Sofia deparou-se com a imagem da mãe. De repente, um
clarão pairou no quarto e como em um filme, a história dos pais de Sofia foi
sendo mostrada. Sofia mirava-a quando pequena, debruçada em lágrimas. O tempo
foi passando, até chegar aos 6 anos, no dia em que seus pais morreram. Sua mãe
chegara tarde em casa, por conta do trabalho e encontrara o marido na cama com
a amante. Renata, a mãe de Sofia, não discutiu com o esposo, apenas arrumou a
sua mala e já ia saindo de casa, quando Raul atirou em suas costas. Renata caiu
e o sangue escorreu pelo assoalho.
Depois disso, Raul atirou em suas têmporas.
A amante, assustada com toda aquela cena, tocou no revólver e chorou em cima do
corpo do amado, até a polícia chegar e prendê-la em um suposto flagrante.
O sofrimento era estampado no rosto de Sofia e a dor
também era marcada na forma da sombra. Renata nunca aceitou a perda da filha,
queria leva-la para o seu mundo e por isso, atormentava-a.
Em um momento de emoção, Sofia chegou perto da “mãe” e tentou
toca-la, mas foi em vão. Por mais que a filha quisesse tê-la por perto pertenciam
a mundos diferentes e Renata deveria regressar ao submundo.
Fred sabia o que deveria ser feito. Invocou a alma de seu
velho avô, para conseguir reabrir o portal e então levar Renata para o submundo. O avô de Fred ressurgiu e Renata, apesar de amar a filha, entendeu que ali não era mais o seu lugar. Ambos ultrapassaram o portal. A forma da Renata ainda mirou a filha, antes de desaparecer. Havia uma
espécie de sorriso aliviado em seu rosto.
Sofia aconchegou-se nos braços de Fred, chorando copiosamente. Horas depois adormeceu,
anestesiando a dor.

Adoro esse estilo de textos, meus parabéns!
ResponderExcluirGosto de coisas que são comuns para alguns, para que a maioria das pessoas não consegue ver nem sentir...
bjus e bom domingo!
http://www.elianedelacerda.com
Que coisa. Bonita história B. Gostei do tom espiritual/sobrenatural. E também os sentimentos, a história envolvida, um passado de tristeza. O Portal é uma história cativante, mostrando às vezes que nem os outros mundos podem contar a força do que sentimos. Principalmente quando restam tantas cicatrizes...
ResponderExcluirMaravilha B!
Beijão e boa semana!
Achei interessante... em alguns momentos da vida temos a vontade de ter acesso a um portal desses, mas como bem lembrou o texto, cada um está no lugar ao qual deve pertencer em determinado momento. Um abraço!
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