Observo
o verbo ‘esquecer’ de uma maneira distinta àquela escrita nos dicionários e
verbalizada por aqueles que já sofreram por amor. Apesar de as vezes utilizar
esta palavra com o significado clichê, esquecer nem sempre implica virar a página, de fato.
Penso
que nós nunca esquecemos completamente alguém, afinal, as pessoas que passaram
e os relacionamentos findados auxiliaram na construção da nossa história e na
formação da nossa personalidade, ao longo da vida. A verdade é que ficam
resquícios e lembranças que passam a ser resguardados em uma parte “inferior”
do peito, a partir do momento que surge algo ou alguém, os quais, conseguem
ultrapassar o sentimento impregnado em nosso ser.
A
questão complicada é “Como esquecer?” Como encontrar a alternativa correta?
Confesso que é essa a pergunta, a qual, sempre me encurrala. Nunca sei como
reagir a tal situação. Guardo os presentes, apago as fotos, o contato, tudo
como manda o figurino, mas no meu caso, continua não adiantando.
Sinto
que estou enjaulada e jamais poderei sair. Sinto uma enorme ânsia por
esquecer aquele amor que vivi, porém não há êxito. Será que sou fraca demais?
Como posso estar tão apegada e há tanto tempo assim?
E
o pior, é pensar que permaneci meses, lutando sozinha, por alguém que
não se esforçou nem metade por “nós”. É fácil acreditar naquela frase “se for
pra ser, será”, no entanto, ela não terá efeito se não corrermos atrás, porque
nada acontece assim, de graça, como queremos.
Embora
muitos tenham passado, após este amor, nenhum conseguiu a façanha de se
sobrepor e transformar isto em vagas lembranças estocadas em alguma parte do meu ser.
Como
lidar com a veracidade do que sinto? Se amar for sinônimo de tamanho
sofrimento, talvez eu prefira me negar ao amor e permanecer com a solidão ao
meu lado, como vem acontecendo.
O
que eu faço para me encontrar novamente? O que fazer para abrigar-te no local
mais fundo de meu coração e deixar a maior parte deste, livre para preencher-se
por outro alguém?
