Marcela era uma mulher íntegra, encantadora, batalhadora
e cativante. Seu principal adjetivo era ser decidida. Tomava decisões em quase
todos os assuntos que lhe envolviam, exceto um. Há muitos anos se apaixonara e desde então,
conhecera o sofrimento. Embora soubesse da incompatibilidade do romance,
permanecia batendo na mesma tecla.
Desde que iniciou sua história de amor, manteve-se presa,
ora de uma forma, ora de outra. Hoje, é aprisionada por cordas do passado,
envoltas em seus pulsos. Cordas que lhe impedem de alcançar a superação.
Marcela sempre as leva, por onde for, e segue arrastando-as pelos cantos.
Durante muito tempo, Marcela deixara passar oportunidades de ser feliz e
pessoas que estavam dispostas a compartilhar uma vida inteira ao seu lado.
Sempre nostálgica, regressava às lembranças e encontrava as mágoas escondidas
em seu ser. Mágoas que se convertiam em medo: medo do “não”, medo de arriscar,
medo de sofrer novamente, medo de permitir, medo, medo, medo...
Em uma noite estrelada, a morena resolveu visitar o
parque de sua cidade. Estava com os “sintomas” de sempre e precisava colocar os
pensamentos em ordem. Caminhou pelo local por alguns minutos, admirando a
essência da natureza. Então, decidiu sentar-se na grama verdinha e observar o
brilho das estrelas. Marcela estava distraída, quando sentiu alguém lhe tocar o
braço. Assustou-se e no mesmo instante, virou-se para trás. Deparou-se com um
homem alto, e os olhares de ambos se encontraram. Ele estendeu a mão e se
apresentou:
- Olá, meu nome é Paulo. Posso me sentar aqui?
Marcela fez uma careta, franziu o cenho e após pensar por
um momento, balançou a cabeça com relutância e disse:
- Sou Marcela.
Nas horas que se seguiram, os dois conversaram
incessantemente e a morena conseguiu até esquecer que carregava as cordas no
pulso. Paulo se ofereceu para leva-la em casa. Àquela altura do campeonato,
Marcela só queria aproveitar cada segundo perto daquele homem tão intrigante, a
ponto de fazê-la deixar o que passou para trás.
Ao longo das semanas, o contato entre eles, apenas se
estreitava. Encontravam-se dia após dia, porém, ainda assim Marcela dizia não
estar preparada para se entregar e reescrever sua história. Apesar de Paulo lhe
proporcionar o carinho, apoio e cuidado de que ela precisava, não era o
suficiente. Nada podia suprir aquele “amor corrosivo”.
Meses mais tarde, a situação continuava semelhante.
Marcela mantinha suas cordas intocáveis, assim como, seu coração. Sentia um frio
na barriga ao ver Paulo, suspirava por seu sorriso, desejava a sua presença, no
entanto, acabou perdendo-se nas garras de sua própria “proteção”.
Por fim, Paulo não aguentou. Desistiu. Passou a viver a
sua vida, sem Marcela.
Dois anos posteriores ao rompimento, Paulo estava com sua
namorada, tentando ser feliz, embora não tivesse esquecido completamente a
morena. Marcela, persistia sozinha, reclusa e presa.
Até que, em uma quinta-feira pela manhã, Marcela recebeu
uma notícia avassaladora. Seu antigo amor, iria se casar. A morena pensava que
Clóvis, também não viveria sem ela, mas estava enganada.
Chorou copiosamente por horas a fio. Depois, levantou-se
da cama e se perguntou: O que eu fiz da minha vida esse tempo todo? Onde está o progresso?
Abriu a janela do quarto e mirou o sol se pondo. Colocou
as mãos no vidro, mordeu o lábio inferior e soltou um grito que estava abafado em
seu interior. Estava decidida, iria mudar, ou também perderia o único alguém
que a amou de verdade: Paulo.
Fora até o trabalho de Paulo, mas não achou-o.
Disseram-lhe que ele estava viajando a negócios.
Passaram-se 15 dias e a inquietação da morena só
aumentava. Como ela podia ter ficado com os olhos tapados, enquanto a vida
escorregava pelos seus dedos? Como ela não reagira?
Seus devaneios foram interrompidos pelo toque do celular.
E foi ali, que a sua transformação realmente aconteceu. Soube que Paulo tinha
sofrido um acidente de carro e não havia resistido. A partir daquele dia, a dor
da perda, lhe ensinou que a vida é curta demais, para deixar de tentar.
“A vida é um redemoinho de emoções, que uma hora ou
outra, nos pregam peças. Emoções que precisam se dissipar após uma ruptura.
Emoções que precisam ser deixadas para trás e ceder lugar às novas. Emoções que
necessitam contemplar e curtir o
presente, para enfim, construir um futuro. ”

Marcela precisava aprender o que é desapego...
ResponderExcluirO.o
ResponderExcluirTriste caso o da Marcela.
ResponderExcluirImportante saber que temos que nos dedicar com o que vale a pena;
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