sexta-feira, 9 de junho de 2017

Um ano.



Um ano, descontínuo, longe da escrita. Um ano sem desabafos. Um ano sem palavras para expressar meu eu interno. Um ano de muitos pesadelos, dificuldades e lutas. Um ano com a angústia incansável sempre ao meu lado. Um ano de muita mudança, de novas perspectivas. Um ano da descoberta de que vivo imersa em uma escuridão interior, a qual desconheço as causas. Um ano que me tornei estranha para mim mesma. Um ano que assisti toda a minha identidade entrar em colapso e ruir. Um ano que não sou quem eu acreditava ser. Um ano que perdi o fôlego. Um ano que enlouqueci. Um ano que passou arrastado. Um ano de crises depressivas. Um ano desconexo. Um ano brigando comigo mesma.  Um ano de dúvidas e incertezas. Um ano de muitas frustrações, perdas, partidas. Um ano de muita solidão. Um ano de complicações. Um ano procurando algum sentido para seguir em frente. Um ano, ou melhor, o ano mais longo na tentativa incessante de me redescobrir, redesenhar e finalmente saber quem sou. 

Um comentário:

  1. Achei que nunca mais leria um texto seu. Triste ler que está assim, mas "feliz" de ter a certeza de que só você pode construir quem você é.
    Abraços, de quem se arrepende muito de ter te magoado um dia.

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