sábado, 10 de março de 2012

Precipício.


        Domingo de sol e o ar quente corroía minha pele, deixando-a seca. Havia andado milhas e milhas pra chegar ao topo daquela montanha. Vivia como uma fugitiva. Queria me embrenhar naquelas águas azuis lá debaixo. Mas não podia fazê-lo sozinha. Carreguei meus companheiros, naquela trilha.  Estava distraída, quando escorreguei no cascalho que havia por perto. Ia caindo, mas levantei o rosto e avistei meu melhor amigo, estendendo a mão. Agarrei com firmeza e fiquei de pé.  
       Umas horas se passaram e eles decidiram nadar. A paisagem era moldada de diferentes saltos, alturas e gotas d'água. Sentei na ponta da pedra, como sempre acontecia em minha imaginação e fiquei a pensar sobre a veracidade daquela história. Calafrios tomaram meu corpo, apesar da luz quente que estava no céu. Puxei um fio de meu cabelo longo, comecei a enrolá-lo como sempre fazia, quando os nervos vieram à tona. Senti o chão tremer e tive uma leve sensação de desmoronamento do penhasco.
       Corri para a selva , enquanto Junior me gritava incessantemente. Eu olhei pra trás e me perdi nas direções. Quando voltei para frente, vi uma imagem estranha de um senhor angelical que vinha ao meu encontro. Quis escapar, por medo, contudo a curiosidade era ainda maior. Cheguei perto dele e minhas pupilas castanhas se amedrontaram, com tamanho brilho. Ele apontava uma direção. Procurei saber, qual era. Estava assustada, quando Felipe me abraçou por trás com bastante agressividade. Eu não entendia o porquê daquele abraço agressivo, até perceber que eu estava a um passo de me dilacerar. Virei minha face e lá estavam meus amigos. Estavam com um semblante preocupado e me fitando fixamente. Quis dar-lhes uma explicação, mas nem eu mesma sabia, o que tinha acontecido naqueles segundos.
     Talvez eu estivesse fora do meu corpo, talvez quisesse chegar ao precipício, ou talvez o meu sonho de todas as noites, estava prestes a se tornar realidade. Com tantas dúvidas, decidi não desistir da minha vida. Agora era a hora, agora eu já tinha respostas. Eu seria forte, ágil e guerreira. Eu lutaria não só por mim, mas por aqueles que me rodeavam. Eles eram a fonte da minha libertação, a fonte da minha vitória.

2 comentários:

  1. Penso bastante no significado deste texto.

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  2. GOSTEI DEMAIS DO TEXTO,PARABÉNS AMIGO
    TENS UM BELO BLOG.

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