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sábado, 7 de setembro de 2013

Marcela.


     Marcela era uma mulher íntegra, encantadora, batalhadora e cativante. Seu principal adjetivo era ser decidida. Tomava decisões em quase todos os assuntos que lhe envolviam, exceto um.  Há muitos anos se apaixonara e desde então, conhecera o sofrimento. Embora soubesse da incompatibilidade do romance, permanecia batendo na mesma tecla.
     Desde que iniciou sua história de amor, manteve-se presa, ora de uma forma, ora de outra. Hoje, é aprisionada por cordas do passado, envoltas em seus pulsos. Cordas que lhe impedem de alcançar a superação. Marcela sempre as leva, por onde for, e segue arrastando-as pelos cantos.
     Durante muito tempo, Marcela  deixara passar oportunidades de ser feliz e pessoas que estavam dispostas a compartilhar uma vida inteira ao seu lado. Sempre nostálgica, regressava às lembranças e encontrava as mágoas escondidas em seu ser. Mágoas que se convertiam em medo: medo do “não”, medo de arriscar, medo de sofrer novamente, medo de permitir, medo, medo, medo...
     Em uma noite estrelada, a morena resolveu visitar o parque de sua cidade. Estava com os “sintomas” de sempre e precisava colocar os pensamentos em ordem. Caminhou pelo local por alguns minutos, admirando a essência da natureza. Então, decidiu sentar-se na grama verdinha e observar o brilho das estrelas. Marcela estava distraída, quando sentiu alguém lhe tocar o braço. Assustou-se e no mesmo instante, virou-se para trás. Deparou-se com um homem alto, e os olhares de ambos se encontraram. Ele estendeu a mão e se apresentou:
    - Olá, meu nome é Paulo. Posso me sentar aqui?
    Marcela fez uma careta, franziu o cenho e após pensar por um momento, balançou a cabeça com relutância e disse:
   - Sou Marcela.
   Nas horas que se seguiram, os dois conversaram incessantemente e a morena conseguiu até esquecer que carregava as cordas no pulso. Paulo se ofereceu para leva-la em casa. Àquela altura do campeonato, Marcela só queria aproveitar cada segundo perto daquele homem tão intrigante, a ponto de fazê-la deixar o que passou para trás.
   Ao longo das semanas, o contato entre eles, apenas se estreitava. Encontravam-se dia após dia, porém, ainda assim Marcela dizia não estar preparada para se entregar e reescrever sua história. Apesar de Paulo lhe proporcionar o carinho, apoio e cuidado de que ela precisava, não era o suficiente. Nada podia suprir aquele “amor corrosivo”.
   Meses mais tarde, a situação continuava semelhante. Marcela mantinha suas cordas intocáveis, assim como, seu coração. Sentia um frio na barriga ao ver Paulo, suspirava por seu sorriso, desejava a sua presença, no entanto, acabou perdendo-se nas garras de sua própria “proteção”.
   Por fim, Paulo não aguentou. Desistiu. Passou a viver a sua vida, sem Marcela.
   Dois anos posteriores ao rompimento, Paulo estava com sua namorada, tentando ser feliz, embora não tivesse esquecido completamente a morena. Marcela, persistia sozinha, reclusa e presa.
   Até que, em uma quinta-feira pela manhã, Marcela recebeu uma notícia avassaladora. Seu antigo amor, iria se casar. A morena pensava que Clóvis, também não viveria sem ela, mas estava enganada.
   Chorou copiosamente por horas a fio. Depois, levantou-se da cama e se perguntou: O que eu fiz da minha vida esse tempo todo? Onde está o progresso?
   Abriu a janela do quarto e mirou o sol se pondo. Colocou as mãos no vidro, mordeu o lábio inferior e soltou um grito que estava abafado em seu interior. Estava decidida, iria mudar, ou também perderia o único alguém que a amou de verdade: Paulo.
   Fora até o trabalho de Paulo, mas não achou-o. Disseram-lhe que ele estava viajando a negócios.
   Passaram-se 15 dias e a inquietação da morena só aumentava. Como ela podia ter ficado com os olhos tapados, enquanto a vida escorregava pelos seus dedos? Como ela não reagira?
   Seus devaneios foram interrompidos pelo toque do celular. E foi ali, que a sua transformação realmente aconteceu. Soube que Paulo tinha sofrido um acidente de carro e não havia resistido. A partir daquele dia, a dor da perda, lhe ensinou que a vida é curta demais, para deixar de tentar.

“A vida é um redemoinho de emoções, que uma hora ou outra, nos pregam peças. Emoções que precisam se dissipar após uma ruptura. Emoções que precisam ser deixadas para trás e ceder lugar às novas. Emoções que necessitam contemplar  e curtir o presente, para enfim, construir um futuro. ”


segunda-feira, 13 de maio de 2013

O diário de um bêbado.

 
        Garrafas ficam espalhadas pelo chão ainda com o conteúdo etílico, do início da noite. Risadas soltas ao vento, histórias contadas ao acaso e a felicidade torna-se imensurável, na face daqueles amigos bêbados. De repente, fez-se silêncio. Após a confusão, alguns já partiram, enquanto outros permanecem juntos até que o efeito etílico possa se esvair. Ficaram os três, sentados na calçada, refletindo sobre a vida e influenciados pelo álcool.
        Ane resolve deitar-se sobre os pedregulhos e se depara com a imensidão daquele céu estrelado. Observa a lua e sua mente traz um trilhão de pensamentos. Ela resolve compartilha-los e lança uma pergunta no ar:
        - Por que a gente sempre gosta de quem é inalcançável? Por que sempre temos um amor impossível?
        Dylan para por um momento, olha-a e diz:
        - Ah, não sei Ane. Por que você acha que é assim?
        Ane respira, soletra certas palavras sem nexo, rodeia mais um pouco e não consegue encontrar uma resposta coerente.
        Interrompendo a tal conversa filosófica, resolvem voltar ao assunto precedente. Brincam, se divertem e por um momento esquecem dos problemas que existem neles mesmos e em todo o mundo.
        Em meio a toda aquela situação propícia, conseguem recuperar sua verdadeira essência, deixar as máscaras de lado, agir sem medo, impulsionados pela emoção no interior de cada um que ali estava. Partilharam segredos, descobertas, relatos, sentimentos, mergulhados em sorrisos frenéticos. Aproveitaram os instantes, como se fossem únicos. Definitivamente, viveram a audácia de serem tão jovens.
        Por fim, Ane anuncia a sua partida, já Dylan e Nay insistem pela permanência. Antes da ruptura, a garota volta-se para seus amigos e diz:
        - Precisamos registrar o que aconteceu hoje. O que é nosso ficará marcado na memória, na história. Prometo que esta noite nos dará um texto: o diário de um bêbado.