sexta-feira, 13 de julho de 2012

Céu e terra: O recomeço.


      Desde o dia marcante, ela deixara as portas cerradas. Ficara enclausurada em seu quarto, o qual havia apenas paredes pretas, sem brilho. Decidira ficar presa em sua dor pelo resto de seus dias. Levantava-se da cama, apenas para preparar seu café, pois não queria dormir e ter pesadelos. Os litros de café estimulavam-na a várias noites em claro, sem sono. Certo dia, ela dormiu e acordou sufocada pelo seu grito. Sua prima morava no apartamento ao lado. Quando escutou os gritos, correu para ver o que sucedera. Abraçou a garota firmemente e disse-lhe para manter a calma. A garota se perguntava: ‘Como manter a calma, depois do ocorrido?’
      Sua irmã fora assassinada. Com ela, se foi a alegria de Silvana. Jaqueline olhava com temor para a jovem de 15 anos. Ela parecia mais velha, as pálpebras estavam caídas e as olheiras eram perceptíveis. Enquanto, Silvana se acalmava, Jaqueline preparava um lanche para sua prima, afinal, há dias ela não se alimentava direito. Jaqueline queria conversar com a prima, porém ela balbuciava algumas meias palavras, sem sentido.
     Após várias tentativas, Jaqueline certificou-se de que ela ficaria a salvo e voltou para o seu apê. Este fato se repetiu ao longo de alguns dias, até que a prima resolveu tomar uma decisão. Arrumou uma roupa para a garota, vestiu-a e disse que sairiam. Ao abrir a porta, os raios solares queimaram o rosto de Silvana, pois há muito ela não os via.
     Seguiram para o carro, enquanto Jaqueline dirigia. A prima parou o carro em um local estranho, abaixo de uma montanha. Silvana sentia medo, pois não sabia o que ocorreria. Elas subiram a montanha e lá no alto havia um homem desconhecido. Este homem, colocou alguns equipamentos de seguranças nas duas garotas e começou a dar algumas instruções. Seu nome era Rafael.
    Rafael conversava bastante com Jaqueline e a garota os observava de longe, com receio. Jaqueline avisou Silvana que era uma surpresa e que ela voaria de asa delta.  A garota assustou-se com a idéia de voltar a praticar aquele esporte, mas uma gana muito grande de estar em contato com o céu impulsionou-a à cometer aquela loucura mais uma vez. Desde a morte de sua irmã, não voava.
    Então, subiu na asa delta e correu para alçar vôo. Nas nuvens, mirava como o céu estava lindo e azulado. Mirou a grandeza do mar, que estava abaixo dela. Sentia-se como um pássaro e alguns sorrisos esboçavam em seu rosto. Ao cair na areia da praia, levantou-se rapidamente e procurou por sua prima. Ao voltar-se para trás, deu-lhe um abraço longo e entendeu o que Jaqueline queria dizer. Assim agradeceu-a por chamá-la de volta à vida.

7 comentários:

  1. Por mais que as vezes os acontecimentos da vida nos tiram coisas e pessoas muito preciosas nós precisamos pensar que ouve um motivo para termos ficado vivos e seguirmos em frente por nós e também por aqueles que se foram. Não sei se foi o seu intuito mas me lembrei da nossa Amanda. Ótimo texto, adorei Biia.

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  2. Sempre que alguém próximo de mim morre, tento manter em mente que a pessoa não gostaria de me ver para baixo, me baseio neste fundamento. No conto, acredito que Silvana perdendo a vida, definhando, estaria matando sua irmã, de onde é que ela estivesse. Belo texto, gostei da ideia de superação, parabéns.

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  4. Adorei a analogia! Quando perdemos um ente querido pela primeira vez (minha vó morreu no começo do ano) é como se toda aquela segurança utópica que sustenta nossos sonhos se dissipasse. Parece que a vida não é tão bonita, e o futuro não é tão positivo como antes... Porém, essa é a queda mais necessária que já tomei. Após algum tempo percebi que precisava viver, e sobretudo valorizar cada segundo da minha vida, fazer planos planos e lutar para alcançá-los... Beijos ;*

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  5. É complicado. Assuntos de percas é algo extremamente fora de contexto.
    Mas acredito que no fim,a nossa vida é um ciclo, onde temos que nos levantarmos e olharmos para frente, não importa o que aconteceu no passado, porque passado já passou...
    É imutável, e a única coisa que temos que fazer é olhar para frente, sem medo do que já aconteceu.

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