sábado, 25 de fevereiro de 2012

Malabares de uma jornada.


        O Circo Constelação estava de volta àquela cidade pacata no interior de Minas. Falaram-lhe que encontrariam algo encantador no local, muito além do simples ouro. A ambição nos olhos dos artistas era clara como a luz do dia. O palhaço, a vidente e o malabarista foram os primeiros a chegar. Correram bastante para ultrapassar os companheiros e procuraram logo o tal 'tesouro'. 
       Os dias foram se passando e o dinheiro faltando. A cada espetáculo, as 3 estrelas ficavam mais assoberbadas. Quando deparavam-se com o amarelo ouro, paravam a platéia e corriam atrás. Estavam obcecados.
       Certa manhã, ao despertarem, foram ao poço buscar água. Ele estava seco. Além da comida, que faltava a alguns dias, a água também era um problema agora. Desperaram-se. Apoiaram-se no muro e sentaram um de costas para o outro, até começar o murmúrio. 
       O malabarista se prontificou a falar primeiro. Com as mãos no rosto, tampava as lágrimas. Engolindo o choro, começou a dizer: 'Estou acostumado com os malabares circenses, mas nunca pensei que seria malabarista da minha própria vida. Não temos água, nem comida. Estou seco por fora, embora já esteja por dentro há anos. E agora? Manipulei os objetos por anos, no entanto, acabarei sendo manipulado por eles.'
       A vidente comoveu-se. Entre algumas palavras confusas, podiam ouví-la: 'Sempre tive a vida das pessoas em minhas mãos. E é irônico o fato de hoje estar perdendo o controle do meu caminho. Não sei ler meu futuro. Embora eu ajude as pessoas com este dom, preciso ser ajudada pelos que me rodeiam.'
       O palhaço estava com a maquiagem borrada, o branco do rosto tranformou-se em um vermelho. Vermelho sangue que mostrava a sua dor. Dor de quem era o motivo de tantas risadas e que não encontrava motivo nenhum para rir. Seus lábios moveram-se rápido demais e pronunciaram: 'O que será de nós?'
       Os três amigos resolveram partir. Antes do momento crucial, andaram em direção ao picadeiro. Colocaram-se no centro dele. Ensaiaram seus números e esperaram o gozo da platéia. O silêncio reinou. Até que uma palma baixinha, entrou em cena. Eles se perguntaram quem seria.
       Avistaram o lugar mais alto das cadeiras. Ali estava ele. O domador de animais. Deu um salto pra frente e se pôs a falar com os companheiros. Bateu o chicote no chão e indagou: 'Aprenderam a lição?' Os três perplexos, não sabiam o que responder. O domador continuou: 'Sempre lidei com feras, conseguia amansá-las com muito custo. Era um longo trabalho. Contudo, ao perceber a impetuosidade que os levou até aqui, pude concluir que os seres humanos dotados de razão, as vezes esquecem-na e deixam-se levar por sentimentos ruins. O egoísmo é um deles. Por isso, decidi domá-los.'
       O domador colocou um balde de água no chão e saiu da tenda. Os olhares eram frenéticos e confusos, ao mesmo tempo.
       Após aquele dia, o malabarista, o palhaço e a vidente encontraram uma forma de retribuir todo o carinho que lhe deram. O maior dos espetáculos eram para as crianças. E o lucro, não seria o dinheiro, mas sim os sorrisos brilhantes.  


4 comentários:

  1. olá minha querida!.

    nenhum dinheiro do mundo vale mais do q um sorriso sincero.
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    ps: adoro seus comentários no meu infinito particular. muito obrigado pelo carinho.

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  2. Essa devia ser a real alegria de todos, não apenas a dos circenses.

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  3. Mas as vezes áqueles que fazem rir tb precisam de alguém q os faça sorrir.
    Adoro teus contos.

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  4. "Nunca pensei que seria malabarista da minha própria vida."

    Adorei!

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