quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O retorno.



         Em um quarto escuro com o rosto entre as pernas e as lágrimas derramadas nos joelhos. Abaixa a cabeça e olha para dentro de si. Ao encontrar tanta frieza, busca uma porta, bem lá no fundo, que está trancada. Uma porta em seu interior, mas também em seu exterior. Uma saída, talvez.
         Volta a desembrulhar os presentes, sente uma mão tocar-lhe o ombro. Mas como? Quem seria? Se ela estava sozinha desde sua ruptura. Ruptura brusca com o amor,  ou melhor, com os sentimentos. Tinha medo de olhar pra trás e encontrar seu próprio fantasma.
          Ao redor de sua cama, haviam espelhos. Correu para olhá-los e saber quem trazia um vento frio  que batia em suas costas. Tocou o vidro e avistou uma menina angelical de roupas brancas. 
          Depois dessa imagem, vieram muitas outras. Mais coloridas e menos puras. Decidiu perguntar o nome da primeira. Olhou para aquele rosto de boneca e quis entender o que se passava em seus olhos. A garota segurou-lhe a mão. Abaixou e a abraçou. Àquele momento foi o ápice do ato. Um ato de emoção, que estava faltando na vida de Suzana. Ela já decifrara o enigma.
         Era a Senhora esperança, a leve esperança. A esperança iluminou o negro que lhe rodeava. Atrás dela, ficaram o Sr. Medo, o Sr. Vazio e a Senhora Frieza. Aqueles ranzinzas que impediam a volta triunfante do coração de Suzana.
         Embora ainda estivesse traumatizada, ela podia sentir a renovação invadindo seus sentidos.

9 comentários:

  1. Gostei, mocinha. Parabéns!
    http://marianantonia.blogspot.com/
    contos, crônicas e desabafos.

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  2. gostei muito do seu blog vc escreve muito bem ja estou te seguindo por favor me segue no meu tb http://cabelosescuros.blogspot.com/

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  3. Eu me vi tanto nesse texto, você nem imagina o quanto. Sei como é ser atormentada por fantasmas de algo que você já foi, de algo que você poderia ser e sombras do que se tornou. É triste, é agoniante, é desesperador e dá medo. Medo de se abrir novamente, de sentir novamente, de ser novamente... e de ser esmagada como antes. Medo de uma nova repressão e de não conseguir aguentar dessa vez o impacto, de não ter forças nem ao menos para anestesiar a ferida. Mas vale a pena deixar sair pra fora, viste? Vale a pena abrir essa porta.
    Continue assim e verá que um novo dia brilhará para aqueles que tentarem.
    Bjo.

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  4. Vencer-se é conquistar o mundo. É isso é uma grande verdade que quase ninguém releva muito...
    Beijo!

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  5. Que texto lindo. Fiquei realmente encantada.

    http://refugiopcional.blogspot.com/

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  6. Cair é muito ruim, dói mas cicatriza. Mas a vergonha de sempre ver sua cara no fundo de um poço nunca passa.

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  7. Belo texto!

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  8. Gosto muito desse estilo de escrever. Muuito bom!!!

    diogopensamentos.blogspot.com

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