Alan, Fernando e Ivan regressaram ao acampamento para
terminar o trabalho nos dias que se seguiriam.
Horas se passaram e estava anoitecendo. A lua despontava no
céu, iluminando parte da floresta sombria.
O frio assolava os seringueiros, causando-lhes calafrios intermitentes.
Os três fizeram então uma fogueira com os gravetos que encontravam-se próximos.
Ao redor da fogueira, Fernando começou a indagar Alan:
- Como conseguiu encanta-la? Como conseguiu resistir à
tentação de não se apaixonar por Serena?
Alan refletiu um
pouco e apenas soltou um “não sei” abafado.
A verdade é que ele
não resistira. Fê-lo porque precisava salvar seus amigos, porém, Serena
permeava a sua mente, desde o primeiro segundo que a vira. Pensava na sua face enquanto ele tocava a gaita e no seu
gemido de prazer ao ouvir o som do encantamento.
O dia nasceu com o barulho de uma chuva fina que acordou os
amigos. Não tinham como escapar, teriam que trabalhar, faça chuva ou faça sol.
Pegaram as suas ferramentas e foram às seringueiras, extrair o látex.
Alan mal conseguia trabalhar. Não se concentrava, desviava o
foco e por pouco não deixou Fernando cair da escada em que estava. Fernando e
Ivan perguntavam o que estava acontecendo, mas Alan se esquivava das respostas.
Então, a tardezinha Alan inventou uma desculpa qualquer para os amigos e se
direcionou até o lago onde Serena se encontrava.
Ao caminhar até o lago, uma chuva torrencial começou a
desabar sobre a cabeça de Alan. Avistando o local, uma ponta de sorriso surgiu
no rosto do seringueiro. Alguns minutos após o início da queda d’água, o lago
começou a transbordar. Alan avançou e sem perceber, caiu em uma areia movediça,
na qual ficou preso sem conseguir se mover. Alan gritava por socorro, enquanto
a terra o engolia. Há poucos metros do lago, Alan debruçou-se sobre as rochas e
tentou pular na água em um impulso. Contudo, sem sucesso.
Quando toda a sua esperança estava se esvaindo, Serena
apareceu por entre águas. Mirou o que estava acontecendo e fixou os seus olhos
nos de Alan. Serena, arredia, aproximou-se com cautela e percebeu o clamor por
ajuda vindo da alma do seringueiro. Lembrou-se da melodia de sua música, estendeu
os braços e o levou de volta à superfície do lago.
Enquanto isso, Fernando e Ivan avançavam por entre a mata
até chegar ao lago, procurando pelo amigo. Ao avistarem Alan junto à Serena,
resolveram tomar uma atitude para salva-lo. Ivan, impetuoso, pegou a lança que
estava em sua mochila, gritou por Alan e arremessou-a de encontro à sereia.
Alan só teve tempo de abaixar-se e jogar-se contra as águas do lago aliado à
Serena.
Ambos, contemplando o fogo da paixão, desapareceram nas
profundezas do lago. Alan jamais regressou à terra firme novamente e vivera
pelo resto de sua vida, junto à sereia amada.
Fernando e Ivan voltaram ao acampamento, entraram em contato
com o chefe, explicando o que havia acontecido mas ninguém acreditou. Então,
regressaram à cidade, foram encaminhados a outros locais e receberam a notícia
de que jamais voltariam a enviar seringueiros para aquela floresta misteriosa.

Puxa, que final legal!!! Alan salvou os amigos mas rendeu-se à paixão pela sereia... surpreendeu-me, adorei! :D
ResponderExcluirUm abraço!
Um final feliz. No fim, o amor prevaleceu. Bonito conto de amor baseado na mítica sereia. Gostei da ambientação e da narrativa.
ResponderExcluirVocê escreve muito bem!
:)
Beijo e boa semana B.
Belíssimo conto, B. Muito envolvente.
ResponderExcluirGrande beijo.
www.dilemascotidianos.blogspot.com
Adorei o final, é tão inusitado, tão diferente de tudo que costumo ler em blogs, é um conto cheio de personalidade, muito bem escrito e desenvolvido. Parabéns, B. Foi muito legal acompanhar esse conto. E ainda bem que no final o amor prevaleceu e os dois ficaram juntos.
ResponderExcluirBeijos, moça.
Um ótima semana pra você.
eraoutravezamor.blogspot.com
semprovas.blogspot.com
Eu suspeitei que teria algo em relação aos dois, mas mesmo assim gostei do final. Um tanto diferente em vez dele beijá-la e ela virar um princesa, ele que foi para mundo dela.
ResponderExcluirMuito legal.