A
insônia me embala em uma noite fria. Os tormentos começam a emergir, a
incerteza rouba a cena. E tudo o que estava nos eixos, em fração de segundos,
deixa de estar. As dúvidas surgem e você se pergunta o que fazer, se nossa vida
depende do outro. O que fazer se nosso levantar de cada dia, depende do olhar
para o próximo, da interação com o mesmo.
Não
saberíamos viver sozinhos. E na verdade, não teria a menor graça. Seríamos
pacatos, ignorantes (até mais do que somos). O fato é que há a necessidade de
estar em contato com alguém. Há a necessidade de partilhar a felicidade ou
encontra-la a partir do encontro com o outro. É aí que surge o problema.
E
se este outro tiver receio de se entregar? Um outro, que apesar da beleza
presente em seu ser, foge ao que a sua essência aponta. Existem tantas máscaras
por aí, não compreendo a finalidade de criar mais um “eu”, a fim de ocultar o
que realmente somos.
Então,
persistimos vivendo de esconderijos que julgamos jamais serem habitados por
alguém. Mas até quando aguentaremos? E se não aguentarmos? E se
quando dermos conta do que deveríamos ter feito, for tarde demais? Vamos deixar
o medo como uma forma de coação? Vamos deixar de viver, deixar de enfrentar os
problemas, deixar de desfrutar do que temos hoje?
Não,
isso não é um modo de viver digno. É preciso aceitar nossas imperfeições, é
preciso ‘abraçar nossa história’, é preciso nos amar. É preciso assumir o nosso
interior do jeito que ele é, do jeito que traz a felicidade. É só a partir da
nossa felicidade própria, que podemos tentar fazer o outro feliz.
Enquanto
permanecemos negando a nós mesmos, a vida escorre pelo ralo. Enquanto o
ponteiro do relógio avança, não fazemos nada de produtivo, nada de memorável.
Enquanto seguirmos com este erro, o ciclo não se acabará.


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