terça-feira, 29 de outubro de 2013

[Parte 6] Entre céu e Terra.


- A Luta

     Ao entrar na gruta, o espírito foi abalado, relembrando a sua vida humana. Uma grande ferida abriu-se no peito de Márcia, o qual, passou a sangrar. A garota, agindo de acordo com a entidade, dobrou os joelhos na terra molhada para tentar se recompor.
     Neste momento, os que estavam presentes iniciaram uma oração em línguas com enorme fervor para que o demônio fosse levado à sua respectiva dimensão.
     A força da entidade era atípica e ao passo que as orações a abatiam, ela ainda conseguia atingir o corpo de Márcia, causando-lhe arranhões e cortes. Márcia implorou forças aos céus e no mesmo instante, Leonardo invocou almas boas que trataram de mantê-la viva.
     Unidos, anjos e homens, estavam conseguindo afastar o espírito do corpo de Márcia, quando em uma última jogada, a entidade se levantou e iniciou um desmoronamento na gruta.
     Leonardo arremessou um clarão que pairou sobre àqueles que estavam na gruta, como um escudo protetor, garantindo que todos saíssem ilesos do local. Porém, em razão da debilidade de Márcia, a garota demorou a se locomover e uma pedra acabou lhe acertando.
     Ao sair da gruta, Márcia desabou inconsciente. Padre Sérgio, parou a sua corrida, olhou para trás, a tempo de arrastar a garota para a floresta, sem maiores danos.
     No céu, Leonardo descobrira que parte da alma de Márcia, estaria para sempre atrelada à entidade, porém, sorriu, ao saber que a bondade da garota estava acima de qualquer explicação terrena. O amor que Márcia carregava em seu interior, se encontrava além do abismo entre o céu e a Terra.
      Horas mais tarde, Márcia já estava no carro, voltando para casa com os outros. A garota acordou e mirou seu reflexo no retrosivor. Assustou-se ao se deparar com metade de seu rosto em forma de caveira. Só então, percebeu que conviveria com uma parte maléfica de seu espírito, pelo resto da vida.

3 comentários:

  1. Eu vejo o texto como uma metáfora afinal, talvez não tenha sido essa a intenção, mas esse meio a meio é bem o que somos afinal, nem completamente bons, nem completamente ruins, é o que nos torna humanos no fim das contas.

    A fora os meus devaneios o texto é muito interessante gera certa curiosidade em quem lê. Muito bom.

    beijos
    eraoutravezamor.blogspot.com

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  2. Fantástico, B.!

    Beijos.
    www.dilemascotidianos.blogspot.com

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  3. Boa, somente o amor é capaz de saldar dívidas pretéritas. Bjos.

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