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sábado, 29 de junho de 2013

[Parte 2] O mistério da vizinhança.

 
     A garota buscou uma maçã na cozinha e sentou-se no sofá. Gesticulou com o indicador para o vizinho mais velho. Ele saiu. Após 5 minutos, voltou com uma caixa de ferramentas na mão. Pegou o serrote que estava à mostra e iniciou um corte em minha perna. Gritei de dor. Terminado o corte, pensei que eles me deixariam em paz. Mas não, aquilo foi só o começo da minha tortura.
     Posteriormente, o vizinho mais robusto retirou uma faca da caixa. Meus olhos se arregalaram. Tentei gritar por ajuda, mas nenhum som saía das minhas cordas vocais. Engoli seco. Comecei a chorar, na tentativa que ele parasse. Ele olhou pra garota, com piedade, contudo, ela mordeu a maçã e balançou a cabeça positivamente. Enquanto o robusto cravava a faca em meu abdômen, a menina soltou um riso perverso e macabro.
Não aguentava mais a agonia. Aquela altura, meu físico e a minha alma clamavam pela morte.
     Esperava pelo próximo golpe, esperava que fosse o último e que eu pudesse subir a outra dimensão, em um lugar melhor.
    O vizinho jovem e franzino pegou uma chave de fenda para perfurar o corte feito pela faca. Percebi que ele suava e estava nervoso. Aproximou-se, mas hesitou por um momento. Devido à pressão da garota, o jovem decidiu realizar sua tarefa. Fechei os olhos, esperando que me perfurasse. Mas não senti nada em meu corpo. Abri-os e o mirei a minha frente. Foi então que entendi o que havia acontecido. Ele me poupara de mais dores, porém a menina acreditou que o franzino tinha perfurado.
    Uma ponta de esperança surgiu em meu interior.
    Em seguida, me desamarraram da cadeira e meu corpo cedeu. Ia despencar pelo tablado de madeira, quando os dois homens, novamente me seguraram. Conduziram-me aos trancos até um veículo preto importado.
    O mais velho assumiu o volante e a garota situou-se ao seu lado. Atrás, estava eu e os dois outros vizinhos que me vigiavam a todo momento, embora eu não tivesse forças para uma tentativa de fuga.
    Enquanto fazíamos um trajeto desconhecido, mirei o meu relógio de pulso quebrado. Eram 18h, meus pais chegariam em casa a qualquer momento, sentiriam minha falta, ligariam para a polícia e logo eu estaria a salvo. Neste momento, um soluço emergia de minha garganta.