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sábado, 9 de março de 2013

[Parte 2] Ghost City.


     Chegando ao seu destino, encontrou um velho baixo, negro e com uma enorme barba branca. Ele a avistou e disse:
     - Estava esperando por você, minha filha.
     - Mas, como? Eu nunca o vi antes e não contei a ninguém que viria – respondeu Rafaela, preocupada.
     - Há muito tempo, eu já te espero. Sente-se, preciso mostrar a sua missão.
     - Missão? - Perguntava, ainda mais assustada.
     O velho, pegou um mapa, no qual havia uma cidade em destaque. Localizava-se a 300 km do local. Apontou para o mapa e disse a Rafaela: - Filha, desde o seu nascimento existe um propósito para ti. A sua vinda ao mundo, renovou as esperanças das poucas pessoas que ainda vivem nessa pequena cidade: Ghost City. Seus avós morreram na luta pela salvação deles. Seus pais quiseram te manter longe deste assunto, por isso a deixaram. Mas você, pode escolher seguir o seu destino ou abrir mão dele...
    - E qual é o meu destino? - Interrompeu
    - Seu destino, é libertar aquela cidade dos fantasmas. Só você possui este dom. Só você pode enxergar além da realidade. No entanto, esta é uma missão complicada, que pode custar até mesmo a sua própria vida.
    Rafaela há muito, já não vivia. Sentia-se apenas mais um corpo que existia no espaço. Olhava para trás e desconhecia seu passado. Não encontrava nada que fora construído por ela. Não tinha família, namorado, amigos. Para ela, perder a vida, não seria um sacrifício, mas sim, uma oportunidade de realizar algo memorável em sua vida inútil.
    Logo respondeu: - É o meu desejo estar lá. Sinto como se algo ou alguém clamasse pela minha ida. Eu preciso. Diga-me o que devo fazer, senhor.
    - Percorra a estrada de chão até chegar a um vilarejo. Lá eles te informarão onde se encontra a entrada da cidade. Enviarei um espírito protetor para caminhar contigo. Ele te guiará pela escuridão.
    Rafaela saiu apressada, sem sequer lembrar-se de agradecer o velho. Passou em sua casa, arrumou algumas roupas em sua mala e pegou sua caixa sagrada. Antes de deixa-la, sua mãe, avisou que a filha abriria a caixa no momento certo. Rafaela atendeu ao pedido da mãe e deixou-a fechada durante todos os seus anos. Mas pressentiu que ia precisar do que estava dentro dela, durante a sua missão.


[Parte 1]

sábado, 2 de março de 2013

[Parte 1] Ghost City.

 
 
    Rafaela acordara novamente, aos gritos, no meio da noite. Colocou a mão no peito e sentiu um torpor inexplicável. Levantou-se da cama rapidamente e se direcionou até à cozinha. Agarrou uma taça e encheu-a com vinho. Quando mirou-a, se assustou ao perceber que o líquido tinha o aspecto de puro sangue. Segurou fortemente a taça até que parte dela se quebrou, cortando sua pele. Rafaela, usando seu instinto, jogou-a no chão, estilhaçando-a.
    Derrotada dobrou os joelhos no assoalho. Relembrou a sua infância, em que sempre caía ao chão, nas madrugadas daquele lar infantil. Tinha pesadelos, desde essa época. Ninguém a socorria, continuava só. Por isso, decidiu se isolar do mundo e viver ao lado da solidão, afinal ela já se acostumara com a sua companhia.  
    Era uma criança considerada estranha, pelos demais. Ouvia vozes, vultos, luzes, que os demais não percebiam. Os cuidadores levaram-na em psicólogos e psiquiatras, alegando que ela estivesse com algum distúrbio mental.  Mas nada foi constatado.
    Rafaela sempre ficava perdida, devido a esta situação. Apenas tentava pensar, que o seu dom fosse passar, porém, não passou. Na manhã seguinte, estava determinada a buscar o auxílio de um espírita que circundava a região.
   O despertador apitou às 7:00. Rafaela, com muito sono em razão da noite turbulenta, adormeceu mais 5 minutinhos, até que um pesadelo a acordou. Após levantar-se, procurou alguma roupa apropriada para o momento. Vestiu uma regata branca, uma calça jeans e seu All Star desbotado.