A
garota buscou uma maçã na cozinha e sentou-se no sofá. Gesticulou com o
indicador para o vizinho mais velho. Ele saiu. Após 5 minutos, voltou com uma
caixa de ferramentas na mão. Pegou o serrote que estava à mostra e iniciou um
corte em minha perna. Gritei de dor. Terminado
o corte, pensei que eles me deixariam em paz. Mas não, aquilo foi só o começo
da minha tortura.
Posteriormente,
o vizinho mais robusto retirou uma faca da caixa. Meus olhos se arregalaram.
Tentei gritar por ajuda, mas nenhum som saía das minhas cordas vocais. Engoli seco.
Comecei a chorar, na tentativa que ele parasse. Ele olhou pra garota, com
piedade, contudo, ela mordeu a maçã e balançou a cabeça positivamente. Enquanto
o robusto cravava a faca em meu abdômen, a menina soltou um riso perverso e
macabro.
Não
aguentava mais a agonia. Aquela altura, meu físico e a minha alma clamavam pela
morte.
Esperava pelo próximo
golpe, esperava que fosse o último e que eu pudesse subir a outra dimensão, em
um lugar melhor.O vizinho jovem e franzino pegou uma chave de fenda para perfurar o corte feito pela faca. Percebi que ele suava e estava nervoso. Aproximou-se, mas hesitou por um momento. Devido à pressão da garota, o jovem decidiu realizar sua tarefa. Fechei os olhos, esperando que me perfurasse. Mas não senti nada em meu corpo. Abri-os e o mirei a minha frente. Foi então que entendi o que havia acontecido. Ele me poupara de mais dores, porém a menina acreditou que o franzino tinha perfurado.
Uma
ponta de esperança surgiu em meu interior.
Em
seguida, me desamarraram da cadeira e meu corpo cedeu. Ia despencar pelo
tablado de madeira, quando os dois homens, novamente me seguraram.
Conduziram-me aos trancos até um veículo preto importado.
O
mais velho assumiu o volante e a garota situou-se ao seu lado. Atrás, estava eu
e os dois outros vizinhos que me vigiavam a todo momento, embora eu não tivesse
forças para uma tentativa de fuga.
Enquanto fazíamos um
trajeto desconhecido, mirei o meu relógio de pulso quebrado. Eram 18h, meus
pais chegariam em casa a qualquer momento, sentiriam minha falta, ligariam para
a polícia e logo eu estaria a salvo. Neste momento, um soluço emergia de minha
garganta.



