Paramos
em uma rua deserta onde existia apenas um sobradinho ao lado de um pântano. O
vizinho mais velho e o robusto, deixaram o carro, aliaram-se à garota e
adentraram no sobradinho. Já o vizinho jovem ficou me observando no veículo.
Pensei
que ele teria a mesma idade que eu, 19 anos. O seu rosto era cheio de espinhas, utilizava um óculos do tipo nerd
e um cavanhaque. Por alguns minutos, encarei-o, a fim de arrancar alguma
informação dele, no entanto, o jovem desviava o olhar. O seu medo era tão
evidente quanto o meu.
´ -
Por que vocês estão fazendo isso comigo? - perguntei aos prantos.
-
Não pense que gostamos – hesitou.
-
Então porquê se submete a realizar tal violência?
-
Somos pressionados pela garota.
Seu
olhar perdeu o brilho. Envergonhado e com raiva, esmurrou a porta do carro.
Segundos depois, voltou a me encarar. Aproveitei a oportunidade, indagando: -
Quem é ela? Qual é o motivo de tanto ódio?
Ele
recuou por um instante, quando percebeu que havia proporcionado pistas à
prisioneira. Perplexo, me olhou mais uma vez e disse:
-
Estou cansado dessa situação. Não quero mais provocar sofrimento a inocentes.
Venha comigo!
O
jovem me ajudou a sair do carro. Andamos rapidamente até a entrada do
sobradinho. Nos escondemos atrás de uma árvore ali perto. O franzino começou a
narrar uma história, enquanto eu mirava pela janela.
-
Há uma década atrás, os habitantes da casa na qual você está morando, culparam
a garota Fernanda pela morte do filho mais novo deles. Ela era a babá do
pequeno Tim e o protegia quando os pais e o irmão saíam para seus afazeres. Em
uma sexta-feira, Tim sofreu um acidente, ingerindo álcool. Fernanda não teve
chances nem de se explicar. Os pais de Tim, quando souberam da tragédia,
arrastaram-na para este sobradinho e a queimaram, desde seu calcanhar até o último
filme de cabelo. Ela tinha 14 anos na época. Desde então, sua alma traumatizada
fica vagando por este mundo e realiza planos maléficos com aqueles que habitam
a casa. Fernanda nos obriga, através de ameaças, a matar quem invade seu
espaço. Apesar de possuir uma forma humana, ela não pode torturar as vítimas
com as próprias mãos, pois não conseguiu aderir a nenhum corpo.
Olhei
pela janela e vi formas humanas perambulando dentro do sobradinho, junto com
Fernanda. Perguntei ao vizinho, quem eram elas.
-
Todos que já matamos, a mando da garota. A alma de Fernanda é perturbada e tem
sede por vingança.
-
E por que ela veio a este sobradinho antes de me matar?
-
Porque ela se reúne com as demais almas, a fim de decidir o pior tipo de morte
para a ocasião.
Antes
que eu pudesse lhe perguntar, ele explicou:
-
As almas são enganadas e acreditam que Fernanda é a única capaz de lhes dar paz.
-
Temos que parar esta garota, antes que seja tarde e ela torture mais alguém.
O
vizinho jovem assentiu com a cabeça. Franzino prosseguiu:
-
Segundo a história, a garota aprisionou a alma de Tim nesse sobradinho. O
menino é o único que sabe a verdade sobre Fernanda. Ao revelar o segredo às
demais vítimas será decretado o fim da vingança.
Os
dois vizinhos foram até o pântano, contudo Fernanda permaneceu no sobradinho.
Esperei
eles saírem, caminhei da árvore até a porta, ultrapassei-a, me abaixei e
encostei na parede. Meus músculos
estavam enrijecidos, meu coração disparado e minha respiração ofegante.
Iniciei a minha busca
por Tim, dentro do local.

B, sua história está interessantíssima. Vc já criou uma espectativa neste capítulo, como derrota uma alma. Estou aguardando os próximos capítulo para matar a minha curiosidade. Bjos e uma semana de luz.
ResponderExcluirNossa, B., tá genial essa história. A expectativa só cresce!
ResponderExcluirBeijos.
www.dilemascotidianos.blogspot.com
:)
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