sábado, 1 de junho de 2013

Verbalizando.

    Observo o verbo ‘esquecer’ de uma maneira distinta àquela escrita nos dicionários e verbalizada por aqueles que já sofreram por amor. Apesar de as vezes utilizar esta palavra com o significado clichê, esquecer nem sempre implica virar a página, de fato.
    Penso que nós nunca esquecemos completamente alguém, afinal, as pessoas que passaram e os relacionamentos findados auxiliaram na construção da nossa história e na formação da nossa personalidade, ao longo da vida. A verdade é que ficam resquícios e lembranças que passam a ser resguardados em uma parte “inferior” do peito, a partir do momento que surge algo ou alguém, os quais, conseguem ultrapassar o sentimento impregnado em nosso ser.
    A questão complicada é “Como esquecer?” Como encontrar a alternativa correta? Confesso que é essa a pergunta, a qual, sempre me encurrala. Nunca sei como reagir a tal situação. Guardo os presentes, apago as fotos, o contato, tudo como manda o figurino, mas no meu caso, continua não adiantando.
    Sinto que estou enjaulada e jamais poderei sair. Sinto uma enorme ânsia por esquecer aquele amor que vivi, porém não há êxito. Será que sou fraca demais? Como posso estar tão apegada e há tanto tempo assim?
    E o pior, é pensar que permaneci meses, lutando sozinha, por alguém que não se esforçou nem metade por “nós”. É fácil acreditar naquela frase “se for pra ser, será”, no entanto, ela não terá efeito se não corrermos atrás, porque nada acontece assim, de graça, como queremos.
    Embora muitos tenham passado, após este amor, nenhum conseguiu a façanha de se sobrepor e transformar isto em vagas lembranças estocadas em alguma parte do meu ser.
Como lidar com a veracidade do que sinto? Se amar for sinônimo de tamanho sofrimento, talvez eu prefira me negar ao amor e permanecer com a solidão ao meu lado, como vem acontecendo.
   O que eu faço para me encontrar novamente? O que fazer para abrigar-te no local mais fundo de meu coração e deixar a maior parte deste, livre para preencher-se por outro alguém?

  

7 comentários:

  1. O lance é praticar 2 coisas: desapego e amor próprio, B.

    Me identifiquei com o dilema do texto.

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  2. Olá B.
    Realmente, esquecer alguém é quase impossível.
    Mas com o tempo a pessoa vai permanecer ali, mas não vamos mais nos machucar quando lembrar. Dando tempo ao tempo, dará tudo certo. No inicio é complicado mesmo, aí tem que ter paciência.
    grande abraço
    Fernando
    http://fernu5083.blogspot.com.br/

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  3. B., pratico o desapego justamente para aproveitar o máximo das pessoas e daí permanecer com o melhor que elas podem me dar para qdo passar pela minha vida, elas possam permanecer inesquecíveis. Bjos.

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  4. Não existe alternativa correta, ou melhor, existe. E é não procurar alternativas. O tempo se encarrega de tudo.

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  5. Pra mim a solução para o esquecimento sempre foi o tempo.

    www.annadecassia.com

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  6. Acho que a ânsia por querer apagar certo sentimento (da memória e do peito) é o que o torna ainda mais intenso, e recente. É difícil, e digo por experiência própria, desapegar de uma coleção de lembranças, ora amargas, ora felizes, mas igualmente marcantes, que só um grande amor pode produzir. Acho que o correto seria guardar as lembranças. Não fazer esforço para tirá-las do caminho ou da cabeça, e simplesmente conviver com a intensidade delas, enquanto esta ainda existir. Porque, acredite, pode não passar de todo, mas a dor, a saudade, e o querer, com o tempo, são amenizados pelo frescor de novos amores, experiências e conhecimentos. Espero que esse período de nostalgia amorosa passe logo, sei como é difícil se encontrar presa nele.

    Beijos =*

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  7. B., te entendo perfeitamente, até porque sou bem parecido contigo nesse aspecto. Mas, de uma forma ou outra, a vida tem me ensinado que não há ferida que não cicatrize. Pode demorar mais, pode demorar menos, mas cicatriza, em algum momento. Algo fica, sempre fica, mas chega uma hora, sabe-se lá qual, em que as coisas simplesmente acontecem. Pelo menos eu tento acreditar nisso, e preciso acreditar nisso.

    Percebo, mesmo sem te conhecer pessoalmente, mesmo que somente assim, com as tuas palavras, que tu é uma guria extremamente especial, humana, inteligente, sensível. E por isso mesmo tenho certeza de que as coisas vão se acertar. Tu vai ficar muito bem. Tu merece demais.

    Beijos.
    www.dilemascotidianos.blogspot.com

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