Flávia
erguia a sua xícara de café, enquanto olhava os flocos de neve caírem lá fora.
Encostou sua face na vidraça e ouviu os poucos pingos de chuva, que batiam na
janela, ressonarem em seu ouvido. A neve e a chuva tilintavam no vidro,
construindo uma verdadeira melodia, contemplada pela garota que se encontrava
dentro daquele casebre.
Memórias
vinham à sua mente. Recordações de um passado descumprido. Seu sorriso foi
roubado em poucos segundos, ao se lembrar de Aleph. Já não sabia o que fazer
para desviar certos pensamentos que a atordoavam. Lembranças de uma felicidade
sonhada a dois, mas jamais concretizada.
Ele
partira. Deixara a linda moça de olhos cor de mel e cabelos pretos, sozinha, em
uma tarde de verão. Nem sequer esperou o inverno chegar, para congelar tamanho
sofrimento. Deixou o coração de Flávia, caloroso, apaixonado e doloroso.
Em
um ato inesperado, a garota correu até a porta, abriu a maçaneta e partiu.
Partiu para o mundo. Ou melhor, para reconstruir e celebrar o seu novo mundo.
Entrara
no primeiro trem que estava à sua vista. Acomodou-se no vagão e deixou o
destino leva-la para onde estava determinado. Ele o levou para junto dos olhos
azuis que outrora havia apreciado. Um azul da cor do mar, que fê-la mergulhar
em seus profundos sentimentos no passado.
Contudo,
agora o tempo era presente. Flávia decidiu se arriscar, permitiu-se sentir. Era
o que deveria ser feito, era o segundo passo para que ela mesma se encontrasse,
em meio aos seus estigmas.
Enganou-se.
Observava Raul e enxergava o Aleph, o seu Aleph. E durante anos, sentia como se
a presença de seu antigo amado fosse constante no protótipo que escolhera.
Revivia momentos, repetia-os. Mesmo com tamanha semelhança entre Raul e Aleph,
parte de Flávia, persistia presa e solitária ao seu primeiro e grande amado.
Nada o traria de volta, porém, a garota se contentaria com o reflexo do olhar
azulado. Em Raul, Flávia encontrava as duas
partes de que precisava para sobreviver: a representação do velho e o novo, o reflexo do passado e o presente.
Obs: Texto baseado exclusivamente na música Aleph - Anahí. Ainda não tive nenhum contato com o livro, O Aleph.

Nossa que lindo.
ResponderExcluirA Flávia deve ser sofre muito, pois viver dois amores não deve ser uma tarefa fácil...
gostei do texto. Parabéns.
apesar que eu tbm não ter lido o livro O Aleph ^^
bjos
B., é difícil viver com alguém projetando outro, relacionamento assim não traz felicidade para o casal. Seu texto demonstrou essa infelicidade através da Flávia. Bjos.
ResponderExcluirSerá possível amar duas pessoas?
ResponderExcluirAté acho que sim, mas é sofrível ter que escolher.