sexta-feira, 3 de agosto de 2012

[Parte 2] O início do fim.


   O granizo embaçava os vidros do Ford 96 de Luis. As estradas eram esburacadas e sombrias. Arrepios subiam por seu corpo. No entanto, tais sensações proporcionavam-lhe sede pela verdade. Encontrou o endereço e não queria acreditar no que estava diante de si mesmo. O sanatório Brusque não lhe era estranho. Luis passou a ter alucinações à medida que se aproximava do estabelecimento. Bateu na porta incessantemente, até que um homem de roupa branca atendera.
   - Por favor, eu queria uma informação sobre um possível paciente.
   - Garoto, é tarde. São 11 horas da noite e você quer que eu quebre o sigilo médico? Vá para casa!
   Luis não desistiria assim tão fácil. Sentia que estava perto da solução. Observou uma escada que ascendia até o porão do sanatório. Subiu os degraus da mesma e com uma chave de fenda, forçou a fechadura que trancava o sótão. Ao entrar, havia vários papéis empilhados sobre uma mesa. Atônito, o jovem não podia se mexer. Olhou mais uma vez para a mesa e lá estava ela novamente: a mulher-anjo. Ela apontava para um dos relatórios em especial. Luis abriu-o e mirou a foto de seu pai.
  - Nome: André Simon.
  - Idade: 50 anos.
  - Internação: 02 de Janeiro de 1999.
  - Causa: Morte de sua mulher.
  Uma lágrima percorreu a face de Luis. Jogou a pasta no chão e colocou as mãos sobre o rosto. A mulher-anjo o esperava no corredor. Guiava-o pelo hospital psiquiátrico. Deixou-o no quarto 215. Seu pai estava mais barbudo, velho e debilitado. Não reconhecera o filho.
  - Pai, sou eu, Luis.
  - Eu não tenho nenhum filho.
  Com os olhos arregalados, André observava atentamente a mulher que lhe causara medo. O velho levantou-se e começou a conversar com ela.
  - Justine por que ainda está aqui? Largue o menino e volte para “casa.”
  - Então, você também a vê, pai?
  - Fique longe daquela mulher, ela é perigosa.
  - Por que? Quem é ela?
  - Um alguém que você jamais se lembrará.
  Neste momento, o fantasma de Justine, aguçou seu ódio por André. Resolveu tomar alguma atitude. Tocou a cicatriz de Luis e fê-lo lembrar do ocorrido. Vozes ecoavam em sua cabeça. Era ela, Justine, fugindo de André. Havia um garoto pequeno que segurava sua mão. Lembrava daquele pijama, era o seu preferido. O tiro do revólver acertou Justine. A bala raspou pelo braço do guri, lentamente. Sua mãe caiu imediatamente e ele, mal sabia o que estava acontecendo ali. Olhou para os lábios dela e mirou o seu último suspiro.
  Quando percebeu, o jovem já estava empurrando aquele homem sobre a parede. Apertava a gola de sua camisa e perguntava:
  - Por que a matou, pai? Por quê?
  - Ela soube de minhas artimanhas do passado. Soube do assalto e disse que me entregaria à polícia. Eu não tive culpa, filho.
  Então, Luis descobriu o que Justine queria lhe contar. Quando criança, inúmeras vezes a mulher-anjo o protegeu e o levou para brincar. Ela só queria estar perto e André, por uma inevitável culpa, sentia-se atormentado em sua presença. Após várias aparições da mãe, ele enlouqueceu.
  Ela era um anjo bom, era o anjo de Luis e daquele momento em diante ele seguiria em teus passos, ao teu lado. Virou-se para olhá-la e segurar sua mão, no entanto, ela não estava mais lá. Nas janelas do quarto, estava escrito: “Obrigada por me libertar, filho.” 

Observação: Conto baseado nas ideias do filme 'O Despertar'. Uma película surpreendente.


4 comentários:

  1. Interessante o texto, gostei bastante, li a parte um e claro para entender rs e gostei aquela coisa de suspense, fantasmas e tudo mais e bem legal mesmo, esse filme que te deu base eu nunca ouvi falar, uma boa vou procurar e ver algum dia. Se puder retornar ao meu blog: http://anonimadavoz.blogspot.com/

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  2. Nosssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssaaaaaaaaa!
    Essa historia me arrepiou legal, incrível demais e me deu vontade de ver o filme. Duvido muito que o filme seja melhor que essa sua descrição.
    Adorei o desfecho da historia, sensacional.
    Eu não sei se acredito em anjos ou até divindades, mas muitas vezes parece que tem algo nos levando para algum caminho.
    Não chega a ser visível, mas parece existir alguma coisa que nos guia para nosso caminho da vida.
    É estranho. Enfim, amei o texto *-*

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  3. Incrivel texto Biia
    O amor q temos a certas pessoas é tão grande q as vezes nem a morte consegue nos separa delas.
    Abç

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  4. Adoro esses contos de terror. Acho admirável quem sabe escrevê-los e você o fez com maestria, meus parabéns.

    Estou a seguir teu blog. Se puder, faça uma visita no meu.

    Um beijo, Misunderstood.

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