sábado, 28 de julho de 2012

[Parte 1] O início do fim.


    Ele parou o carro e sentiu seu sangue pulsar como nunca. Visualizou o penhasco que estava à sua frente, mas era forte demais, pra se deixar levar por um impulso mortífero. Observou a cicatriz em seu braço e mais uma vez, flashs de seu passado, soaram em sua mente. Desejava lembrar-se, mas as memórias eram confusas. Sabia que era diferente dos demais. Crescera sem a pessoa que mais amara no mundo: sua mãe. A mãe que tocou pela última vez, aos 3 anos de idade.
    Fora criado por seu pai. Sempre que o indagava sobre a figura materna, André desconversava. Contudo, há cinco anos atrás, seu pai desaparecera misteriosamente. Quando Luis chegou em casa, após procurar pistas sobre sua mãe, ele já não estava mais lá. E o paradeiro daquele homem viril, o qual chamava de pai, jamais fora descoberto. A polícia encerrara o caso.
    Luis voltou-se para o volante e dirigiu até sua antiga casa a 120 por hora. Estava abandonada. Recordava-se vagamente que aos 7 anos, seu pai vendera o lugar. Porém agora, ele estava ali, desocupado. Luis, arrombou a porta dos fundos e entrou pela janela de seu quarto. Começou a tocar alguns móveis velhos que se encontravam no local. Tropeçou em algo e ao olhar para o chão, deparou-se com um caminhão de brinquedo. Agachou-se e pegou o objeto. Sentiu uma dor enorme em sua cabeça e abafou um grito de desespero. Uma mulher estava com ele, quando guri. Ela chamava-o para passear e pedia que ele não contasse ao seu pai.
   Luis perguntava-se quem seria a tal mulher. Assemelhava-se a um anjo de vestes brancas. Assustou-se, quando ouviu chamarem seu nome. Não distinguia a ilusão da realidade. Mirou as paredes, onde havia uma mensagem: ‘Você está perto, meu garoto, siga em frente.’                                   Confuso, saiu correndo da mansão. Invadiu a velha delegacia da cidade que estava às moscas e capturou o processo envolvendo o desaparecimento de seu pai. Folheou os papéis, até encontrar alguma pista. Em um deles, havia o endereço de um local, na cidade vizinha. Decidiu ir até lá.

domingo, 22 de julho de 2012

Contradições temporais.


    "O tempo perguntou para o tempo qual é o tempo que o tempo tem. O tempo respondeu pro tempo que não tem tempo de dizer pro tempo que o tempo do tempo é o tempo que o tempo tem". Reflexões sobre o tempo parecem intermináveis não é o mesmo? Intermináveis assim como este elemento que nos leva à incompatibilidade. Ora almejamos um acontecimento futurístico e queremos que ele passe rapidamente, ora olhamos no relógio seguidas vezes e percebemos que demorou demasiadamente. O tempo é um verdadeiro mistério para simples seres racionais, como nós.
     Desde o princípio, o ser humano encontrou a necessidade de fixar um limite para determinado prazo. Tal limite, pôde ser estabelecido, através da criação do relógio. Porém este instrumento foi apenas o divisor de águas, para o nosso dilema atual: a complexidade de esperar algo intangível ou até mesmo, conciliar a duração dos nossos dias, estabelecer uma rotina, cronometrar cada ação, planejar fatos. Pensar no presente ou refletir sobre o futuro? Viver na esperança ou apenas não meditar sobre o amanhã? É tão contraditório!
    Às vezes a atitude que temos hoje, pode transformar-se em outra completamente oposta, em outra época. E então, o que fazer? Devemos considerá-lo como o fator responsável pela nossa mutabilidade? Ou apenas assumir a nossa infame hipocrisia.
    Questões infindáveis que talvez jamais sejam respondidas. O tempo é o pior inimigo do homem, contudo, também é o seu melhor amigo. A duração de nossa caminhada, depende da causa e do efeito de um poderoso componente. Na verdade, não temos controle sobre nada, pois, tudo está nas mãos dele: o tempo.
   Tempo que perdura ou dissipa. Tempo que abraça ou apunhala. Tempo que define ou é definido.





Como diz o grande e inesquecível Renato Russo: "Todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que passou."

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Femen: dias de luta.


     Ouvi alguns rumores recentemente sobre Ucranianas que ‘atentaram ao pudor’, ao mostrarem seus seios em plena luz do dia. Não procurei saber sobre o assunto, ou a razão que levaram-nas a realizar tal ato, portanto permaneci na alienação.
     Até que ontem, eu estava assistindo TV. Não havia nada de útil em um dia de domingo, naquelas programações. Parei em um canal, onde a Marília Gabriela começaria a entrevistar uma garota. Ela estava no anonimato pra mim, confesso que até pensei em dormir, mas pelo fato de achar a Gabi uma ótima jornalista, persisti.
     Começaram a discutir sobre o tal assunto que passou despercebido perante os meus olhos. A garota se chamava Sara Winter. Estava com uma camiseta de reivindicação e uma coroa de flores na cabeça. À primeira vista, eu tentava entender, por que aquela bela mulher, estava vestindo tais ‘trajes’.
     E então ela começou a falar. É incrível como julgamos as pessoas pela aparência, mesmo tentando não nos apegarmos a essa injustiça. Eu nunca imaginaria o que passaria no interior de Sara. Pra mim, ela era uma garota normal, que só queria os seus 5 minutos de fama. Julguei-a dessa forma, pois é o que a maioria quer atualmente. E convenhamos, está muito fácil conseguir ‘sucesso’, por qualquer coisa mesquinha que tu faças e que ganhe apelo nacional.
     Mas não era o caso da garota loira. Gabi perguntava-lhe sobre sua viagem à Ucrânia, seu objetivo e sua luta. Sara se expressou e ganhou seu espaço pra mostrar que iniciou esta causa sozinha, porém que hoje já existem adeptas. Ela é ativista de um movimento contra o turismo sexual, chamado Femen, que iniciou-se na Ucrânia. Prenderam-na enquanto ela estava protestando, usaram da agressividade, contudo, ela garantiu que isso apenas auxilia em sua gana por mudar o mundo. Sim, ela quer contribuir para uma pequena mudança neste mundo hostil, patriarcal e sujo, no qual estamos de passagem. Ela quer fazer a diferença, aliás, já está fazendo. São claras, as dificuldades que esta garota passou, sentindo-se isolada por ninguém aderir às suas idéias de imediato. Perdeu ‘amigos’, muitos não a compreendiam. Pois bem, agora o movimento está crescendo sob a liderança de uma guerreira de 20 anos.
    Uma pequena garota que abriu mão de suas regalias, para gritar por nós, mulheres.

Galera, segue abaixo o link de uma parte da entrevista. Não consegui encontrá-la completa. Mas vale muito a pena assistir, é interessante. Leiam sobre o assunto também, o número de mulheres agredidas são constrangedores e muitas nem possuem consciência de tais barbaridades. A conscientização é o passo inicial. Queria ressaltar que meu foco foi em Sara, pois ela é a primeira brasileira e começou lutando sozinha em nosso país, contudo, não desmereço de forma alguma o mérito das Ucranianas fundadoras deste incrível movimento. 





sexta-feira, 13 de julho de 2012

Céu e terra: O recomeço.


      Desde o dia marcante, ela deixara as portas cerradas. Ficara enclausurada em seu quarto, o qual havia apenas paredes pretas, sem brilho. Decidira ficar presa em sua dor pelo resto de seus dias. Levantava-se da cama, apenas para preparar seu café, pois não queria dormir e ter pesadelos. Os litros de café estimulavam-na a várias noites em claro, sem sono. Certo dia, ela dormiu e acordou sufocada pelo seu grito. Sua prima morava no apartamento ao lado. Quando escutou os gritos, correu para ver o que sucedera. Abraçou a garota firmemente e disse-lhe para manter a calma. A garota se perguntava: ‘Como manter a calma, depois do ocorrido?’
      Sua irmã fora assassinada. Com ela, se foi a alegria de Silvana. Jaqueline olhava com temor para a jovem de 15 anos. Ela parecia mais velha, as pálpebras estavam caídas e as olheiras eram perceptíveis. Enquanto, Silvana se acalmava, Jaqueline preparava um lanche para sua prima, afinal, há dias ela não se alimentava direito. Jaqueline queria conversar com a prima, porém ela balbuciava algumas meias palavras, sem sentido.
     Após várias tentativas, Jaqueline certificou-se de que ela ficaria a salvo e voltou para o seu apê. Este fato se repetiu ao longo de alguns dias, até que a prima resolveu tomar uma decisão. Arrumou uma roupa para a garota, vestiu-a e disse que sairiam. Ao abrir a porta, os raios solares queimaram o rosto de Silvana, pois há muito ela não os via.
     Seguiram para o carro, enquanto Jaqueline dirigia. A prima parou o carro em um local estranho, abaixo de uma montanha. Silvana sentia medo, pois não sabia o que ocorreria. Elas subiram a montanha e lá no alto havia um homem desconhecido. Este homem, colocou alguns equipamentos de seguranças nas duas garotas e começou a dar algumas instruções. Seu nome era Rafael.
    Rafael conversava bastante com Jaqueline e a garota os observava de longe, com receio. Jaqueline avisou Silvana que era uma surpresa e que ela voaria de asa delta.  A garota assustou-se com a idéia de voltar a praticar aquele esporte, mas uma gana muito grande de estar em contato com o céu impulsionou-a à cometer aquela loucura mais uma vez. Desde a morte de sua irmã, não voava.
    Então, subiu na asa delta e correu para alçar vôo. Nas nuvens, mirava como o céu estava lindo e azulado. Mirou a grandeza do mar, que estava abaixo dela. Sentia-se como um pássaro e alguns sorrisos esboçavam em seu rosto. Ao cair na areia da praia, levantou-se rapidamente e procurou por sua prima. Ao voltar-se para trás, deu-lhe um abraço longo e entendeu o que Jaqueline queria dizer. Assim agradeceu-a por chamá-la de volta à vida.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Metamorfoses.



       Vivemos em um mundo, onde a maioria dos 'desejos' materiais, estão ao nosso alcance, devido à presença do nosso pseudo-amigo: dinheiro.  Não escondo meus princípios comunistas, contudo sei que eles se encontram longe de garantir uma diferença nessa sociedade capitalista bizarra na qual estamos inseridos, querendo ou não. Mas o post de hoje, não será sobre este assunto.
       Queria esclarecer alguns novos ideais que tenho em mente e venho tentando cultivar. De fato, em contraposição aos desejos materiais, as fantasias e/ou sonhos emocionais, estão cada vez mais destinados ao abismo do impossível. Não somos capacitados o bastante para controlá-los, ou encontrar alguém que consiga saciá-los. O ser humano, deixou o sentimentalismo se perder, de uma forma incrível. As emoções escapam de nossas mãos facilmente e idealizamos algo que não podemos ter. Estes pensamentos fantasiosos, nos levam às expectativas. Pois bem, era aí que eu queria chegar.
       Será que esperar algo de alguém é mesmo a saída adequada? Ou será melhor transformar a indiferença em estilo de vida?
       Ainda estou realizando os devidos ajustes, para escolher apropriadamente. Confesso que nesses meus 17 anos, praticava a primeira opção, porém agora percebi que devo mudar. É complicado reverter uma idéia, seja ela qual for, para outra, totalmente distinta e contraditória. Porém, aquela frase permanece martelando em minha cabeça: “Eu não espero nada de ninguém e ninguém espera nada de mim. Assim não há sofrimento de ambas as partes”.
       Ao refletir sobre tais palavras, meu corpo se inunda de uma gana enorme em começar novamente, no entanto, por outro caminho. Sem expectativas, a fim de evitar maiores quedas. Sem pensamentos futuristas que não se realizarão. Com os pés no chão, no presente, no aqui, no hoje, no agora. 

sexta-feira, 6 de julho de 2012

A magia de um cubo.


        Um sábio ansião manuseava o seu cubo mágico. Todas as tardes eu o encontrava naquele mesmo parque com o objeto na mão. A minha curiosidade tornara-se aguçada. Quando chegava ao apartamento da Zona Sul, debruçava-me sobre o tal cubo e pensava o que o ligaria à uma pessoa. Aquilo era tão simples e sem valor, que eu o reconstruía em 5 minutos. Após a reconstrução, jogava-o no armário e procurava incessantemente outro artefato como distração: algo que me prendia por um longo tempo e de uma forma bem mais convincente, do que todos aqueles quadradinhos coloridos.
        No dia seguinte, quando o sol se pôs, sentei ao lado do ansião. A cena era familiar. Em vista de tamanha concentração, o velho demorou demasiadamente a perceber que estava ao seu lado. Quando o fez, olhou no fundo de meus olhos e disse: - O que traz um jovem de 19 anos a querer a minha tão humilde companhia?
        Perplexo, calei-me por alguns segundos. Em seguida, respondi: - Como tal curioso que sou, desejo descobrir qual é a magia desse pequeno cubo.
       Ele soltou uma risada sarcástica e o colocou em minhas mãos. Continuou pronunciando:
       - Meu rapaz, a vida é como um cubo mágico, onde os pequenos quadradinhos são os breves momentos, no entanto, os mais intensos que alguém pode viver. As cores distintas assemelham-se às diferentes situações e escolhas que você ainda fará. Devemos reajustar cada peça, como em um quebra-cabeça, para deixá-lo no aspecto e cor adequada. Contudo, para que alcance o sucesso, necessita-se de concentração e reflexão. Desta maneira, poucos conseguem realizá-lo com destreza.
       A sabedoria daquele homem invadiu a minha mente. Passei a acompanhá-lo e levar o tal aprendizado para uma vida inteira.