quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Em companhia da solidão.



     Ela andava cabisbaixa. Tropeçava nos pedregulhos do asfalto irregular. Estava no centro do Rio. Embora fosse Julho, a rua estava vazia, assim como a frágil garota.
     Há dois dias, as enchentes assolavam a cidade. A chuva não cessava por um instante sequer. As gotículas caíam do céu e deslizavam por seu rosto gélido de porcelana. Os cabelos ondulados perdiam os poucos cachos.
     Fernanda estava perdida, sem saber pra onde ir, ou onde chegaria. Apenas seguia em uma linha tênue na beira da calçada. De repente o reflexo na vitrine de uma pequena loja lhe chamou a atenção. O cabelo negro passou a ser grisalho. As rugas apareciam veemente em sua expressão. Os olhos azuis brilhantes se tornaram opacos. A bengala aparecia em sua mão, como fonte de equilíbrio. Sua face cedeu lugar a uma expressão estranha. Suas pálpebras estavam pesadas.
    Observando a imagem refletida com perplexidade, parou no meio de seu percurso e mirou o calendário da cidade. O ano era 2011.
    Através de um fluxo de consciência, percorreu toda a sua história até o momento atual. Encontrava-se no auge de sua adolescência, aos 16 anos. E então tentava entender o porquê daquela reflexão desfocada de uma anciã. Percebeu em sua essência que o seu destino se resumia àquela imagem na vitrine. A sua velhice seria fruto de um presente, calcado na solidão. Solidão esta que a perseguiria no futuro e se tornaria sua melhor companhia.

10 comentários:

  1. Texto lindo. A velhice sempre será o destino de todos nós. Todos os dias chegamos mais perto.
    Beijos flor

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  2. Meu sonho é chegar na velhice com o maior numero de lembranças e experiencias diferentes possíveis, mas confio em alguma pessoas de que elas não me deixarão na solidão.

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  3. B, primeiramente, quero dizer que escreve contos muito bem, está de parabéns. Gostei do modo como foi descrevendo sem ser cansativo, acho isto muito importante em um autor.
    Eu não sei se quero viver tanto tempo assim e acabar na solidão... Prefiro partir antes. rs.

    => CLIQUE => ESCRITOS LISÉRGICOS...

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  4. B, a vida é fruto de nossas vontade, e as escolhas q tirar q rumo tomar. É triste pensar em um destino tão solitário na juventude. Bjos.

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  5. Triste, mas muita gente ainda age assim, ainda se sente assim. Solidão é pior dos males.

    E é bem verdade que quando a gente se sente assim, nossa alma envelhece um pouco mais. É como "crescer" sem aprender, sem se tornar sábio e continuar errante.

    Belo texto.

    Um beijo, Misunderstood.

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  6. Olá
    As vz eu penso nisso sabia?
    Na velhice e em ficar sozinho
    Hj tenho amigos, família, namorada
    e todos estão perto
    Mas não sei como será quando eu for um "ancião"
    Espero que etenha bastante gente por perto quando eu chegar lá tb. E a solidão seja uma companhai distante.

    gde abrssss,
    Fernando
    http://fernopinari.blogspot.com.br/

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  7. Belo texto. A velhice e solidão, algumas das realidades da vida do ser humano.
    gostei!

    beijos


    http://errosxacertos.blogspot.com.br/

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  8. Retribuindo a visita!

    Excelente texto, B.!

    De fato, o tempo e o envelhecimento são as únicas coisas irremediáveis da vida. Agora mesmo, os segundos estão passando.

    Pode ser meio heraclitiano, mas, de fato, tudo na vida passa. O que realmente permanece, sempre e até o fim, somos nós. E, ainda assim, bastante modificados pelo tempo.

    Beijos.
    www.dilemascotidianos.blogspot.com

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  9. Somos todos sós, buscando a ilusão de que o outro vai nos salvar. Doce devaneio...Mas teremos a nós mesmos. Obrigada pela visita, seus contos são muito bons e comentarei na medida do possível. Beijos =^.^=

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