terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

A arte de adiar.



           Amanhã, depois, outro dia, outra hora... Temos o costume de deixar tudo para o futuro, porém, sem termos a garantia de que o amanhã chegará. Perdemos oportunidades, momento, instantes, amores, afetos, porque estamos aprisionados aos padrões sociais, que, frequentemente, nos são impostos e despertam o medo do fracasso/rejeição.
A fim de fugir do temor da falha e de tamanha exigência social, recorremos à procrastinação. De acordo com o significado no dicionário, procrastinação entende-se pelo “ato ou efeito de procrastinar, adiamento, demora, delonga”. Sob a minha perspectiva, a definição de procrastinar compreende a arte de adiar ou evitar situações que nos causam receio. A fim de amenizar este medo, a instância psíquica do inconsciente insere o comportamento da procrastinação como alternativa para o não enfretamento das circunstâncias que nos causam estresse.
O fato é que a procrastinação é mais um mecanismo de defesa exposto pela nossa mente na tentativa de não nos depararmos com a realidade tão castradora/frustrante. Nesse sentido, retornamos à premissa de que ao deixarmos de encarar o que nos amedronta nos tornamos reféns da incerteza do futuro, o qual, não podemos controlar.
Neste cenário, acredito ser válido nos questionarmos sobre quantos desejos postergamos? Quantas pessoas deixamos partir? Quantos instantes de felicidade nos abstemos? Quanto do nosso presente se esvaiu e escorreu por nossas mãos? Quantos desafios nos negamos? Quantos beijos, abraços, olhares nos restringimos? Quantos arrependimentos existirão? E se o futuro não mais existir? Você terá realizado ao menos metade de suas conquistas? Terá feito a maioria da suas vontades? Pensemos e reflitamos para aproveitarmos cada milésimo de segundo das nossas vidas. Façamos a vida valer a pena, deixemos de existir e sobreviver e passemos a viver intensamente, porque a vida se baseia em correr riscos constantemente.



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