sábado, 25 de fevereiro de 2012

Malabares de uma jornada.


        O Circo Constelação estava de volta àquela cidade pacata no interior de Minas. Falaram-lhe que encontrariam algo encantador no local, muito além do simples ouro. A ambição nos olhos dos artistas era clara como a luz do dia. O palhaço, a vidente e o malabarista foram os primeiros a chegar. Correram bastante para ultrapassar os companheiros e procuraram logo o tal 'tesouro'. 
       Os dias foram se passando e o dinheiro faltando. A cada espetáculo, as 3 estrelas ficavam mais assoberbadas. Quando deparavam-se com o amarelo ouro, paravam a platéia e corriam atrás. Estavam obcecados.
       Certa manhã, ao despertarem, foram ao poço buscar água. Ele estava seco. Além da comida, que faltava a alguns dias, a água também era um problema agora. Desperaram-se. Apoiaram-se no muro e sentaram um de costas para o outro, até começar o murmúrio. 
       O malabarista se prontificou a falar primeiro. Com as mãos no rosto, tampava as lágrimas. Engolindo o choro, começou a dizer: 'Estou acostumado com os malabares circenses, mas nunca pensei que seria malabarista da minha própria vida. Não temos água, nem comida. Estou seco por fora, embora já esteja por dentro há anos. E agora? Manipulei os objetos por anos, no entanto, acabarei sendo manipulado por eles.'
       A vidente comoveu-se. Entre algumas palavras confusas, podiam ouví-la: 'Sempre tive a vida das pessoas em minhas mãos. E é irônico o fato de hoje estar perdendo o controle do meu caminho. Não sei ler meu futuro. Embora eu ajude as pessoas com este dom, preciso ser ajudada pelos que me rodeiam.'
       O palhaço estava com a maquiagem borrada, o branco do rosto tranformou-se em um vermelho. Vermelho sangue que mostrava a sua dor. Dor de quem era o motivo de tantas risadas e que não encontrava motivo nenhum para rir. Seus lábios moveram-se rápido demais e pronunciaram: 'O que será de nós?'
       Os três amigos resolveram partir. Antes do momento crucial, andaram em direção ao picadeiro. Colocaram-se no centro dele. Ensaiaram seus números e esperaram o gozo da platéia. O silêncio reinou. Até que uma palma baixinha, entrou em cena. Eles se perguntaram quem seria.
       Avistaram o lugar mais alto das cadeiras. Ali estava ele. O domador de animais. Deu um salto pra frente e se pôs a falar com os companheiros. Bateu o chicote no chão e indagou: 'Aprenderam a lição?' Os três perplexos, não sabiam o que responder. O domador continuou: 'Sempre lidei com feras, conseguia amansá-las com muito custo. Era um longo trabalho. Contudo, ao perceber a impetuosidade que os levou até aqui, pude concluir que os seres humanos dotados de razão, as vezes esquecem-na e deixam-se levar por sentimentos ruins. O egoísmo é um deles. Por isso, decidi domá-los.'
       O domador colocou um balde de água no chão e saiu da tenda. Os olhares eram frenéticos e confusos, ao mesmo tempo.
       Após aquele dia, o malabarista, o palhaço e a vidente encontraram uma forma de retribuir todo o carinho que lhe deram. O maior dos espetáculos eram para as crianças. E o lucro, não seria o dinheiro, mas sim os sorrisos brilhantes.  


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Primeira pessoa do singular.


         Vejo o silêncio dela no olhar. Poucas letras, tropeças. Ela é assim, calada. Vive em seu mundo e não quer sair dele. Os pensamentos ficam martelando em sua mente. 
         Olham para a menina de pequena estatura e veem uma criança. Mas ao balbucear algumas leves palavras, sentem-na mais adulta do que uma mulher experiente. Ela não tem culpa de se limitar. Quer falar pouco e assim vai continuar.
         Andam julgando-a. Ora por seu comportamento quieto, isolado, ora pela sua obsessão por ser sozinha. Sim, ela faz do silêncio e da solidão, os seus melhores amigos, companheiros incansáveis.
         É fato que ela imagina em um dia ter alguém só pra ela. Mas sabe o que vem depois dessa hipótese? O que mais a persegue: ela não se encaixa em relacionamentos. Ela é o excesso de tudo. Excesso de verdade, excesso de preocupação, excesso de querer o bem e excesso de insegurança. Ela chega a conclusão de que tudo em excesso, por melhor que seja, é um martírio em sua vida.
         E agora vai se prontificar a falar? Gastar saliva só por que querem que ela mude? Não, ela não é assim. Ela é mais do que os outros querem. Ela não nasceu pra agradar e sim pra (des)agradar. Ir contra as regras, ser uma exceção. E se pra isso, ela tiver que deixar de lado aquele namoro clichê, ela deixará.
         Ela quer uma caminhada diferente. Rodeada de amigos, com quem ela pode conversar sem medo, sem desconfiança. Ela quer a família ao lado dela. Quer cuidar de sua mãe, quando estiver idosa. Quer retribuir todo o carinho que ela recebeu. Quer seguir, com eles, os quais ela escolheu. Aqueles que não a magoaram, nem a magoarão. Aqueles íntimos, que a libertam e arrancam sorrisos. 
         Prefere abraços a beijos. Prefere um 'eu te amo' de seu melhor amigo que um 'eu te amo' de um estranho, que na verdade, não a ama. Afinal, será que é preciso ter alguém para ser feliz? E então ela insiste em fazer do amor por um desconhecido, a sua última opção.



domingo, 19 de fevereiro de 2012

Decolando para a vida.


        Aquele velho homem de cabeça baixa estava perdido tanto em seus pensamentos, quanto em sua trajetória. Recuperou-se de um trauma, mas não totalmente. Desde então, era visto com outros olhos por todos. Não lhe erguiam a mão, nem mesmo para cumprimentá-lo.
        Ele estava passando pela Rua dos Ventos, quando deparou-se com dois meninos soltando pipas. Como de costume, àquela época do ano era destinada a essa prática para os bacuris. Era a forma mais saudável que encontravam para se divertirem.
        O ancião passava os dedos em sua barba grisalha, enquanto vidrava com a subida das pipas.
        De repente, uma pipa caiu-lhe aos pés. O menino mais novo correu para pegá-la. Quando se aproximou viu a expressão confusa do estranho. Avistou primeiro os cabelos brancos e depois a lágrima que caía sobre seu rosto quase albino.
        O garoto pegou seu brinquedo e deu-lhe a mão. Esse simples gesto, fez Ronaldo lembrar de seu passado. Em prantos, ele abraçou o guri e perguntou seu nome. Era Pedrinho.
       Ronaldo abaixou e começou a conversar com Pedrinho. Disse-lhe: “Às vezes o vento que nos levanta, é o mesmo que nos desvia. Ele nos leva a diferentes lugares e nos faz desvendar novos ares. Mas assim como a sua pipa colorida, nós também podemos cair. E esse colorido pode ser arruinado pelas pedras que encontramos no caminho.”
       Pedrinho apesar de ter apenas 13 anos e receber um apelido no diminutivo, era um grande homem. Consertou a pipa e a levantou novamente. Gritou ao seu mais novo amigo: ‘É a lei da vida Ronaldo. Cair, levantar e voar eternamente.’
       O velho voltou-se para o horizonte, viu o sol se pondo e sabia que um novo tempo surgiria em seu destino.


sábado, 18 de fevereiro de 2012

Escolhas.


      Nossa, sinto como se fosse escrever pela primeira vez. O que é a prática, não é mesmo? E pensar que eu vou ficar longe do blog, por um tempo. Bem, vou explicar meus motivos, nesse post. Afinal devo uma satisfação aos meus leitores.
      O ano de 2011 foi longo demais, ao meu ver. Eu entrei de cabeça, de corpo e de todo o resto com ganas para estudar. Eu sabia que era um ano decisivo. Não só pra mim, quero dizer, mas para aqueles que amo. Sim, eu sempre vi no estudo uma possibilidade de orgulhar meus pais, de dar uma vida melhor pra eles, quando eu puder. Portanto, visei uma Federal.
      Estava no melhor colégio da cidade e que por ironia, eu odiava. E eu tinha que agüentar. As pressões, lavagens cerebrais, prisões, as cobranças e afins. Estudei 3 anos lá e cada ano que se passava eu tinha mais vontade de sair. Era uma agonia tremenda, chegar em um local, onde vc é diferente dos outros, onde seus princípios são rotulados como ‘estranhos’. Era um local, em que de fato eu não me sentia inserida.
      E então, chegava do colégio, almoçava, dormia alguns minutos, porque não sou de ferro e trancava-me no quarto para estudar. Foram assim os dias do meu ano letivo, o terceirão.
      Afastei-me dos meus amigos, saía raramente, não conversava com quase ninguém e não tinha feriados, ou descanso. Meus colegas achavam que eu iria enlouquecer, mas tudo bem, eu não me importava, se conseguisse a minha meta.
      Pois bem, desde que escolhi Psicologia (em 2008), as pessoas vêm tentando tirar essa idéia da minha mente. Dizem que o salário é ruim. É claro que eu penso no dinheiro e tenho noção de que ganha-se pouco, porém a minha realização profissional também é importante, não acham? E assim, eu tive que enfrentar bastante, as conversas contrárias ao meu sonho. Pela primeira vez, em contradisse uma vontade da maioria. Não me deixei levar e segui firme.
     Prestei na Federal, pra Psicologia. Passei na primeira fase, o que já foi uma grande vitória pra mim. A concorrência era enorme e eu fiquei entre os selecionados. Na segunda fase, me vi derrubada. Derrubada por uma única matéria, que sempre estava no meu pé, me proporcionando tropeços. A maldita Matemática! Saber que não passei por causa de uma matéria que eu estudava dia e noite e não consegui aprender, me deixa frustrada. E muito. Sinto que fiquei em débito, com aqueles que mereciam e esperavam mais de mim.
     Foi como se todo o meu esforço, tivesse parado ali. Eu chorei muito, me baqueei ainda mais. Mas enfim, acabei sendo aprovada na Estadual da minha cidade, pra Farmácia. Um curso que não tenho muitas afinidades e que não me vejo nele. Contudo, o que fazer? O que fazer, quando se ouve o choro da sua mãe no telefone, anunciando que vc passou. Vou simplesmente dizer, ‘não vou tentar mãe, pq não quero’. De frustração já basta a minha. Eu prefiro eu estar assim, do que minha família. Ela sempre fez tudo por mim e eu não podia negar-lhe um sorriso. Assim, no dia seguinte fiz a matrícula.
     Passaram-se uns dias e saiu o resultado da particular. Havia ganhado bolsa. Vi minha mãe lutar por mim, como ela sempre fez. Foi lá, tentou incansavelmente, que eu realizasse meu sonho, pois o dela, já havia se realizado. E assim foi. Matriculei-me em Psicologia Noturno, enquanto Farmácia é integral.
     Sou louca não? Quando digo que vou fazer duas faculdades, já me chamam desta maneira. E eu sei que estão certos. Sei que não vou conseguir, afinal sou humana e tenho meus limites. Mas quer saber de uma coisa? Estou dando minha cara a tapa, quero pagar pra ver. Estou arriscando, até demais.
     Se eu não conseguir, o que eu acho que será evidente, trancarei uma e ficarei só na outra. No entanto, pelo menos, terei garantias. Farmacêutico é uma profissão renomada no nosso interior e é o ‘point’ da cidade.
     Estou vendo a meta da Federal, cada vez mais distante. Não terei tempo de estudar e se antes com estudo eu não consegui, agora então, nem tenho dúvidas.
     E por isso, preciso desativar o blog. E peço perdão à vcs, pois não terei tempo. Apenas esperem, minha volta, cheia de novidades. E não esqueçam de meus textos. Agradeço esse tempo que passaram comigo. Eu cresci muito e aprendi demais aqui. Obrigada.


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A complexidade do complexo.


    Eu não me atrevo a discutir sobre esse assunto, mas me instigaram e agora gostaria de expor minha opinião. Eu sempre travo quando é pra escrever sobre o amor, em si, o sentimento. Claro que escrever pra ‘pessoa amada’ é algo fácil, pois é uma forma de transparecer o que vc sente e eu já o fiz inúmeras vezes, mas nem todas elas valeram a pena.
    O amor é algo incompreensível, confuso, indescritível, é algo que está além das nossas vias racionais. A verdade é que este encontra-se no sensível. Ele não tem cor, forma, cheiro, raça, religião, opção sexual ou qualquer outro tipo de ‘entrave’. Portanto não podemos definí-lo e dizer que o amor é assim e pronto. Cada um tem uma percepção diferente do mesmo. Nós nascemos diferentes e não seria em um sentimento tão lindo, que entraríamos em um consenso. Cada um tem a sua opinião, seus ideais, pensamentos e caráter. Depende de toda esta gama de opções.
    É o sentimento invisível aos nossos olhos e que abrange todo o nosso coração. Ouvi hj, que o amor existe, mas que não somos bons o suficiente para sentí-lo. Pois bem, vamos lá. Acredito que Deus nos proporcionou o maior dos sentimentos quando criou Adão e Eva. De fato, nós o corrompemos com o pecado original, o que fez o egoísmo nascer com o ser humano a partir de aquele dia. Hoje, como meros mortais, em um mundo tão bizarro, por mais pessimista que eu seja, ainda acredito que possa existir amor entre duas pessoas desconhecidas, mesmo que tudo esteja banalizado atualmente. Acho que o amor não escolhe idade, nem hora, nem tempo pra acontecer. Afinal é Deus quem coloca-o em nosso caminho. Porém quando necessário Ele também o tira. Tudo é um propósito do Senhor. Sim, eu tive que colocar meu ideal cristão nesse texto, pq é apenas a partir dele, que consigo pensar algo definido.
  Ouço as pessoas dizerem que o amor é eterno e que amamos apenas uma vez na vida. Acredito que não. Vou exemplificar. Pensemos que um casal tenha 50 anos de casado e que pelo chamado de Deus, o marido morre. A mulher o ama completamente, sofre, chora, mas com o passar do tempo, precisa se desvincular a essa dor que a corrói, porque se não, também perde o sentido da vida, sendo que sua hora ainda não chegou. Assim, em um dia qualquer, ela sai de casa, conhece outro homem e apaixona-se. Começa a deixar a dor de lado e encontrar nesse homem uma ‘reconstrução’ de seu coração. Passa a amá-lo, mas mesmo assim, parte do que nela habita são lembranças do seu amor que se foi. Não digo que ela ame os dois ao mesmo tempo, porque tenho em mente que isso é humanamente impossível, pela imensidão desse sentimento. No entanto, acredito que parte dela ama este novo homem e é feliz com ele. A outra parte é destinada ao seu casamento de 50 anos, mas ela fica ‘adormecida’.
  Então acredito que sim, podemos amar mais de uma pessoa, ao longo de nossa vida. O amor entre um homem e uma mulher, só pode ser eterno aos olhos de Deus, pois como diz na Bíblia quando Ele voltar, haverá o julgamento e depois desse julgamento tudo será apagado de nossas mentes.
  Agora entrando em outro contexto. Queria comentar a idéia que minha amiga me mostrou, comprovando que sim é um amor de verdade. Uma jovem bela, com sorrisos e com um namorado que a ama. De repente, as coisas mudam. Ela torna-se frágil, fraca, com um semblante triste, de cabelos raspados e diagnosticada com câncer. Mesmo assim, o namorado não sai do lado dela, permanece ali, dando força e amando-a incondicionalmente, talvez até mais que antes. Sim, isso é um amor verdadeiro. Mas e se chegar a hora dela partir? O que será feito do jovem namorado? Ele viverá eternamente, sem amor e sem ninguém? Ou ele deve tirar a sua vida, por ter perdido a amada? Acho que deve e pode amar novamente, precisa seguir em frente, mas com recordações boas e inapagáveis do que passou. É a mesma questão apontada anteriormente.
  Resumindo? Somos insuficientes e egoístas sim! Mas o amor não é impossível de acontecer. E não são só nessas situações de perdas que ele acontece. Ele pode acontecer uma, duas, três ou milhões de vezes com o mesmo indivíduo, só não podemos julgá-lo e dizer que não é amor, porque é apenas ele que está sentindo.  Por isso te digo, que garotas (os) de 17 anos, como eu, por mais jovens que sejam, podem amar sim. Tudo bem que um 'eu te amo' do século 21, é dito da noite pro dia, sem sentimento, mas nem todos são assim.
  Não gosto de acreditar em frases sobre o amor. Pra mim, há muitas contradições nelas. Mas se tem uma que eu compactuo é essa “Aprendi que amar não significa estar junto, mas sim querer ver a pessoa feliz , mesmo que isso custe a sua felicidade.” E talvez essas sejam as palavras menos errôneas sobre este vasto sentimento, na minha opinião. Acho que o amor é mais que ser feliz, é deixar o outro feliz. É vê-lo feliz, mesmo que seja com outra pessoa. É abrir mão da sua felicidade, pra que ele construa a dele. Por isso às vezes é melhor deixar a pessoa ir embora e acreditar que um dia ela volte. Se voltar, é um amor verdadeiro. Há tantos reencontros nesse contexto, tantas pessoas felizes, que fizeram do tempo o seu melhor amigo. Sinto que precisamos aprender mais sobre isso.
  Quero levantar uma questão que está em minha mente há algumas horas. Acredito na existência de um intermediário entre o amor e a paixão. Acredito que a paixão não dure muito tempo e que às vezes o amor também não, mas depende da intensidade com que ele vem.
  O amor é abrangente, vago e único demais, para ser compreendido. Nenhum ser humano em sã consciência será capaz de fazê-lo. Se pensarmos sobre o assunto, entraremos na loucura. Portanto, apenas sinta e certifique-se de que é sincero.




sábado, 11 de fevereiro de 2012

"Homem primata, capitalismo selvagem."


        Como diz  um velho amigo meu ‘As vezes a melhor saída para ser ignorante, é a própria ignorância.’ Bom, eu utilizo essa frase quando o assunto é política. Sou completamente leiga nesse tema. Não entendo dos partidos, coligações, propagandas e enfim, tudo que envolve esse tipo de ‘política suja’. Não me interesso em saber que candidato é de tal partido, que fulano é do PT, que      sicrano é do PSDB, afinal o meu voto colocará mais um ladrão no poder. Não importe se aquele roube menos ou mais, todos roubam em um país onde a corrupção rola solta. Por isso guardo o meu interesse e a minha luta, para reivindicar nossos direitos.
        Não dá pra ser tão ignorante a ponto de não perceber as lavagens de dinheiro, as contas falsas no exterior e todos esses termos que envolvem os governantes brasileiros. É curioso que saiam impunes não é? Na verdade, vão para as capas de jornais, ganham destaque e ninguém faz nada para puní-los. Será que as pessoas não entendem que há exploração? Será que não entendem que é o nosso dinheiro que está sendo roubado, através do aumento de impostos? 
       Em todo esse contexto, eu cheguei a uma conclusão: O capitalismo é o motivo de tudo isso. Eu sou contra o capitalismo puro abrangente hoje em dia.
       Quando comecei a escrever no blog, li textos sobre tal tema e comecei a me interessar por essa vertente política. Pesquisei e hoje estou aqui para me expressar.
       Descobri meus princípios comunistas e revolucionários. Digo princípios porquê de fato o comunismo é mesmo uma utopia. Se antes, quando ele tinha chances reais de se consolidar, isso não ocorreu, imagina nesses tempos modernos. Pra início de conversa, eu não posso usar uma camiseta do Che Guevara sem antes pagar por ela.
       É incrível como tudo envolve a moeda. Exatamente tudo. Até mesmo o líder da Revolução Cubana, caiu nas mãos dos capitalistas e é usado como símbolo para se conseguir lucro. Aliás, não é só ele que é motivo de uso. Todos nós, somos. Sim, usam da nossa fraqueza para nos manipular, nos tornar consumistas. Atualmente, há várias pessoas endividadas nesse Brasil, que precisam de tratamento psicológico, para curar o mal do consumismo. E então, eu paro e penso, como eles conseguem? É basicamente, fruto de uma arma: a manipulação.
      Mas, voltando aos meus ideais. Queria lhes mostrar o quanto essas ideias são contraditórias no século 21. Primeiro que o objetivo alfa do Comunismo, é negar a propriedade privada e garantir igualdade a todos. Tudo bem, vamos pensar. Se eu comprar um carro de 70 mil reais, ele será minha propriedade. Mas, enquanto eu o compro, há inúmeros cidadãos que sequer tem o alimento do dia. Então se eu fosse de fato ter uma vida comunista, eu teria que abdicar dos meus bens materiais. No entanto, como irei sobreviver sem uma casa ou um carro no mundo contemporâneo? Que grande contradição! São meus pensamentos loucos, mas que no fundo, fazem um pouco de sentido.
      O segundo objetivo é a extinção do Estado. Ah, esse é o meu preferido. O comunismo prega que as decisões devem pertencer ao povo. Sem líder, sem interferência. Porém, será que conseguiríamos? Acho que não. Pq? Por que estamos inseridos em uma tal de democracia, onde o poder de escolha é do povo, porém esse ‘poder’ na prática, não existe. Vou contemporizar esta situação.
      A greve dos policiais é uma maneira de exercermos nosso poder. No entanto, nada foi feito. Brasileiros morreram e o político, não fez acordo algum. Não se importam, querem que a gente se exploda. Bandidos à solta, arrastão e a situação permanece imóvel. Desvalorizam nossos policais, professores. Claro, eles são os assalariados que podem nos garantir algo. O policial a segurança, e o professor a educação.
      Queria deixar claro, que o início de uma sociedade igualitária está em cada um de nós. Começa com a família,  a partir da passagem de valores aos nossos filhos e netos. Pense nisso!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O retorno.



         Em um quarto escuro com o rosto entre as pernas e as lágrimas derramadas nos joelhos. Abaixa a cabeça e olha para dentro de si. Ao encontrar tanta frieza, busca uma porta, bem lá no fundo, que está trancada. Uma porta em seu interior, mas também em seu exterior. Uma saída, talvez.
         Volta a desembrulhar os presentes, sente uma mão tocar-lhe o ombro. Mas como? Quem seria? Se ela estava sozinha desde sua ruptura. Ruptura brusca com o amor,  ou melhor, com os sentimentos. Tinha medo de olhar pra trás e encontrar seu próprio fantasma.
          Ao redor de sua cama, haviam espelhos. Correu para olhá-los e saber quem trazia um vento frio  que batia em suas costas. Tocou o vidro e avistou uma menina angelical de roupas brancas. 
          Depois dessa imagem, vieram muitas outras. Mais coloridas e menos puras. Decidiu perguntar o nome da primeira. Olhou para aquele rosto de boneca e quis entender o que se passava em seus olhos. A garota segurou-lhe a mão. Abaixou e a abraçou. Àquele momento foi o ápice do ato. Um ato de emoção, que estava faltando na vida de Suzana. Ela já decifrara o enigma.
         Era a Senhora esperança, a leve esperança. A esperança iluminou o negro que lhe rodeava. Atrás dela, ficaram o Sr. Medo, o Sr. Vazio e a Senhora Frieza. Aqueles ranzinzas que impediam a volta triunfante do coração de Suzana.
         Embora ainda estivesse traumatizada, ela podia sentir a renovação invadindo seus sentidos.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Entre razão e emoção.


      Há um tempo atrás, estava atualizando a leitura de meus blogs favoritos, até chegar em um texto muito interessante do meu amigo Morini. Parece que aquelas palavras, soaram como melodias em meus ouvidos. Eu não apenas li, mas senti cada letra. Era uma manhã tediosa e obtive a inspiração.
     Demorei bastante a escrever, pois além de me faltar coragem, ainda existia um bloqueio emocional. Pois bem, agora é a hora.
      Acho que não fui e nem serei a última menina a ser magoada pelo seu ‘príncipe’ né? Príncipes que são idealizados em nossos sonhos, mas que estão longe, muito longe de serem encontrados na vida real.
      A sociedade é machista o bastante para criar ‘máquinas de partir corações’. O fato é que desde pequeno o bacurizinho é orgulho do pai, ao dizer que tem uma namoradinha de 5 anos. Nessa idade, que eles já são estimulados a tomar conta de sua ‘casa’. Sim, as meninas brincam de casinha, encostadas em fogões e os meninos fingem ir ao escritório, voltando no fim do dia. São incentivos ‘bobos’, mas que, em crianças, tem um grande resultado. Certa vez me deliciei com um livro sobre a teoria Freudiana e, nele, esses passos para a busca da sexualidade era evidente.
      Somos encaixados em uma sociedade limitada. Os meninos crescem, tornam-se rapazes, no entanto, carregam com eles as idéias inseridas em sua mente desde aqueles 5 anos. É, óbvio que nessa idade, está muito cedo pra formar a personalidade, mas acredite essas situações na infância influenciam. É como alguma pessoa que tem traumas quando criança, eles ficam guardados pelo nosso subconsciente mas a noção está sempre presente ali. É o nosso instinto. Assim, mais dia, menos dia, ele irá aflorar, como um machismo que aparece na maior parte dos homens.
     Tornam-se jovens, aos 13/14 anos. Pedem para sair e se sentem os donos do mundo. Tem aquela frase que me incomoda bastante (embora eu não tenha sofrido com essa argumentação): ‘Vc não vai sair, pq seu irmão é homem e ele pode. Homem é diferente.’ Deve ser uma  facada de emoção em uma menina de 15 anos, que não consegue entender pq seu irmão de 13, pode sair e ela não.
     Deixando a parte psicológica do texto e partindo para a emocional, digo que perdi muitas das minhas esperanças nos homens. Eu desde muito nova, fui criada entre os adultos, sem crianças e isso me ajudou a amadurecer mais rápido, como acontece hoje. Eu tinha uns 9 anos e me apaixonei pelo primeiro menino. Era da escola e tudo mais. Coisa de criança, mas como foi dito anteriormente, que deixa marcas. Os guris me chamavam de ‘feia’ e ele foi na onda dos amigos, como acontece até hj, com marmanjos de 20 anos. Parece que está tudo interligado.
      Sucessivamente foram acontecendo ‘relacionamentos’ do tipo e eu fui perdendo a confiança. Até chegar a vez em que fui trocada. Foi a gota d’água pra mim. A partir deste dia, eu disse que seria uma nova mulher e de fato, foi o que aconteceu e ainda está em vigor, atualmente.
      Tomei um ‘banho’ de realidade. Não caio mais nas conversas, não acredito que digam a verdade e muito menos que possam me amar, digo no meu caso. Até pq tenho teorias próprias ao redor disso, e generalizando, penso que a maioria dos homens olham só o externo.
     Honestamente, não tenho aquela perspectiva de formar uma família mais. Acho que a família do século 21, é rara e não dura pra sempre. Ora por traições, ora por agressões e não afinidades. De ambos os lados, é claro.
      E então leio ‘Ideal e perfeito’ do blog ‘Um Livro Qualquer’ e percebo que há homens que valem a pena, que sentem verdadeiramente ou pelo menos, conseguem me passar emoção. Mas o medo de ser magoada, é relevante. Talvez não esteja tudo perdido, talvez ainda reste um pedacinho de esperança. 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Homo Sapiens?


         Estava passando pelo quarto, quando ouvi anunciarem sobre o derramamento de Petróleo na Bacia de Campos. A jornalista diz: 'Foi estimado o derramamento de 160 barris no mar, quantidade considerada pequena.' Assustei-me, balancei a cabeça em um 'não' súbito e vim escrever.
         Fiquei procurando maneiras de encarar essa 'quantidade pequena'. De fato, cheguei a uma conclusão. Sim, é uma quantidade pequena pras empresas que perderam o seu combustível. Pequena comparada aos 2 mil barris derramados ano passado. É bem verdade, o prejuízo no bolso dos investidores foi quase imperceptível. Será que eles não percebem que há vida além do ser humano? Não 'exploramos' nem a  metade daquela imensidão aquática. Debaixo das águas, podem-se encontrar curas pra doenças, animais exóticos e intermináveis descobertas. Talvez por esse motivo, o talassociclo não receba à sua devida importância. Sim, pois ele denota a incapacidade do homem, de ser dono de tudo o que existe nesse mundo.
         O maior biociclo do planeta se encontra ameaçado mais uma vez. Aliás, ameaçado não, pois este já sofre as consequências da imprudência do homem. É curioso quando dizemos que somos os únicos seres dotados de razão, quando não a utilizamos em assuntos alheios. Não nos afeta, então não há  problema não é mesmo? Errado.
        O que os milionários não enxergam é a quantidade de animais e plantas que morrem. Mas, até aí tudo bem. Então, vamos lá, vou mostrar este ciclo nos pegando desprevinidos. 
        O fitoplâncton é uma das algas que mais fornece O2. Oxigênio que no nosso caso, é indispensável para a vida. Assim, com o oléo espalhado sobre a superfície, os raios solares não passam por esta camada impermeável e a fotossíntese deixa de ser realizada. Temos menos fonte para a respiração.
        Os peixes que participam da cadeia, em regiões litorâneas, ficam em contato com o óleo, o que será prejudicial se ingerido por algum outro animal sucessor até chegar ao homem, que localiza-se na base desta.
        As águas azuis cedem lugar a uma mancha negra. Um negro que se sobrepõe à beleza do nosso mar. O turismo na região do acidente, torna-se escasso.
        E agora? Vão continuar de olhos fechados?