terça-feira, 11 de setembro de 2012

[Parte 1] Navegando em outros mares.


   Marcos estava sentado em uma ponte, em frente ao Mar. Refletia sobre sua vida, enquanto preparava o seu barco para partir. Encostou os pés na água, sentiu a maresia e visou o horizonte, naquele fim de tarde, chuvoso. O céu estava acinzentado, contudo o homem de 25 anos era combatente e já havia enfrentado inúmeras tempestades. Sua arrogância era conhecida por todos, no litoral. Gostava de viajar sozinho e não admitia que alguém o acompanhasse. Era preconceituoso e egocêntrico. Vivia em um mundo, onde ele mesmo inventara.
   Por fim, desamarrou a corda do barco e iniciou sua jornada. Desde criança, aprendera com seu pai, a ser um bom marinheiro. Apesar de sua prepotência, era um ótimo navegante.
   As águas o levariam para novas terras para a exploração de ouro. Marcos resolveu dormir um pouco, pois a viagem era longa e cansativa. Direcionou o barco para o Norte, guiado por sua bússola.
   Deitou-se sobre o banco e sonhou, até ser interrompido por gotas de água em sua face.
   Levantou-se e percebeu que uma grande chuva, estava por vir. Preparou o Delfim (como chamava carinhosamente, o seu barco) para a tempestade. Tomou todas as medidas necessárias para tentar protegê-lo. Porém foi em vão. Horas depois o mar estava extremamente agitado e Marcos amedrontado com toda aquela situação.
   Avistou uma pequena faixa de terra próxima e então resolveu mudar sua rota, a fim de não correr riscos. Chegou ao local, amarrou o Delfim e desembarcou.
   Estava com muita fome e cansado. Perdera seus mantimentos, durante o pseudo náufrago de seu barco.
Desencontrou-se na mata, buscando uma trilha. Observou algo se mover. Antes que Marcos pudesse descobrir o que havia no lugar, acertaram-lhe com uma zarabatana. Ele sentiu uma dor imensa e acabou desmaiando.
   Quando abriu os olhos novamente, estava amarrado e algumas pedras eram batidas em sua cabeça. Mirou uma figura peculiar, diferente de tudo que já tinha visto. Em pleno século 21, não acreditava estar mirando um índio na sua frente. E ele se lamentava: “Mas será que os brancos não deram conta do recado? Pensei que todos estes indígenas atrasados tivessem morrido!”


6 comentários:

  1. Essa história sobre o mar me lembra o livro "O Velho e o Mar", de Hemingway. Se não leu, indico que leia, é uma história incrível, e talvez te inspire a continuar este conto.
    Ah, e adorei este texto. Será que esses índios são canibais? rs
    Me avise quando postar as outras partes.
    Abraços, até mais.
    http://daquioitentaanos.blogspot.com.br/

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  2. Olá, passando pra conhecer o seu blog....Voce escreve muito bem....se der, passe lah no meu makeolatras.blogspot.com.br

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  3. B.:
    Esta estória é muito inteligente e criativa.
    És uma jovem de muito talento.
    Vou seguir teu blog. E teria a maior satisfação se seguisse o meu:
    Histórias, estórias e outras polêmicas.
    www.cchamun.blogspot.com.br.

    Continue em busca do teu sonho de ser psicóloga.

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  4. Obrigada pelos comentários em meu blog. E vc também escreve muito bem, ainda mais que tem apenas 17 anos.

    Li em seu perfil que ama a loucura, eu também gosto do tema. Acredito que existe uma linha muito tênue entre o que é considerado normal e o que é considerado loucura. É um tema importante e, com certeza, digno de muito estudo. Aprofunde!

    Abraços, e até mais.

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  5. Olá, B., realmente, todo o egocentrismo e ignorância de Marcos se resumiu a esta última sentença dele: “Mas será que os brancos não deram conta do recado? Pensei que todos estes indígenas atrasados tivessem morrido!”.
    Apesar de não ter um perfil nada simpático e altivo, não questiono que razões o levaram a ser assim, e desejo que a trama não termine mal para ele.
    Abraços!

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  6. Muito interessante o texto. E fiquei muito feliz com a sua visitinha no meu blog. E fiquei mais feliz ainda que tenha gostado do vídeo, viu? Um super beijo.

    http://expectativasreais.blogspot.com.br/

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