Amanhã, depois, outro dia, outra hora... Temos o costume de deixar tudo para o futuro, porém, sem termos a garantia de que o amanhã chegará. Perdemos oportunidades, momento, instantes, amores, afetos, porque estamos aprisionados aos padrões sociais, que, frequentemente, nos são impostos e despertam o medo do fracasso/rejeição.
A fim de fugir
do temor da falha e de tamanha exigência social, recorremos à procrastinação.
De acordo com o significado no dicionário, procrastinação entende-se pelo “ato
ou efeito de procrastinar, adiamento, demora, delonga”. Sob a minha
perspectiva, a definição de procrastinar compreende a arte de adiar ou evitar situações
que nos causam receio. A fim de amenizar este medo, a instância psíquica do
inconsciente insere o comportamento da procrastinação como alternativa para o não
enfretamento das circunstâncias que nos causam estresse.
O fato é que a
procrastinação é mais um mecanismo de defesa exposto pela nossa mente na
tentativa de não nos depararmos com a realidade tão castradora/frustrante.
Nesse sentido, retornamos à premissa de que ao deixarmos de encarar o que nos
amedronta nos tornamos reféns da incerteza do futuro, o qual, não podemos
controlar.
Neste cenário,
acredito ser válido nos questionarmos sobre quantos desejos postergamos? Quantas
pessoas deixamos partir? Quantos instantes de felicidade nos abstemos? Quanto
do nosso presente se esvaiu e escorreu por nossas mãos? Quantos desafios nos
negamos? Quantos beijos, abraços, olhares nos restringimos? Quantos
arrependimentos existirão? E se o futuro não mais existir? Você terá realizado
ao menos metade de suas conquistas? Terá feito a maioria da suas vontades? Pensemos
e reflitamos para aproveitarmos cada milésimo de segundo das nossas vidas. Façamos
a vida valer a pena, deixemos de existir e sobreviver e passemos a viver
intensamente, porque a vida se baseia em correr riscos constantemente.

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