Sempre ouvimos
falar de amor desde muito cedo na infância até a vida adulta. O discurso
costuma ser movido pela ideia fantasiosa de que tal sentimento está
inteiramente ligado à felicidade, de maneira simples. O fato é que, à medida
que amadurecemos, nossa percepção sobre o amor é alterada, ora por decepções,
ora pelo próprio crescimento do ser. Há aqueles que nunca vivenciaram a
essência do que é amar, há aqueles que perdem a esperança no amor após experimentarem
a frustração e há aqueles que vivem buscando ressignificar o sentido desta
palavra. Pois bem, faço parte deste último grupo.
Amar é
difícil. Sim, difícil. É dispendioso, e, por vezes, até doloroso. Discordo
daqueles que acreditam na frase “o amor não machuca”. Pode machucar sim, pode
abrir feridas, porque, afinal, somos humanos e, consequentemente, falhos.
Erramos assim como o outro também erra conosco. Cabe a cada um examinar o seu
interior e analisar se é possível perdoar ou não. Não adianta dizer que
perdoamos quando aquela dor se torna latente e está sempre presente, ou quando nos
sentimos obrigados a perdoar, ou quando colocamos os desejos do outro acima dos
nossos.
Amar é uma via
de mão dupla, é quando ambos os lados cedem, crescem e se ajustam um ao outro
de forma conjunta. É quando aquele defeito que tanto nos incomoda no outro se
torna pequeno, porque você conseguirá lidar com ele de forma saudável e
vice-versa. Amar é planejar, construir sonhos juntos e concretizá-los. Amar é
doar-se na medida certa. Amar é estar disposto a encontrar a saída de um
labirinto frente às dificuldades ao lado de quem se ama. Amar é estar presente em qualquer
circunstância. Amar é ter empatia, é saber compreender, ouvir, conversar,
entender. Amar não é sinônimo de felicidade plena, mas sim, de diversidade e de
aprendizado. Amar é conseguir o equilíbrio com o seu parceiro. Amar é manter uma relação tranquila, é não se sentir sobrecarregado por estar com aquela pessoa. Amar não é
tentar mudar o outro, é despertar nele o desejo de mudança para manterem uma
relação benéfica. Amar custa energia. Amar é trabalho diário, desde pequenas a
grandes ações. Amar é se reconstruir com o outro todos os dias. Amar é também
ter amor próprio e saber a hora de utilizá-lo na relação. Amar é ser forte, é
estar disposto a vencer um leão por dia. Amar é para aqueles que gostam de
lutar, que se deliciam pelos desafios de um relacionamento amoroso, de estar
com um outro tão diferente de você e encontrar formas de aceitar o que for
aceitável, de abraçar a sua história e de apoiar nas alterações que são
necessárias. Amar é levantar um edifício a dois, é exercício diário.

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