Lara
era uma menina de olhos azuis e cabelos negros. Uma criança dotada de tremenda
doçura que conquistava aqueles que tinham algum contato com ela, por mínimo que
fosse. Há uma semana a garotinha estava bastante ansiosa para que o dia de
seu aniversário de 7 anos se aproximasse logo. A menina decidiu o que queria
ganhar de seu pai, naquele ano. Pediu-lhe um pássaro.
Diferente
dos seus amigos, Lara não valorizava tanto os brinquedos. Talvez ela tivesse
se acostumado à condição financeira limitada de sua família e devido a esta
situação, sempre valorizou os mínimos detalhes da natureza, pela qual, era
encantada. Chegava da escola e corria pelo pequeno jardim de sua casa, onde
poucas flores nasciam no verão.
Na
manhã de quinta-feira, Gustavo abriu o portão da casa e se deparou com Lara,
entusiasmada, esperando o seu tão sonhado passarinho. O pai escondeu a gaiola
por trás, disse para a menina fechar os olhos e fazer um pedido. Segundos
depois, o rosto de Lara ganhou uma expressão indescritível, sua face estava
rubra, seus olhos brilhavam e sua boca estava escancarada em um grande sorriso.
A menina repetia: É tão lindo, papai! Enquanto agradecia o pai, com beijos no
rosto.
O
pássaro era adulto de asas e cabeça azuis com o resto do corpo vermelho. Deram-lhe o nome
de Pio. Além de Lara, toda a família adotou-o como mascote e se deliciavam com
seus belos cantos.
O
amor da pequena por Pio era puro. Ela o alimentava, cuidava dele e o
acariciava. Com reciprocidade, o pássaro quando avistava sua dona começava a
soltar a mais linda melodia, o que deixava Lara radiante.
Certo
dia, a menina decidiu leva-lo para tomar um banho de sol no jardim. Segurou-o
entre as mãos, enquanto os raios solares reluziam sobre o corpo do canário. O
tom azulado do céu se confundia com o azul das asas de Pio. A alegria parecia
transparecer pela alma de Lara.
Dias
depois, Pio havia mudado. Estava estranho, não cantava mais, tinha o olhar
triste e as asas perderam o brilho azul. Lara, preocupada, perguntou ao pai o
que estava acontecendo com o seu fiel companheiro.
Gustavo,
então, levou-o a um veterinário. Para a surpresa do pai e da filha, nada foi
constatado. Pio estava com a saúde perfeita.
Uma
semana se foi e o pássaro permanecia apático. Então, Lara resolveu leva-lo ao
banho de sol que ele tanto adorava, com a expectativa de que Pio se sentisse
melhor. Enquanto o pássaro tomava sol, surgiu uma ave enorme, com as mesmas
características de Pio.
O
pássaro iniciou o seu canto com fervor e então, voou para perto da ave
inusitada. Juntos, alçaram voo para o horizonte.
Lara
gritava o nome do amigo e tentava captura-lo, mas era em vão. O coração da
menina estava despedaçado. Ligou para seu pai, chorando incessantemente.
Quando
Gustavo chegou, abraçou-a com ternura. Ela lhe perguntou: Por que ele me
deixou, papai?
O
homem refletiu antes de dizer o que havia acontecido para a filha. Procurou as
palavras adequadas e falou: Filha, todos precisam de liberdade em um certo
momento da vida, até mesmo os animais. Você é muito nova, por isso ainda está
presa a mim. Mas Pio já era adulto e precisava sair daquela gaiola, um dia.
Precisava sentir o verdadeiro lugar a que pertence. Mas isso não significa que
ele deixou de te amar.
Lara
compreendeu o que o pai dissera. Assentiu com a cabeça e se aninhou nos braços
de Gustavo.
Um
ano se passou desde a partida de Pio. Lara acordou em uma manhã ensolarada e
foi ao jardim, aproveitar a sua nostalgia. Perdia-se ao pensar nos momentos com
o amigo. Até que, um pássaro pousou em seu ombro. Era ele. Lara não tinha
dúvidas. Inundada de emoções aproveitou o instante com o seu velho companheiro.
Certificou-se de que ele jamais deixaria de amá-la.
Nossa, B., mais uma texto lindíssimo. Parabéns, guria.
ResponderExcluirBeijos.
www.dilemascotidianos.blogspot.com
Libertar é a forma mais nobre de amar. Um querer bem sem amarras. Muito lindo o texto, B. O nome da personagem é mais lindo ainda. hahaha ^^
ResponderExcluirQue lindo sou totalmente contra prisão de aves, e por contradição ganhei uma calopsita que amo de paixão, se tivesse certeza que se a soltasse ela fosse viver faria isso, as vezes vejo ele olhando os pássaros voando sobre nossa casa e me corta o coração, mas como foi criado em cativeiro não sei se teria chance, amei seu conto é tocante...
ResponderExcluirOlá, B!
ResponderExcluirLiberdade é começo da felicidade... Abraço! www.beabadosucesso.com.br
Uma significante mensagem B. Bjos.
ResponderExcluirQue bonitinho, quase chorei aqui (não espalha)... hahahah
ResponderExcluirTive três passarinhos, depois que dois fugiram, dei o terceiro e nunca mais tive outro animal de estimação.
Passou a mensagem de uma maneira muito bacana.
Beijos!
Eu também não gosto de passarinho em gaiola.
ResponderExcluirA estória é muito bonita.
Que coisa mais linda! Como diz aquele velho ditado: Se amas alguma coisa, deixa-as livre. Se ela voltar, é porque é sua, se não, é porque nunca lhe pertenceu. Liberdade é nosso dom mais precioso, e uma grande demonstração de afeto é respeitar a liberdade alheia.
ResponderExcluirEsse conto aqueceu meu coração!
Beijos =*
Ai, que texto lindo!
ResponderExcluirDesses que a gente termina de ler quase chorando, transformando a metáfora para nossa vida.
Quem nunca teve alguém que amasse muito, mas a pessoa precisou partir? Seja um amigo ou um ente querido que se foi pela idade,doença ou circunstâncias. Ou então aquele amor, que sabemos que jamais vai dar certo, mas ainda assim o alimentamos, até que um dia conseguimos dizer "chega!"
O ser humano também tem a liberdade implícita no corpo, assim como os pássaros.