quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Ser repugnante.

      

            Sou a podridão, a morbidez, a fraude, a mentira, a angústia, a dor, o sofrimento, a culpa, o desgosto.  Sou o pessimismo, o contraditório, a hipocrisia. Sou o choro estampado, a tristeza, o grito sufocado. Sou o meu próprio algoz, a minha própria destruição. Meus olhos já não transmitem mais verdade, tropecei em minhas próprias palavras, quebrei as minhas próprias promessas. O que antes era visto como algo digno de ser admirado em meu ser, hoje não está mais aqui. Aliás, nada está aqui. Como é sentir-se repugnante? Como é sentir que todos os seus princípios foram desviados por si mesma?

5 comentários:

  1. Muito intenso, muito forte, um texto que queima na alma. Exatamente por isso, extraordinário.

    É sempre um prazer ler as coisas que tu escreves, B.

    Beijos.
    www.dilemascotidianos.blogspot.com

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  2. Que intenso que força. Achei bem impactante.



    kisu
    www.eraoutravez.com

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  3. Quando nos tornamos o que não queremos, é preciso primeiro ter consciência disso e a partir daí começar a mudança para melhorar.

    Beijos!!

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  4. Que forte.
    Espero que seja ficção - risos - não consigo te imaginar assim.
    Bjs

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  5. Somos feitos de alternâncias e nos vestimos de contrários. O interior duelo entre o céu e a terra, a virtude e o pecado, o desânimo e a esperança. Somos multidão desencontrada da própria Alma. Bebemos da amargura sempre um pouco mais a cada vez que não nos enxergamos. Dissolvemo-nos por não saber. E não sabemos porque ousamos suspender o sentido da vida, do outro, de nós mesmos. Vendemos nossas asas para brechó do nunca. Tudo porque temos outras mais para vender.

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