Rafaela
acordara novamente, aos gritos, no meio da noite. Colocou a mão no peito e
sentiu um torpor inexplicável. Levantou-se da cama rapidamente e se direcionou
até à cozinha. Agarrou uma taça e encheu-a com vinho. Quando mirou-a, se
assustou ao perceber que o líquido tinha o aspecto de puro sangue. Segurou
fortemente a taça até que parte dela se quebrou, cortando sua pele. Rafaela,
usando seu instinto, jogou-a no chão, estilhaçando-a.
Derrotada dobrou os joelhos no assoalho. Relembrou a sua infância, em que
sempre caía ao chão, nas madrugadas daquele lar infantil. Tinha pesadelos,
desde essa época. Ninguém a socorria, continuava só. Por isso, decidiu se
isolar do mundo e viver ao lado da solidão, afinal ela já se acostumara com a
sua companhia.
Era uma criança considerada estranha, pelos demais. Ouvia vozes, vultos, luzes,
que os demais não percebiam. Os cuidadores levaram-na em psicólogos e
psiquiatras, alegando que ela estivesse com algum distúrbio mental. Mas
nada foi constatado.
Rafaela sempre ficava perdida, devido a esta situação. Apenas tentava pensar,
que o seu dom fosse passar, porém, não passou. Na manhã seguinte, estava
determinada a buscar o auxílio de um espírita que circundava a região.
O despertador apitou às 7:00. Rafaela, com muito sono em razão da noite
turbulenta, adormeceu mais 5 minutinhos, até que um pesadelo a acordou. Após
levantar-se, procurou alguma roupa apropriada para o momento. Vestiu uma regata
branca, uma calça jeans e seu All Star desbotado.
