
O amor, ah.... o amor.
Sentimento que move o mundo, mas que poucos tiveram o prazer de
desfrutar/sentir. Sentimento tão amplo e inexplicável que não há definições ou
mensurações específicas para tal palavra. Sentimento esse que por diversas
vezes é permeado por frases clichês do tipo "quem ama nunca desiste",
"quem ama nunca vai embora, se foi, não é amor" e que a maioria das
pessoas tomam como verdade absoluta perpetuada pelas redes sociais. Mas, no
fundo, será que essas frases fazem mesmo sentido? Ou será que cada situação de
um relacionamento amoroso é subjetiva demais para ser enquadrada em
"slogans" clichês?
Tenho me questionado frequentemente sobre o que é o amor,
porém não encontrei resposta. Será como o amor sobrevive depois de longos anos
de casamento? Há tantos casais que o amor se baseia em pagar contas e cuidar
dos filhos. Será que essa é a faceta do verdadeiro amor? Amor, pra mim, é
cuidar, querer bem, ser companheiro, ter um relação saudável, planejar e querer
partilhar a sua vida com alguém. Amor é ter atitude, é falar menos e demonstrar
mais, é ter empatia, é se colocar no lugar do outro, é ceder, é compreender e
amadurecer junto. Em meio a essa diversidade de relações atuais, há tantos
relacionamentos por aí com um significado invertido de "amor".
Relacionamentos abusivos, manipulados, onde as pessoas se prendem àquelas
frases que citei acima e nunca "desistem". O fato é que nesses casos
desistir é insistir em si mesma, no seu bem-estar, é desistir de estar sempre à
disposição do desejo do outro.
Eu amei e continuo amando, mas desisti. Compreendo a
personalidade daquela que foi minha parceira e é bastante justificável ela ser
assim, por tudo que já sofreu, contudo, é hora da coragem vir à tona e de me
colocar em primeiro lugar. É hora de redescobrir o que é amar a mim mesma, é
hora de me reconstruir, de mudar, de deixar o ciclo vicioso no passado, de me
permitir uma nova chance. Sou julgada por ter escolhido ir embora enquanto amo,
sou taxada como aquela que "se amasse de verdade, não teria
desistido". E por mais que eu saiba as inverdades contidas nessas
palavras estereotipadas, ainda vem a culpa, a culpa por tê-la deixado sozinha,
a culpa por não estar presente quando ela precisa, a culpa por me
responsabilizar pelo fim. E aliado à culpa se sobrepõe o sofrimento, que me faz permanecer assim, nessa ambivalência amorosa, na esperança de que dias melhores estão por
vir.
Nossa, B., maravilhosa essa tua reflexão. E tens toda razão, o amor não cabe em clichês enlatados.
ResponderExcluirBeijos.
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