sejam os pioneiros e a principal fonte da mesma.
     Acredito que tenho uma noção do que é ser alienado, dos paradoxos sociais, dos problemas governamentais, do que assola e prejudica a sociedade do século XXI. Contudo, não vejo problema, em ter alguns dos meus momentos de lazer assistindo a uma novela, entrando nas redes sociais, participando de um fã clube (falarei sobre este assunto, em uma outra postagem), como também, lendo um livro, escrevendo poesias e afins.
      Penso que o ato de às vezes assistir a TV, à programação, seja da Rede Globo, do Sbt, ou de outras emissoras, não me caracteriza como uma pessoa totalmente alienada, que não se importa com nada e perde seu tempo assistindo tais programas rotulados. É claro que há certa parte de alienação,  porque como eu disse, acredito que ninguém está imune, no entanto, isso não inibe a minha luta por um mundo melhor.
      Tenho consciência do que tentam passar ao telespectador, querendo manipula-lo, mas cabe àquele que assiste, filtrar as informações, reelabora-las, reaproveita-las e questiona-las de forma ativa.
 
Obs: O texto é baseado na minha visão de mundo. Não estou apontando nada, acusando ninguém, nem defendendo um programa ou outro. Apenas citei exemplos  coerentes ao tema exposto.

sábado, 6 de abril de 2013

Carta de amizade.

 
Óh meu grande amigo,
por que não caminhas comigo?

Por que não tens aparecido,
para cuidar de meu coração ferido?
 
Por que me deixaste com saudade,
quando quero sua amizade?

Por que me deixaste em perigo,
quando preciso de abrigo?

Por que não voltas para o meu lado,
e ouve minhas histórias, calado?

Por que não regressas à nossa discussão,
que iluminava minhas tardes de solidão?

Por que não vem me aconselhar,
e me auxilia a recomeçar?