sábado, 3 de agosto de 2013

O dissipar dos grãos de areia.



     O sol estava se pondo, o céu permanecia cinzento. Um vento forte batia sobre os cabelos de Perpétua, fazendo-os deslizar por seu rosto. A garota mirava o horizonte, com uma expressão angustiada, esperando o momento derradeiro.  A maré, então, expandiu toda a sua força, se estendendo até à praia. Derrubou a obra-prima de Perpétua, enquanto os olhos marejados da garota espiavam a cena.
     Tudo se repetia. Era de praxe até a hora do dia. Perpétua chegava ao local quando o sol estava a pino e construía o seu castelinho na areia até que a água viesse desmoroná-lo. Jamais o terminara, de fato.
     Antes que as suas expectativas fossem concretizadas, a água botava-o abaixo. E foi assim, durante os longos meses daquele ano, em que completara seus 19.
     Frustração atrás de frustração, grãos de areia sobre grãos de areia. Ao retornar a sua casa, aproveitava o caminho para refletir e se perguntar: Será que um dia algo iria mudar? Será que os seus sonhos iriam se realizar?
     E a esperança mesmo que pequena e singela, retornava ao seu ser.

5 comentários:

  1. As mundanças sempre acontecem, pois, somos essencialmente mutáveis e sempre seremos impulsionados as realizações. Bjos.

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  2. A esperança é um exercício diário. :)

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  3. Se não for a esperança não nunca faremos nada, mas as vezes é necessário mudar. No caso da Perpétua, de repente era fazer o castelo mais longe do mar.

    Tem uma Tag para ti no H. E. e O. P.

    Bj

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  4. Mesmo quando realizados, alguns sonhos tendem a permanecerem perpetuamente.

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  5. Gostei muito do texto, B. Ao fim e ao cabo, a própria vida é isso: vamos construindo nossos castelos de areia, vendo-os desmoronar, e começando de novo.

    Beijos.
    www.dilemascotidianos.blogspot.com

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