Chove torrencialmente lá fora, assim como aqui dentro do meu
ser. Chuva de emoções ambivalentes, de sofrimento e angústia. Chuva de
sentimentos que transbordam em meio a lágrimas reprimidas. Chuva que não se deixa transparecer, que é
disfarçada feito dor interna. Chuva que é percebida apenas pelo meu ego e é
maquiada aos olhos alheios. Chuva que, de forma ilusória, demonstra ser sol
perante os outros. Sol fictício que faz morada em um sorriso de dentes amarelados.
Sol que é escondido pelas nuvens quando o pensamento em você regressa. Sol que, então, volta a ser chuva a desabar.
domingo, 7 de janeiro de 2018
sexta-feira, 9 de junho de 2017
Um ano.
Um
ano, descontínuo, longe da escrita. Um ano sem desabafos. Um ano sem palavras
para expressar meu eu interno. Um ano de muitos pesadelos, dificuldades e
lutas. Um ano com a angústia incansável sempre ao meu lado. Um ano de muita
mudança, de novas perspectivas. Um ano da descoberta de que vivo imersa em uma
escuridão interior, a qual desconheço as causas. Um ano que me tornei estranha para
mim mesma. Um ano que assisti toda a minha identidade entrar em colapso e ruir.
Um ano que não sou quem eu acreditava ser. Um ano que perdi o fôlego. Um ano
que enlouqueci. Um ano que passou arrastado. Um ano de crises depressivas. Um ano desconexo. Um ano brigando comigo mesma. Um ano de dúvidas e incertezas. Um
ano de muitas frustrações, perdas, partidas. Um ano de muita solidão. Um ano de complicações. Um ano procurando
algum sentido para seguir em frente. Um ano, ou melhor, o ano mais longo na tentativa
incessante de me redescobrir, redesenhar e finalmente saber quem sou.
quarta-feira, 31 de maio de 2017
Desabafos de um sábado à noite.

O amor, ah.... o amor.
Sentimento que move o mundo, mas que poucos tiveram o prazer de
desfrutar/sentir. Sentimento tão amplo e inexplicável que não há definições ou
mensurações específicas para tal palavra. Sentimento esse que por diversas
vezes é permeado por frases clichês do tipo "quem ama nunca desiste",
"quem ama nunca vai embora, se foi, não é amor" e que a maioria das
pessoas tomam como verdade absoluta perpetuada pelas redes sociais. Mas, no
fundo, será que essas frases fazem mesmo sentido? Ou será que cada situação de
um relacionamento amoroso é subjetiva demais para ser enquadrada em
"slogans" clichês?
Tenho me questionado frequentemente sobre o que é o amor,
porém não encontrei resposta. Será como o amor sobrevive depois de longos anos
de casamento? Há tantos casais que o amor se baseia em pagar contas e cuidar
dos filhos. Será que essa é a faceta do verdadeiro amor? Amor, pra mim, é
cuidar, querer bem, ser companheiro, ter um relação saudável, planejar e querer
partilhar a sua vida com alguém. Amor é ter atitude, é falar menos e demonstrar
mais, é ter empatia, é se colocar no lugar do outro, é ceder, é compreender e
amadurecer junto. Em meio a essa diversidade de relações atuais, há tantos
relacionamentos por aí com um significado invertido de "amor".
Relacionamentos abusivos, manipulados, onde as pessoas se prendem àquelas
frases que citei acima e nunca "desistem". O fato é que nesses casos
desistir é insistir em si mesma, no seu bem-estar, é desistir de estar sempre à
disposição do desejo do outro.
Eu amei e continuo amando, mas desisti. Compreendo a
personalidade daquela que foi minha parceira e é bastante justificável ela ser
assim, por tudo que já sofreu, contudo, é hora da coragem vir à tona e de me
colocar em primeiro lugar. É hora de redescobrir o que é amar a mim mesma, é
hora de me reconstruir, de mudar, de deixar o ciclo vicioso no passado, de me
permitir uma nova chance. Sou julgada por ter escolhido ir embora enquanto amo,
sou taxada como aquela que "se amasse de verdade, não teria
desistido". E por mais que eu saiba as inverdades contidas nessas
palavras estereotipadas, ainda vem a culpa, a culpa por tê-la deixado sozinha,
a culpa por não estar presente quando ela precisa, a culpa por me
responsabilizar pelo fim. E aliado à culpa se sobrepõe o sofrimento, que me faz permanecer assim, nessa ambivalência amorosa, na esperança de que dias melhores estão por
vir.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2016
Simplesmente se foi.
Você
se foi e levou consigo a minha crença na amizade. Você se foi e
desperdiçou o sentimento terno que eu havia depositado em nós. Você se foi e
proferiu palavras que eu não gostaria de ouvir. Você se foi e me deixou sem
explicar. Você se foi sem tentar consertar. Você se foi após uma sucessão de
erros, sem pestanejar. Você se foi sem pensar, sem olhar para trás. Você se foi por uma situação momentânea. Você se foi e não nos ofereceu uma chance. Você se foi
muito fácil. Você se foi e eu fiquei, quebrada. Você se foi e trouxe à tona a decepção. Você se foi e me deixou apenas a ilusão. Você se foi em meio a julgamentos inexplicáveis. Você se foi e resolveu esquecer/apagar tudo o que vivemos. Você se
foi sem me ouvir, sem conversar. Você se foi, cheia de rancor, e deixou o vazio
em meu peito. Você se foi e apagou da sua memória os nossos momentos felizes.
Você se foi e carregou consigo apenas dor, fúria, raiva e ódio. Você se foi e,
desde então, a falta se instalou em mim. Você se foi, e, ainda hoje, a sua ausência é
eminente. Você se foi e me marcou. Você se foi e eu não mais voltarei a ser como antes. Você se
foi levando um pedaço de mim que jamais será reparado. Você se foi e me enganou com as suas palavras/atitudes.
Você se foi e me despertou a ira. Você se foi e me deixou temerosa quanto ao outro.Você se foi e eu me protegi de todos
depois de ti. Você se foi e,
após muito tempo, o que restou foi angústia, sofrimento e amargura. Você se foi
e eu finalmente te conheci de verdade. Você se foi e me deixou irrecuperável. Você se foi e eu não superei a sua partida. Você se foi e interrompeu a nossa amizade. Você se foi e escolheu ir. Você se foi, do verbo ir embora e nunca mais voltar. Você se foi, simplesmente se foi.
sábado, 31 de outubro de 2015
Angústia de vida.
Quando não se enxerga o futuro,
quando não há um caminho seguro,
quando não há mais motivação,
quando não se encontra solução,
quando a sua vida é dispensável,
quando não há pensamento saudável,
quando não há razões para permanecer,
quando um fim deseja ter,
quando não há porquê escolher,
quando só o que resta é sofrer,
quando se quer desistir,
quando se quer deixar de existir...
quinta-feira, 17 de setembro de 2015
Melancolia: boa e velha companheira.
Muitas vezes, fui julgada (e ainda sou) por deixar com que a boa e velha melancolia me rodeie. Contudo, pra falar a verdade, ela faz parte de minha excentricidade e reprimir algo tão presente, a ponto de me estruturar, é negar o que realmente sou.
A maioria das pessoas acredita que a melancolia é o mesmo que depressão. Antigamente, realmente era. Freud utilizava o termo melancolia como sinônimo de quadros depressivos. No entanto, com o passar dos anos notou-se controvérsias entre esses dois aspectos da personalidade.
Ao contrário do que pensam, a melancolia é atraente sob o meu ponto de vista. Gosto da maneira como ela me faz sentir, gosto de escutar músicas que convocam o lado mais sombrio do meu ser, gosto de ver filmes que trazem o meu lado emocional à tona, gosto de ler textos que fazem ressurgir a escuridão melancólica do meu peito.
É claro que, como todo e qualquer estado do ser, a melancolia também demonstra seu lado negativo. Há um sofrimento contínuo, o qual não existe explicação, mas caminha junto com o melancólico, ao longo do tempo.
A tal da melancolia, tão criticada, me dá a sensação de peculiaridade, de me fazer sentir diferente. E àqueles que insistem em dizer que tenho que me livrar dela, estão redondamente enganados...
A melancolia é a minha companheira de todos os dias!
quinta-feira, 27 de agosto de 2015
Promessas (des)cumpridas.
Quando nos apaixonamos, começamos a falar frases sem nexo, inverdades movidas pelo calor da emoção, falsos planos, metas inatingíveis, promessas incumpríveis...
Ao passo que alguém por quem estamos apaixonados se comporta desta maneira, nos inclinamos a querer acreditar em tudo o que nos é dito. É aí que se cria a tal da expectativa, tão esperada, mas também tão temida, caso seja frustrada.
Tenho me sentido um pouco exausta de ouvir promessas que caem por terra na primeira oportunidade. Palavras são quebradas e corações são rompidos. Pessoas que dizem que vão ficar e nunca irão embora. Nunca é uma palavra muito forte e a maioria dos amantes esquece este pequeno detalhe. Proferem-na de forma desordenada, sem nem pensar.
O fato é que nos iludimos por palavras doces, as quais queremos ouvir e acabamos esquecendo de colocar a razão em primeiro lugar. Saber filtrar e ponderar o que se deve, de fato, acreditar. Se você não pretende fazer aquela promessa acontecer na prática, simplesmente não prometa. Prometer e não cumprir remete à perda de credibilidade.
Infelizmente quando somos inundados por um sentimento, agimos de forma descontrolada e destemida. Lançamo-nos do céu ao abismo, sem contrabalancear se é ou não viável naquele momento. Em grande parte das vezes, a profundidade com que nós encaramos o relacionamento é diretamente proporcional ao sofrimento que iremos passar.
Sejamos temerosos, desconfiados, racionais na medida certa. Não passemos do limite a ponto de deixar a queda tão próxima de nós. Não deixemos nos envolver com tamanha facilidade pela labilidade do outro que está ali. Pensemos mais em nós mesmos, pensemos mais no que poderemos, realmente, plantar e depois colher com àquela pessoa ao nosso lado.
Diferente do que o meu o eterno Cazuza diz: Mentiras sinceras não me interessam. Não mais!
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