domingo, 1 de abril de 2012

O fantasma da ópera ou o seu próprio fantasma?


   Vozes ecoando no ser de Christine, o Anjo da Música a guiava. Um anjo que mesmo obsessivo, a protegia e guardava o precioso momento da jovem. Ela esperava o segundo em que pudesse ouvir a vibração de seu timbre, sem medo. Sentir-se viva e acompanhada pela presença de seu pai.
   A sua estréia foi extraordinária. O público descobriu uma estrela. Apesar de ser uma simples garota, suas emoções eram grandiosas e transpareceram com vigor.
   O fantasma sorria por dentro, ao avistá-la além daquela doçura encantadora. O destino estava se cumprindo. Ver os nobres olhos de sua amada brilharem ao som daquela canção, era um prestígio. Contudo, ele queria mais. Queria que se realizasse o que estava escrito. Decidiu se revelar.
   Apesar de tantas angústias, levou Christine para junto de si. Mostrou-lhe o seu mundo, rodeado por escuridão. Ainda assim, existia uma luz. A bela cantante, fascinada por desvendar o mistério, arranca-lhe a máscara. As cicatrizes se abrem. A parte sombria do fantasma voltara.
   Vultos que o perseguem desde a infância. Rótulos que lhes deram e marcaram seu interior. Desejo de cobrir o seu rosto, arrancar a carapaça. Deixar de ser monstro e voltar a encarar um espelho. Desgaste físico que controla o seu emocional e aprisiona a sua alma. Seu ponto fraco, ou melhor, o ponto mais fraco. As fraquezas em seu íntimo, se construíram por si só, fruto das ações repugnantes de pessoas sem compaixão. Compaixão que é suplicada pelo amado de Christine, quando se depara com a morte de perto.
   O anseio de ser feliz com Raoul, impulsionou Christine a se contradizer. Seduziu o fantasma e fê-lo se deparar com a agonia. Em frente a uma multidão, a reação da platéia era insignificante comparada ao abismo em que o fantasma se encontrara.
   Raptou-a, levou-a para o fundo daquela ópera, a qual era seu refúgio. Alternava entre um amor louco e um ódio mortal. Em meio a tantas ambigüidades, o Fantasma recebe um beijo de Christine. Após este ato, permitiu-se derramar lágrimas. Procurou a redenção em seu próprio eu. Libertou-a e foi libertado. 



Obs: Interagi-me com este clássico pela primeira vez, hoje. Confesso que no tempo de lançamento do espetáculo, eu estava distante das 'obras-primas'. Decidi escrever sobre a subjetividade que o filme me passou e queria esclarecer que o desfrute de assistí-lo foi muito prazeroso.

4 comentários:

  1. Sempre gostei do Fantasma da Ópera. Primeiro pelas músicas, que me encantaram. Depois, pelo musical, muito bem feito e que me prendeu a atenção a cada segundo.

    Adorei seu texto, mostrando o ponto de vista do Fantasma! Você escreve muito bem!

    ResponderExcluir
  2. Olá , tava lendo esse post e gostei bastante, eu gosto muito de mascaras e a do fantasma da opera concerteza entra no hall das melhores.

    to lhe seguindo

    http://inked-coffee.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  3. 'E quando a palavra certa não puder sair pra consertar um momento, que seja o silêncio a melhor forma de nos traduzir. Porque silêncio também é prece. Silêncio às vezes é gesto de amor. E acalma.'

    Cris Carvalho http://mais-que-lacos-nos.blogspot.com.br/ =*

    ResponderExcluir
  4. Ow gostei muito das postagens... Bem criativas... parabéns..
    Nova post lá no blog, passa lá.
    http://jpbigblog.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir