A mesma chuva que cai lá fora é aquela que me inunda por
dentro. Cada gota da água traz consigo as lembranças que, parecem, jamais serem
esquecidas. É que não há um dia sequer, em que eu não acorde pensando em sua
face, em seu jeito. É que há não há um dia sequer em que eu não ouça você me
chamar e me pedir pra voltar, inconscientemente. É que há tempos você se faz
presente em meus sonhos e, neles, faz-me
acreditar que ainda estamos juntas.
Mas basta abrir os olhos em uma manhã rotineira, para
deparar-me com o vento gélido e a solidão que deixaste aqui. Você permanece em
cada célula do meu corpo, em cada suspiro prolongado ao lembrar dos nossos
momentos, em cada marca da minha alma, em cada frio na barriga causado por um
fato memorável ao seu lado, em cada arrepio na espinha ao pensar que você pode,
agora, ser de outro alguém e em cada aflição, a qual, desejei que você estivesse
aqui para acalmar.
Você está na canção que eu ouço na rádio, nas letras de
músicas românticas, nos lugares que frequentamos, nos momentos de prazer, nos
gemidos de satisfação, no calor da minha cama. Você continua responsável pelo
pulsar dentro do meu peito, pelo sangue que corre nas minhas veias.
Contudo, agora, também és responsável pela dor que me flagela, pelo sangrar de um coração, por um corpo deteriorado e um ser dilacerado. És responsável pelo sofrimento que me aflige desde que eu levanto até quando me deito, pelos meus pesadelos, pela volta do meu pensamento pessimista, pela minha falta de vontade para seguir em frente, pela minha conformação do exílio e do desamparo. E principalmente, tens total responsabilidade sobre a minha forma de amor/amar.
Contudo, agora, também és responsável pela dor que me flagela, pelo sangrar de um coração, por um corpo deteriorado e um ser dilacerado. És responsável pelo sofrimento que me aflige desde que eu levanto até quando me deito, pelos meus pesadelos, pela volta do meu pensamento pessimista, pela minha falta de vontade para seguir em frente, pela minha conformação do exílio e do desamparo. E principalmente, tens total responsabilidade sobre a minha forma de amor/amar.

Profundo esse hein. É bom manter as lembranças vivas, mas às vezes, é melhor esquecer para poder seguir em frente.
ResponderExcluirBeijos!
Pessoas vem, vão, mas as lembranças sempre ficam, e às vezes ficam também os sentimentos não mais correspondidos e a dor, e a ilusão, e a angústia, o medo, a ausência.
ResponderExcluirMais um texto poético e triste, nostálgico e delicado.
Beijos, senhorita.
eraoutravezamor.blogspot.com
Escreve bem demais toca meu coração, já me senti assim qdo perdi uma pessoa que amava muito.
ResponderExcluirLindo e dolorido, B. Teus textos sempre me impactam, porque me vejo um pouco neles também.
ResponderExcluirBeijo.
www.dilemascotidianos.blogspot.com
Esse é o avesso do amor, quando dissipado tem o poder de transformar todo esse mundo de encantamento, alegria e sonho em dor. E a pergunta que não quer calar é, como mandar essa dor embora? Um abraço!
ResponderExcluirÉ difícil por vezes, desligar-se do que restou, das lembranças dolorosas que nos deixaram, dos momentos em que nossos sentimentos eram brindados com amor. Hoje não mais que apenas dor...
ResponderExcluirDolorido. Mas é preciso superar, deixar de lado pra sobreviver. Seguir em frente... Mas sim, não é algo tão fácil...
Beijo B.
Culpamos o espelho e doemos em nossas permanências.
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