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sábado, 24 de agosto de 2013

Exaustão.

 

     Sentimento de exaustão. Frases repetidas. O mundo dá voltas, mas continuo a parar no mesmo lugar. Os ponteiros do relógio completam o seu ciclo, porém o vício permanece. Essa demora é um desatino. Essa espera é a fonte de minha vulnerabilidade.
     Lutar, sonhar, fantasiar, imaginar, pensar e perceber a ilusão que está diante de si mesma. Arriscar não faz mais sentido, quando o universo está conspirando contra o seu empenho.  A sua determinação torna-se arredia e sem valor.
    Vivendo o presente, sem projetar o futuro. A tal esperança de dias melhores caiu por terra.
    Talvez as forças tenham se exterminado. Ou talvez seja questão de tempo, como muitos dizem. Mas e o meu tempo? Será quanto tempo ainda me resta? É indefinível, é incerto.
    O que é pra ser? O que o destino me resguarda? Quando deixará de ser platônico e se tornará real? Até quando ouvirei o discurso de ontem? Até quando a maré inundará meus sentidos?
    Enquanto os fatos confirmam as minhas pressuposições, a fagulha da decepção está pronta para me esmagar novamente. Fagulha que se aproveita de meu cansaço, meu desgaste e minha fraqueza.
    E assim se escreve a minha busca por amor, por amar, por ser amada. Quiçá um dia, decretarão o fim da minha (in)terminável procura.

sábado, 27 de julho de 2013

Presenteando o passado.



       Flávia erguia a sua xícara de café, enquanto olhava os flocos de neve caírem lá fora. Encostou sua face na vidraça e ouviu os poucos pingos de chuva, que batiam na janela, ressonarem em seu ouvido. A neve e a chuva tilintavam no vidro, construindo uma verdadeira melodia, contemplada pela garota que se encontrava dentro daquele casebre.
Memórias vinham à sua mente. Recordações de um passado descumprido. Seu sorriso foi roubado em poucos segundos, ao se lembrar de Aleph. Já não sabia o que fazer para desviar certos pensamentos que a atordoavam. Lembranças de uma felicidade sonhada a dois, mas jamais concretizada.
       Ele partira. Deixara a linda moça de olhos cor de mel e cabelos pretos, sozinha, em uma tarde de verão. Nem sequer esperou o inverno chegar, para congelar tamanho sofrimento. Deixou o coração de Flávia, caloroso, apaixonado e doloroso.
Em um ato inesperado, a garota correu até a porta, abriu a maçaneta e partiu. Partiu para o mundo. Ou melhor, para reconstruir e celebrar o seu novo mundo.
       Entrara no primeiro trem que estava à sua vista. Acomodou-se no vagão e deixou o destino leva-la para onde estava determinado. Ele o levou para junto dos olhos azuis que outrora havia apreciado. Um azul da cor do mar, que fê-la mergulhar em seus profundos sentimentos no passado.
       Contudo, agora o tempo era presente. Flávia decidiu se arriscar, permitiu-se sentir. Era o que deveria ser feito, era o segundo passo para que ela mesma se encontrasse, em meio aos seus estigmas.
       Enganou-se. Observava Raul e enxergava o Aleph, o seu Aleph. E durante anos, sentia como se a presença de seu antigo amado fosse constante no protótipo que escolhera. Revivia momentos, repetia-os. Mesmo com tamanha semelhança entre Raul e Aleph, parte de Flávia, persistia presa e solitária ao seu primeiro e grande amado. Nada o traria de volta, porém, a garota se contentaria com o reflexo do olhar azulado. Em Raul, Flávia encontrava as duas partes de que precisava para sobreviver: a representação do velho  e o novo, o reflexo do passado e o presente.

 
Obs: Texto baseado exclusivamente na música Aleph - Anahí. Ainda não tive nenhum contato com o livro, O Aleph.